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40 quilos a menos
até agora
O balão
que ajuda o deputado Rafael
Greca (e outros tantos) a perder peso
sem cirurgia e sem fome
Monica Weinberg
Fotos Joel Rocha
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Greca:
somadas as dietas que fez na vida, já perdeu mais
de 160 quilos |
Nome:
Rafael Greca
Idade: 46 anos
Altura: 1,85 metro
Peso antes de colocar o balão: 167 quilos (em março
de 2002)
Peso atual: 127 quilos
Peso ideal: 85 quilos¹
Objetivo de Greca: não tem. "Se chegar a 100, tá
bom"
IMC² antes: 49
IMC agora: 37
IMC ideal: entre 20 e 25
Há quanto tempo usa o balão: seis meses
Período de adaptação: duas semanas, uma
à base de líquidos e outra com "horríveis
papinhas de neném"
Reação no apetite: fome reduzida. Não
consegue comer mais um bife inteiro
Dieta atual: alimentos pouco calóricos e porções
pequenas de tudo
Restrição: tomar refrigerante, porque o gás
o incomoda
Motivo de orgulho: os sapatos ficaram largos e o pulso ganhou
forma
(1)
Peso-padrão para pessoas da mesma altura de Greca
(2) IMC, ou índice de massa corporal, corresponde ao peso dividido
pela altura ao quadrado |
O deputado
Rafael Greca é um perito em dietas. Passou tempos à base
de cardápios minguados em calorias, outras vezes recorreu à
dieta dos pontos, aquela que divide os alimentos em grupos e permite uma
mistura balanceada dos itens. Chegou a embarcar na receita do doutor Atkins,
que restringe o consumo de carboidratos e perdeu a conta de quantas vezes
se internou num spa. Somando os vários regimes, calcula que se
tenha livrado de mais de 160 quilos nos últimos vinte anos. Em
março deste ano, decidiu recorrer ao balão e já
perdeu 40 quilos. O publicitário Nizan Guanaes também anda
em paz com a balança. Acostumado a ganhar até 30 quilos
durante uma campanha eleitoral, o marqueteiro do PSDB conseguiu ficar
20 quilos mais leve nos últimos dois meses também
graças ao balão. O banqueteiro Toninho Mariutti, que comia
uma caixa de 48 bombons na sobremesa, diz que seu velho apetite sumiu.
"Passei a comer como aquelas senhoras chiques com silhueta de palito",
comemora Mariutti. O peso despencou de 130 para 108 quilos. Também
com a ajuda do balão.

A bola
de silicone ocupa cerca de 50% da área do estômago e
reduz a fome: colocação simples feita por endoscopia
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O tal balão
é uma bola de silicone que é colocada vazia no interior
do estômago por meio de endoscopia, através da boca. Depois,
com a ajuda de uma cânula, é preenchido com o inofensivo
soro fisiológico tudo sem necessidade de anestesia geral
ou cortes. Todo o processo dura apenas vinte minutos. Cheio, o balão
ocupa cerca de 50% do volume do estômago e dá às pessoas
a sensação de saciedade com metade da quantidade de comida
que ingeriam antes. Daí a razão de seu sucesso. No primeiro
semestre deste ano, a procura pelo balão nos consultórios
especializados aumentou na casa de 30% em relação ao mesmo
período do ano passado. E ninguém reclama quando descobre
quanto os médicos estão cobrando para sua colocação:
em média 8.000 reais.
Nos primeiros
dias de balão, muitos pacientes sentem enjôo e vomitam. Na
fase de adaptação passam uma semana à base de líquidos
e outro período obrigados a ingerir alimentos pastosos. Complicações
são raras. A ciência calcula os riscos do balão em
1%. Pode acontecer, por exemplo, de o balão estourar. Quando isso
acontece, o azul de metileno misturado ao soro fisiológico delata
o vazamento na urina. Como fica em contato direto com a mucosa do estômago,
o balão pode ainda contribuir para o aparecimento de úlcera
e gastrite. Por essa razão, os médicos recomendam que ele
permaneça no estômago por apenas seis meses. O balão
intragástrico, como é conhecido pela ciência, tem
cativado seus usuários porque é a mais simples e menos invasiva
de todas as técnicas mais agressivas usadas nos casos de gordura
excessiva. Ao contrário de outros métodos, como a cirurgia
de redução do estômago, o balão não
cria nenhuma barreira para a ingestão de qualquer tipo de alimento.
Os especialistas
advertem que a técnica não faz milagres. O efeito só
será completo se o portador colocar um freio na alimentação.
Um exemplo: aquele gordo empedernido pode tentar "driblar" o balão
comendo menos na quantidade, mas ingerindo alimentos mais calóricos.
Mesmo com o balão, com boa disposição, dá
para comer um pote inteiro de sorvete e com ele ingerir 1.700
calorias. No princípio de seu tratamento, o ex-ministro Rafael
Greca meteu-se em uma dieta tão radical que secou 23 quilos em
apenas quarenta dias. Já desacelerou. "Não preciso ficar
nenhum Paulo Zulu. Só quero me sentir mais livre e leve", sonha
Greca.
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Hormônio
contra a fome
Maurício Nahas

Deu
na Nature: hormônio fez com que pessoas comessem um terço
do que comiam antes |
Até bem pouco tempo atrás, a ciência prestava
pouca atenção a um hormônio chamado PYY, presente
no pâncreas. Estudos recentes, realizados nos Estados Unidos
e na Inglaterra, mostram que o uso desse hormônio pode funcionar
como um potente inibidor de apetite, reduzindo a vontade que muita
gente tem de comer entre as refeições. Em uma experiência
recente, relatada pela revista Nature, um grupo de voluntários
foi injetado com o PYY. O resultado mostra que as pessoas passaram
a consumir um terço do total de calorias que comiam antes.
Pode ser uma notícia e tanto para quem luta contra a balança.
A
descoberta é notável, mas a ciência ainda precisa
responder algumas questões básicas. Uma delas é
a viabilidade de se fabricar uma pílula resistente aos ácidos
produzidos pelo estômago. É preciso ainda estudar os
efeitos do uso constante do hormônio PYY para verificar se
a substância pode ou não prejudicar a saúde.
Por enquanto, o antes desconhecido PYY já ganhou o apelido
de "hormônio da saciedade".
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