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Lula vive se vangloriando de que veio
do nada. Será que veio? |
Divagar e sempre
Meio cheia, meio vazia
Lula jamais vai entender que
semi-árido é o mesmo que semi-úmido.
Neném clássico
"Treino é treino, jogo
é jogo." Neném Prancha
História Istória
Brizola, o Merlim do populismo,
lembram dele?, depois de profundas meditações numa
praia deserta da restinga da Maracutaia, subiu a um palanque e,
assistido por uma heróica galera, transformou Lula num sapo
barbudo. E Lula ficou esperando o beijo da princesa Urna, que o
levaria ao trono, retransformado num condottiere. O beijo
não veio enquanto Brizola vivia. Mas lendas se formaram.
Em certas noites do ABC, quando a lua cheia subia por trás
das chaminés da rica indústria paulista, ouvidos sensíveis,
ouvindo o coaxar da alma em crise, com beijos e carícias
inesperadas, botaram o sapo, com barba e tudo, voando pelos céus,
por todo o alhures e alguns algures. E lá está Lula,
aos saltos e coaxos desesperados, evitando a volta ao torno, o nenhures.
Preconceito!
Preconceito! Preconceito! Preconceito!
Porque veio do Nordeste, diz Severino, querem tirá-lo do
cargo mais gratificante que já teve.
Proustiana
Lá vinha eu, menino, no
frio da madrugada, às vezes debaixo de uma chuva fina que
me perseguia no escuro, depois de um dia de trabalho das 8 da manhã
às 6 da noite e de mais quatro horas do colégio noturno,
Liceu de Artes e Ofícios. Minha rotina era acordar
antes das 6 e ir dormir, quando cedo, à meia-noite. Piscina.
É assim que me chamava. Pois ao chegar em casa só
dava tempo de bater com a mão na parede e voltar ao trabalho.
Eu descia do bonde no Largo dos
Pilares, andava quilômetro e meio pela Avenida João
Ribeiro, luz pouca, escuridão de breu, passava a estação
de Terra Nova, hoje desaparecida, e, na mesma avenida, em
frente ao Morro do Urubu, entrava em casa. Nenhum medo a
não ser um susto ocasional quando um cavalo, ele mais assustado
do que eu com o ruído dos meus passos no silêncio da
madrugada, botava a cabeça sobre um muro e relinchava alto.
Inúmeras vezes subi o
Morro do Urubu (pra nós, meninos, dos Urubus) em busca
de modestas aventuras. Mas o que havia eram uns poucos casebres,
pobreza mal pressentida, era assim que era. E paz, que só
conhecemos quando a perdemos. E o que não havia era essa
enfiada de quadrilhas de traficantes ferozes, guerreando outros
não menos ferozes, nem bravos policiais liberando moradores
com balas perdidas. Li hoje nos jornais.
Revisitando Nelson Rodrigues
O BOCA DE OURO
Foto de Sergio Marques
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BOCA DE OURO Que tal, doutor?
DENTISTA Rapaz,
nunca vi, em toda a minha vida, uma boca tão perfeita! Dentes
de artista de
cinema!
BOCA Sabe que quando
ouço falar em dor de dente eu fico besta? Nunca tive esse
troço!
DENTISTA Lógico.
BOCA Pois é,
doutor, agora eu queria um servicinho seu. Caprichado, doutor!
DENTISTA Capricha
em quê?
BOCA O senhor vai
mexer, vai tirar tudo. Tudo, doutor!
DENTISTA Tirar
esses dentes? Nunca!
BOCA O senhor vai
tirar, sim, doutor, vai tirar! Vai arrancar todos os dentes. Porque
eu quero uma dentadura de ouro!
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