Edição 1923 . 21 de setembro de 2005

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VEJA Recomenda

CINEMA

Fotos divulgação
A Bela do Palco: o fim das heroínas barbadas


A Bela do Palco
(Stage Beauty,
Inglaterra/Estados Unidos, 2004. Estréia nesta sexta-feira em São Paulo e Porto Alegre) – Na Inglaterra do século XVII, o rei Carlos II decretou que, a partir dali, as mulheres estavam autorizadas a subir ao palco como atrizes – e os homens ficavam proibidos de, como sempre haviam feito, interpretar papéis femininos. A camareira Maria (Claire Danes), então, se tornará a primeira estrela do teatro, enquanto o astro Edward Kynaston (Billy Crudup), famoso por seus desempenhos como Desdêmona e Ofélia, terá de se reencontrar como ator e como homem. A Bela do Palco mostra com vividez um momento único, passeia pelas transformações na arte de representar e trata também de um tema atual: os jogos com que homens e mulheres estabelecem seus papéis numa relação amorosa. Veja cenas.

 

DVD

Nip/Tuck: uma das melhores séries americanas

Nip/Tuck – A Primeira Temporada (Nip/Tuck, Estados Unidos, 2003. Warner) – Christian Troy (Julian McMahon) é um dos personagens mais interessantes da televisão americana nos últimos anos: um cirurgião plástico ególatra, mercenário e altamente complicado, que precisa da amizade de seu sócio, Sean McNamara (Dylan Walsh), mas ao mesmo tempo o tortura e chantageia. Mais que à festejada Desperate Housewives, é a Nip/Tuck (numa tradução livre, "Puxa e Estica") que cabe o mérito de renovar o melodrama televisivo. Sua bem-sucedida receita mistura as crises familiares e conjugais indispensáveis no gênero a uma visão implacável da obsessão pela beleza e pela juventude. Quem tem estômago fraco, porém, que se prepare: as cenas de cirurgia são totalmente explícitas.

 

LIVROS

Paisagens da Memória, de Ruth Klüger (tradução de Irene Aron; 34; 256 páginas; 44 reais) – No início dessa autobiografia, Ruth lembra dos sussurros trocados entre seus parentes, quando ela era criança, em Viena. Mas os adultos não baixavam a voz para falar de sexo, como ocorre em circunstâncias normais, e sim de morte. A Áustria foi anexada pela Alemanha nazista em 1938, quando a autora tinha 7 anos, e famílias judias como os Klüger já temiam o que estava por vir. Ruth e sua mãe foram deportadas para campos de concentração em 1942. Paisagens da Memória é um pungente relato de sua sobrevivência nesses anos – e de sua capacidade de refazer a vida, depois da guerra, nos Estados Unidos, onde foi professora de alemão em Princeton, entre outras universidades.

Paciente 67, de Dennis Lehane (tradução de Luciano Machado; Companhia das Letras; 344 páginas; 42 reais) – Um dos mais consagrados autores policiais da atualidade, o americano Dennis Lehane, de Sobre Meninos e Lobos, fez sua fama com livros ambientados nos subúrbios violentos de Boston, cidade onde mora. Esse novo romance, porém, se vale de um cenário claustrofóbico para compor um ótimo thriller psicológico. A história se passa num asilo para doentes mentais criminosos, em uma ilha na costa de Massachusetts. Teddy Daniels e Chuck Aule, os policiais escalados para investigar o caso de uma assassina que fugiu da instituição, têm de enfrentar a resistência da administração do asilo, aparentemente envolvida em estranhas experiências médicas. Leia trecho.

O Caçador de Pipas, de Khaled Hosseini (tradução de Maria Helena Rouanet; Nova Fronteira; 366 páginas; 34,90 reais) – Com 2 milhões de livros vendidos nos Estados Unidos, o romance de estréia de Khaled Hosseini é uma poderosa crônica da vida no Afeganistão, dos anos 70, antes da invasão soviética, até a ditadura fundamentalista do Talibã. A história é narrada por Amir, um afegão radicado nos Estados Unidos (tal como o autor, que é médico na Califórnia). Na infância, em Cabul, ele testemunha o estupro de um amigo – Hassan, um menino pobre, filho de um servo – e não faz nada para ajudá-lo. Atormentado por essa culpa antiga, Amir decide viajar de volta ao Afeganistão dominado pelos fanáticos barbudos do Talibã, para reencontrar Hassan. Leia trecho.

 

DISCO

 
Cullum: um jazz muito pop  

Catching Tales, Jamie Cullum (Universal) – O cantor e pianista inglês de 26 anos é o novo fenômeno do jazz. Seu disco Twentysomething (2003) vendeu 2 milhões de cópias no mundo inteiro, tornando-se um dos álbuns de estréia mais bem-sucedidos do gênero. A exemplo de cantoras como Diana Krall e Norah Jones, Cullum dilui o jazz em doses generosas de música pop. A diferença é que seu talento ao piano é superior ao de Diana e Norah. Catching Tales tem repertório próprio, em parcerias com produtores de artistas como Gorillaz e Robbie Williams. O resultado é um álbum voltado para os ritmos dançantes, como mostra Get Your Eyes, faixa que bebe do funk. Outro destaque é London Skies, que tem influência do rock inglês dos anos 90.

 

 

Da nossa equipe

A poesia do mineiro Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) é um espelho do Brasil entre os anos 30 e 60. "No futuro, quem quiser conhecer o geist brasileiro, pelo menos de entre 1930 e 1945, terá que recorrer muito mais a Drummond que a certos historiadores, sociólogos, antropólogos e 'filósofos' nossos", já notava o poeta Mário Faustino. Em Drummond Cordial (Nankin; 240 páginas; 25 reais), Jerônimo Teixeira, repórter de VEJA, acrescenta uma perspectiva original a essa idéia. O livro, resultado de sua dissertação de mestrado em letras, estabelece uma ponte entre a vida e obra do poeta e o conceito de "homem cordial" descrito por Sérgio Buarque de Holanda no clássico Raízes do Brasil (1936). Fruto da sociedade patriarcal, o "homem cordial" de que fala o historiador norteia sua conduta pelo apego às relações de amizade – o que estaria na origem de uma sociedade na qual os interesses privados se sobrepõem à esfera pública. Embora o Brasil rural tenha começado a ruir com a Revolução de 30, o país moderno teria de conviver com esse traço persistente no caráter nacional. A obra do poeta, demonstra Drummond Cordial, ilustra essa contradição: nela, coabitam um autor moderno e outro que se apega aos valores tradicionais. "A poesia soube refinar a matéria bruta da biografia, retirando dos sucessos banais de um filho de fazendeiro que se tornou funcionário público as contradições de toda uma era", escreve Teixeira. Leia trecho.

Marcelo Marthe

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Siciliano, Nobel, Fnac; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano, Travessa, Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Siciliano, Cultura; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano, Cultura; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano, Livrarias Catarinense; Goiânia: Siciliano, Saraiva, Leitura; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Vitória: Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Saraiva, Sodiler, Nobel, Fnac, Siciliano, Submarino.

 
 
 
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