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Diogo
Mainardi
Yakisoba na linha
"O melhor aspecto de participar de uma
conspiração contra o governo são os
telefonemas. Fazemos questão
de falar
em código, como se o lado de lá pudesse
ter interesse em grampear nossas conversas"
Tenho falado com muita gente.
Um monte de golpistas. Um monte de informantes que prometem me apontar
o caminho para derrubar o governo, entregando-me documentos comprometedores
sobre a camarilha do PT. O melhor aspecto de participar de uma conspiração
contra o governo são os telefonemas. Fazemos questão
de falar em código, como se o lado de lá pudesse ter
interesse em grampear nossas conversas.
Estou para receber as
reservas de hotel.
Quando?
Segunda-feira.
O quarto tem vista para o mar ou para
os fundos?
Para o mar.
Quantas estrelas tem o hotel?
Quatro.
Tem reserva para a suíte presidencial?
Claro.
Qual é a especialidade culinária
do restaurante?
Yakisoba.
De vez em quando, os códigos criam
mal-entendidos.
A bananeira deu frutos.
Tem banana-nanica?
Um monte.
Tem banana-prata?
Depende de quem a gente quer chamar
de banana-prata.
Banana-prata é aquele que vem
logo abaixo do banana-ouro.
Quem é o banana-ouro?
O bananão-mor, o bananão
supremo, o bananão dos bananões.
Lula?
É.
O bananão dos bananões
ainda não está maduro.
Quando ele cai?
Daqui a duas semanas.
Até agora, minha maior contribuição
para a derrubada do governo foram os artigos das duas últimas
semanas, em que contei a origem do "mensalão". O primeiro
artigo foi construído inteiramente a partir de deduções.
Dei uma finalidade a todas aquelas horas que perdi lendo Rex Stout.
Sem sair de casa, sedentário e gordo como Nero Wolfe, encontrei
a pista certa para resolver o mistério. O segundo artigo
da série, publicado na semana passada, foi uma combinação
entre dedução e apuração. Meio a meio.
Entrou em ação meu lado Archie Goodwin. Nesta semana,
finalmente, preparei-me para revelar o nome do assassino. Reuni
todos os suspeitos na sala de estar e, sentado na poltrona, comecei
a apresentar o resultado de minha genial investigação.
Só que apareceu um problema. Recebi um telefonema urgente
de um colega conspirador:
Lua cheia no dia 22 de setembro.
Tem certeza?
Absoluta.
E o que eu faço agora?
Eclipse total.
Fui obrigado a interromper o artigo-bomba
que estava escrevendo e começar este aqui, no estilo basbaque
de Luis Fernando Verissimo. Sinto muito. Não posso derrubar
o Lula nesta semana. Prometo derrubar na próxima.
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