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VEJA Recomenda CINEMA
Fotos
divulgação
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Bela do Palco: o fim das heroínas barbadas |
A
Bela do Palco (Stage Beauty, Inglaterra/Estados Unidos, 2004. Estréia
nesta sexta-feira em São Paulo e Porto Alegre) Na Inglaterra do
século XVII, o rei Carlos II decretou que, a partir dali, as mulheres estavam
autorizadas a subir ao palco como atrizes e os homens ficavam proibidos
de, como sempre haviam feito, interpretar papéis femininos. A camareira
Maria (Claire Danes), então, se tornará a primeira estrela do teatro,
enquanto o astro Edward Kynaston (Billy Crudup), famoso por seus desempenhos como
Desdêmona e Ofélia, terá de se reencontrar como ator e como
homem. A Bela do Palco mostra com vividez um momento único, passeia
pelas transformações na arte de representar e trata também
de um tema atual: os jogos com que homens e mulheres estabelecem seus papéis
numa relação amorosa. Veja
cenas.
DVD
 | | Nip/Tuck:
uma das melhores séries americanas |
Nip/Tuck
A Primeira Temporada (Nip/Tuck, Estados Unidos, 2003. Warner)
Christian Troy (Julian McMahon) é um dos personagens mais interessantes
da televisão americana nos últimos anos: um cirurgião plástico
ególatra, mercenário e altamente complicado, que precisa da amizade
de seu sócio, Sean McNamara (Dylan Walsh), mas ao mesmo tempo o tortura
e chantageia. Mais que à festejada Desperate Housewives, é
a Nip/Tuck (numa tradução livre, "Puxa e Estica") que cabe
o mérito de renovar o melodrama televisivo. Sua bem-sucedida receita mistura
as crises familiares e conjugais indispensáveis no gênero a uma visão
implacável da obsessão pela beleza e pela juventude. Quem tem estômago
fraco, porém, que se prepare: as cenas de cirurgia são totalmente
explícitas. LIVROS Paisagens
da Memória, de Ruth Klüger (tradução de Irene
Aron; 34; 256 páginas; 44 reais) No início dessa autobiografia,
Ruth lembra dos sussurros trocados entre seus parentes, quando ela era criança,
em Viena. Mas os adultos não baixavam a voz para falar de sexo, como ocorre
em circunstâncias normais, e sim de morte. A Áustria foi anexada
pela Alemanha nazista em 1938, quando a autora tinha 7 anos, e famílias
judias como os Klüger já temiam o que estava por vir. Ruth e sua mãe
foram deportadas para campos de concentração em 1942. Paisagens
da Memória é um pungente relato de sua sobrevivência nesses
anos e de sua capacidade de refazer a vida, depois da guerra, nos Estados
Unidos, onde foi professora de alemão em Princeton, entre outras universidades.
Paciente
67, de Dennis Lehane (tradução de Luciano Machado; Companhia
das Letras; 344 páginas; 42 reais) Um dos mais consagrados autores
policiais da atualidade, o americano Dennis Lehane, de Sobre Meninos e Lobos,
fez sua fama com livros ambientados nos subúrbios violentos de Boston,
cidade onde mora. Esse novo romance, porém, se vale de um cenário
claustrofóbico para compor um ótimo thriller psicológico.
A história se passa num asilo para doentes mentais criminosos, em uma ilha
na costa de Massachusetts. Teddy Daniels e Chuck Aule, os policiais escalados
para investigar o caso de uma assassina que fugiu da instituição,
têm de enfrentar a resistência da administração do asilo,
aparentemente envolvida em estranhas experiências médicas. Leia
trecho.
O
Caçador de Pipas, de Khaled Hosseini (tradução de
Maria Helena Rouanet; Nova Fronteira; 366 páginas; 34,90 reais)
Com 2 milhões de livros vendidos nos Estados Unidos, o romance de estréia
de Khaled Hosseini é uma poderosa crônica da vida no Afeganistão,
dos anos 70, antes da invasão soviética, até a ditadura fundamentalista
do Talibã. A história é narrada por Amir, um afegão
radicado nos Estados Unidos (tal como o autor, que é médico na Califórnia).
Na infância, em Cabul, ele testemunha o estupro de um amigo Hassan,
um menino pobre, filho de um servo e não faz nada para ajudá-lo.
Atormentado por essa culpa antiga, Amir decide viajar de volta ao Afeganistão
dominado pelos fanáticos barbudos do Talibã, para reencontrar Hassan.
Leia
trecho.
DISCO  |  | | Cullum:
um jazz muito pop | |
Catching
Tales, Jamie Cullum (Universal) O cantor e pianista inglês
de 26 anos é o novo fenômeno do jazz. Seu disco Twentysomething
(2003) vendeu 2 milhões de cópias no mundo inteiro, tornando-se
um dos álbuns de estréia mais bem-sucedidos do gênero. A exemplo
de cantoras como Diana Krall e Norah Jones, Cullum dilui o jazz em doses generosas
de música pop. A diferença é que seu talento ao piano é
superior ao de Diana e Norah. Catching Tales tem repertório próprio,
em parcerias com produtores de artistas como Gorillaz e Robbie Williams. O resultado
é um álbum voltado para os ritmos dançantes, como mostra
Get Your Eyes, faixa que bebe do funk. Outro destaque é London
Skies, que tem influência do rock inglês dos anos 90.
Da nossa equipe A
poesia do mineiro Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) é um espelho do
Brasil entre os anos 30 e 60. "No futuro, quem quiser conhecer o geist
brasileiro, pelo menos de entre 1930 e 1945, terá que recorrer muito mais
a Drummond que a certos historiadores, sociólogos, antropólogos
e 'filósofos' nossos", já notava o poeta Mário Faustino.
Em Drummond Cordial (Nankin; 240 páginas; 25 reais), Jerônimo
Teixeira, repórter de VEJA, acrescenta uma perspectiva original a essa
idéia. O livro, resultado de sua dissertação de mestrado
em letras, estabelece uma ponte entre a vida e obra do poeta e o conceito de "homem
cordial" descrito por Sérgio Buarque de Holanda no clássico Raízes
do Brasil (1936). Fruto da sociedade patriarcal, o "homem cordial" de que
fala o historiador norteia sua conduta pelo apego às relações
de amizade o que estaria na origem de uma sociedade na qual os interesses
privados se sobrepõem à esfera pública. Embora o Brasil rural
tenha começado a ruir com a Revolução de 30, o país
moderno teria de conviver com esse traço persistente no caráter
nacional. A obra do poeta, demonstra Drummond Cordial, ilustra essa contradição:
nela, coabitam um autor moderno e outro que se apega aos valores tradicionais.
"A poesia soube refinar a matéria bruta da biografia, retirando dos sucessos
banais de um filho de fazendeiro que se tornou funcionário público
as contradições de toda uma era", escreve Teixeira. Leia
trecho. Marcelo Marthe
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