
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
 |
 |
| (conteúdo
exclusivo para assinantes VEJA ou UOL) |
 |
Crie
seu grupo

|
|
Um Brasil sem
nuvens negras
por cima
Pesquisa
do Ibope com formadores
de opinião estrangeiros mostra que
a imagem do Brasil lá fora é melhor
do que se imagina

Roseli Loturco

Veja também |
|
|
|
Em meio à
tempestade especulativa e de más intenções contra
o Brasil vinda de fora, é com certo alívio que se lêem
os resultados de uma pesquisa feita pelo Ibope com 592 formadores de opinião
no Japão, Estados Unidos, Alemanha, Itália e Argentina.
Segundo o levantamento, o Brasil de hoje é financeiramente estável,
tem um parque industrial sólido e desenvolvido e uma economia robusta.
Mesmo a chaga histórica da sociedade brasileira, a má distribuição
de renda, é captada pela pesquisa como um problema que está
sendo resolvido. "Apesar de nossas deficiências, a percepção
geral que se tem do Brasil lá fora é muito positiva, o que
explica o volume de investimentos que recebemos anualmente do mundo todo",
diz Antônio Bornia, vice-presidente do Bradesco. Em momentos de
fragilidade no mercado financeiro, com a volatilidade do dólar
e a queda nas bolsas como as que o Brasil está enfrentando, essa
imagem fica temporariamente abalada. "Para avaliar o país com justiça,
no entanto, é preciso considerar o trabalho sólido desenvolvido
nos últimos anos", diz Bornia.
A pesquisa
do Ibope, realizada no mês passado, mostra com clareza que o clima
adverso das últimas semanas ainda não afetou a imagem de
longo prazo firmada pelo Brasil no exterior. Quando comparado aos vizinhos
latino-americanos, o Brasil é o país mais lembrado espontaneamente
pelos entrevistados. Nesse quesito, os americanos colocam o Brasil à
frente do próprio México, país com o qual os Estados
Unidos mantêm intensa atividade econômica e compartilham de
uma privilegiada fronteira territorial. Embora a agricultura moderna tenha
sido nos últimos anos a locomotiva da economia brasileira, é
a indústria que projeta no exterior uma imagem de supremacia. Para
44% dos entrevistados, o setor industrial é a principal atividade
econômica nacional. "O Brasil de hoje é referência
mundial nos setores de aviação, celulose, siderurgia e alumínio",
diz o empresário Jorge Gerdau Johannpeter, que preside um dos maiores
grupos siderúrgicos do país e, na semana passada, ganhou
destaque no ranking mundial ao se associar à canadense Co-Steel.
Se ainda
se preocupa como sua biografia entrará para a história do
Brasil, Fernando Henrique Cardoso pode ficar tranqüilo quanto à
imagem que projeta no exterior. A pesquisa mostra que, para 39% dos entrevistados,
FHC é um presidente cujo desempenho foi classificado como ótimo
e bom. Quando os pesquisadores perguntaram aos entrevistados estrangeiros
como eles posicionariam o Brasil entre as economias emergentes do mundo,
ficou claro que a pouca expressão das exportações
brasileiras no comércio mundial ajudou a moldar as opiniões.
Para os entrevistados, o Brasil é um país cuja economia
perde para a da Coréia do Sul, da China, do Chile e do México.
"A resposta é compreensível. Mais de 60% do PIB da Coréia
do Sul se origina no comércio exterior", diz Mailson da Nóbrega,
ex-ministro da Fazenda. No Brasil, aquele indicador econômico não
chega a 20% do PIB.
Embora viva
uma democracia plena há pelo menos doze anos, o Brasil ainda é
visto pelos estrangeiros como um país com ambiente político
pouco estável. Ele aparece em quinto lugar no quesito "estabilidade
política", atrás de uma ditadura comunista a chinesa
, da Coréia do Sul, do México e do Chile. Uma das
revelações mais interessantes da pesquisa contraria uma
concepção disseminada no Brasil, a de que só circulam
notícias ruins sobre o país lá fora. Para os entrevistados,
56% das notícias que lêem sobre o Brasil exaltam as qualidades
do país e de seu povo. Um dos maiores geradores de notícias
positivas sobre o Brasil são suas empresas com forte atuação
nos mercados estrangeiros. É o caso da Petrobras, que na pesquisa
lidera a lista das companhias brasileiras mais conhecidas dos entrevistados.
Varig, Embraer, Companhia Siderúrgica Nacional, Hering e Sadia
são outras líderes de exposição positiva no
exterior. O Brasil fica atrás da Coréia do Sul, da China
e do Chile na percepção dos estrangeiros ouvidos pela pesquisa
sobre o grau de justiça social do país. Para 15% dos entrevistados,
porém, mesmo sendo ainda uma sociedade de riqueza altamente concentrada,
o Brasil conseguiu melhorar sua distribuição de renda. Apesar
de algumas máculas, a pesquisa mostra com clareza que o Brasil
real é mais atraente e firme que aquele país virtual crivado
de perigos que aparece atualmente no radar do mercado financeiro internacional.
|
|
 |