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Clássicos
de ouro
Ao oferecer livros de qualidade a
preço baixo, a coleção Obras-Primas
democratiza a cultura
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| Franz
Kafka, Camões, Shakespeare, Balzac e Jane Austen, alguns dos grandes
autores presentes na coleção: venda em bancas de jornal, por 9,90
reais |

Veja também |
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Desde
a semana passada, uma das mais bem-sucedidas iniciativas editoriais do
país está de volta ao mercado. É a coleção
Obras-Primas, reedição de um grande sucesso criado em 1978
pela Abril Cultural. Publicada agora pela Nova Cultural, com patrocínio
da companhia de papel Suzano, a série, em sua versão 2002,
compõe-se de quarenta clássicos da literatura universal,
em capa dura, que serão vendidos exclusivamente em bancas de jornal,
a um preço bem mais em conta do que se pagaria pelos seus similares
de livraria. Na década de 70, a coleção atingiu a
vendagem total de 4,5 milhões de exemplares e teve um papel importante:
por meio dela, muita gente tomou contato pela primeira vez com autores
da envergadura do russo Fiódor Dostoiévski, do francês
Honoré de Balzac, do alemão Thomas Mann e do americano Herman
Melville, entre outros. Engana-se quem imaginar que, nos dias de hoje,
uma iniciativa desse tipo não tenha a mesma relevância. Do
ponto de vista da difusão da leitura, o país ainda enfrenta
alguns dos percalços de trinta anos atrás. Basta dizer que
apenas um terço das cerca de 5.500 cidades brasileiras tem livraria,
um empecilho e tanto para o leitor em potencial.
Ao
oferecer semanalmente cada título por apenas 9,90 reais e valer-se
da distribuição capilar proporcionada pelas bancas, uma
coleção como Obras-Primas é uma forma eficiente de
democratizar o acesso à cultura. Prova disso é que em apenas
dois dias venderam-se 70% dos 60.000 exemplares disponíveis de
seu primeiro título Dom Quixote, do espanhol Miguel
de Cervantes. Nesta semana chega às bancas o segundo livro, Os
Trabalhadores do Mar, de Victor Hugo, numa clássica tradução
de Machado de Assis. Para além do preço baixo e da facilidade
de encontrar os lançamentos, o que vem garantindo o sucesso da
coleção desde sua origem é o cuidado que a cerca.
Cada obra apresenta uma capa e um tamanho diferentes, com inscrições
em dourado ou seja, o preço é baixo, mas o livro
não tem aquele jeito de mercadoria vendida a metro. "O interessante
dessa coleção é que ela preserva a aura das obras.
Os novos leitores sentem que têm um objeto importante nas mãos,
e isso os estimula", elogia a professora Marisa Lajolo, da Universidade
Estadual de Campinas, uma das mais respeitadas estudiosas de história
da leitura.
Para o relançamento da coleção, oito das antigas
traduções foram refeitas e os títulos passaram pelo
crivo de trinta especialistas. Outro dado: cada volume é acompanhado
por um suplemento com a biografia do autor e comentários sobre
sua obra. Por enquanto, a série será distribuída
apenas nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito
Santo, além das cidades de Florianópolis e Fortaleza. A
partir do começo do ano que vem, deverá chegar às
bancas do restante do Brasil.
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