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Edição 1 765 - 21 de agosto de 2002
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40 quilos a menos até agora

O balão que ajuda o deputado Rafael
Greca (e outros tantos) a perder peso
sem cirurgia e sem fome

Monica Weinberg

 
Fotos Joel Rocha
Greca: somadas as dietas que fez na vida, já perdeu mais
de 160 quilos
Nome: Rafael Greca
Idade: 46 anos
Altura: 1,85 metro
Peso antes de colocar o balão: 167 quilos (em março de 2002)
Peso atual: 127 quilos
Peso ideal: 85 quilos¹
Objetivo de Greca: não tem. "Se chegar a 100, tá bom"
IMC² antes: 49
IMC agora: 37
IMC ideal: entre 20 e 25
Há quanto tempo usa o balão: seis meses
Período de adaptação: duas semanas, uma à base de líquidos e outra com "horríveis papinhas de neném"
Reação no apetite: fome reduzida. Não consegue comer mais um bife inteiro
Dieta atual: alimentos pouco calóricos e porções pequenas de tudo
Restrição: tomar refrigerante, porque o gás o incomoda
Motivo de orgulho: os sapatos ficaram largos e o pulso ganhou forma
(1) Peso-padrão para pessoas da mesma altura de Greca
(2) IMC, ou índice de massa corporal, corresponde ao peso dividido pela altura ao quadrado

O deputado Rafael Greca é um perito em dietas. Passou tempos à base de cardápios minguados em calorias, outras vezes recorreu à dieta dos pontos, aquela que divide os alimentos em grupos e permite uma mistura balanceada dos itens. Chegou a embarcar na receita do doutor Atkins, que restringe o consumo de carboidratos e perdeu a conta de quantas vezes se internou num spa. Somando os vários regimes, calcula que se tenha livrado de mais de 160 quilos nos últimos vinte anos. Em março deste ano, decidiu recorrer ao balão – e já perdeu 40 quilos. O publicitário Nizan Guanaes também anda em paz com a balança. Acostumado a ganhar até 30 quilos durante uma campanha eleitoral, o marqueteiro do PSDB conseguiu ficar 20 quilos mais leve nos últimos dois meses – também graças ao balão. O banqueteiro Toninho Mariutti, que comia uma caixa de 48 bombons na sobremesa, diz que seu velho apetite sumiu. "Passei a comer como aquelas senhoras chiques com silhueta de palito", comemora Mariutti. O peso despencou de 130 para 108 quilos. Também com a ajuda do balão.



A bola de silicone ocupa cerca de 50% da área do estômago e reduz a fome: colocação simples feita por endoscopia

O tal balão é uma bola de silicone que é colocada vazia no interior do estômago por meio de endoscopia, através da boca. Depois, com a ajuda de uma cânula, é preenchido com o inofensivo soro fisiológico – tudo sem necessidade de anestesia geral ou cortes. Todo o processo dura apenas vinte minutos. Cheio, o balão ocupa cerca de 50% do volume do estômago e dá às pessoas a sensação de saciedade com metade da quantidade de comida que ingeriam antes. Daí a razão de seu sucesso. No primeiro semestre deste ano, a procura pelo balão nos consultórios especializados aumentou na casa de 30% em relação ao mesmo período do ano passado. E ninguém reclama quando descobre quanto os médicos estão cobrando para sua colocação: em média 8.000 reais.

Nos primeiros dias de balão, muitos pacientes sentem enjôo e vomitam. Na fase de adaptação passam uma semana à base de líquidos e outro período obrigados a ingerir alimentos pastosos. Complicações são raras. A ciência calcula os riscos do balão em 1%. Pode acontecer, por exemplo, de o balão estourar. Quando isso acontece, o azul de metileno misturado ao soro fisiológico delata o vazamento na urina. Como fica em contato direto com a mucosa do estômago, o balão pode ainda contribuir para o aparecimento de úlcera e gastrite. Por essa razão, os médicos recomendam que ele permaneça no estômago por apenas seis meses. O balão intragástrico, como é conhecido pela ciência, tem cativado seus usuários porque é a mais simples e menos invasiva de todas as técnicas mais agressivas usadas nos casos de gordura excessiva. Ao contrário de outros métodos, como a cirurgia de redução do estômago, o balão não cria nenhuma barreira para a ingestão de qualquer tipo de alimento.

Os especialistas advertem que a técnica não faz milagres. O efeito só será completo se o portador colocar um freio na alimentação. Um exemplo: aquele gordo empedernido pode tentar "driblar" o balão comendo menos na quantidade, mas ingerindo alimentos mais calóricos. Mesmo com o balão, com boa disposição, dá para comer um pote inteiro de sorvete – e com ele ingerir 1.700 calorias. No princípio de seu tratamento, o ex-ministro Rafael Greca meteu-se em uma dieta tão radical que secou 23 quilos em apenas quarenta dias. Já desacelerou. "Não preciso ficar nenhum Paulo Zulu. Só quero me sentir mais livre e leve", sonha Greca.

 

Hormônio contra a fome

Maurício Nahas

Deu na Nature: hormônio fez com que pessoas comessem um terço do que comiam antes


Até bem pouco tempo atrás, a ciência prestava pouca atenção a um hormônio chamado PYY, presente no pâncreas. Estudos recentes, realizados nos Estados Unidos e na Inglaterra, mostram que o uso desse hormônio pode funcionar como um potente inibidor de apetite, reduzindo a vontade que muita gente tem de comer entre as refeições. Em uma experiência recente, relatada pela revista Nature, um grupo de voluntários foi injetado com o PYY. O resultado mostra que as pessoas passaram a consumir um terço do total de calorias que comiam antes. Pode ser uma notícia e tanto para quem luta contra a balança.

A descoberta é notável, mas a ciência ainda precisa responder algumas questões básicas. Uma delas é a viabilidade de se fabricar uma pílula resistente aos ácidos produzidos pelo estômago. É preciso ainda estudar os efeitos do uso constante do hormônio PYY para verificar se a substância pode ou não prejudicar a saúde. Por enquanto, o antes desconhecido PYY já ganhou o apelido de "hormônio da saciedade".



   
 
   
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