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Estudar
para quê?
"Lula
foi mais clarividente
do que
eu. Larguei os
estudos no 2º ano
da universidade, enquanto
ele só
concluiu
o curso
primário"
Lula
aderiu ao positivismo. Foi o que ele confessou numa entrevista recente.
Cito-o: "Estou numa campanha positivista". O Brasil já teve vários
governos de inspiração positivista, todos eles malogrados,
do Estado Novo de Getúlio Vargas à ditadura militar de 1964.
O maior positivista brasileiro foi Benjamin Constant. Teve um papel de
primeiro plano na Proclamação da República e se tornou
ministro da Instrução Pública do novo regime. Sua
principal realização foi uma reforma educacional que pretendia
universalizar o ensino secundário no país. Ele acreditava
que o estudo era o único caminho para o progresso da humanidade.
Ou seja, exatamente o contrário do que representa Lula. Quando
alguém o acusa de ter estudado pouco, Lula sempre responde que
outros ilustres brasileiros também não estudaram. Concordo
com ele. Escola não serve para nada. A importância do ensino
para o avanço social é uma mistificação que
deve ser combatida. Eu nunca gostei de estudar. Entre um estudante pernóstico
como Benjamin Constant e um estudante relapso como Lula, prefiro Lula.
Ele foi muito mais clarividente do que eu. Larguei os estudos no 2º
ano da universidade, enquanto ele só concluiu o curso primário.
Conta com toda a minha admiração e todo o meu apoio. A única
coisa que não entendo é como esse seu saudável menosprezo
pela educação pode se conciliar com o positivismo.
Muita gente compara Ciro Gomes a Fernando Collor de Mello. É uma
injustiça. Eu diria que Ciro Gomes é mais parecido com Rosane
Collor. Nos últimos 100 anos, a família de Rosane Collor
dominou a política de Canapi, no sertão de Alagoas, mais
ou menos como a família de Ciro Gomes dominou a de Sobral, no sertão
do Ceará. Seu bisavô, seu avô, seu pai e seu irmão
foram prefeitos da cidade, sem contar todos os outros parentes que se
alternaram no cargo. Se eleito, Ciro Gomes poderá usar a experiência
de sua família para transformar o Brasil numa imensa Sobral. É
uma perspectiva bastante animadora. Depois de um século de governo
da família Gomes, Sobral pode dispor de 0,85 leito hospitalar para
cada 1.000 habitantes e 79% dos chefes de família apresentam rendimentos
mensais de até dois salários mínimos. Em compensação,
a cidade tem uma rica vida cultural, com um cinema para 150.000 habitantes,
e eventos prestigiosos como o lançamento do livro Ciro Gomes
por Excelência e o espetáculo de Cláudio Zoli
para comemorar o Dia dos Namorados, no Largo das Dores.
Para suprir a falta de carisma, José Serra tenta projetar uma imagem
de seriedade e competência. Nisso ele tem sido ajudado pelos articuladores
de sua campanha, que, nos últimos dias, conseguiram angariar o
apoio de gente de alto gabarito intelectual, como Gugu Liberato, Dona
Jura e Glória Perez. Segundo o site do candidato, o publicitário
Nizan Guanaes prometeu que "ainda vai tirar outras surpresas de seu baú
de dragão da criatividade". Ninguém segura Serra.
Anthony Garotinho afirmou que, antes de agir, sempre pensa no que Cristo
faria em seu lugar. Em certos casos, Cristo fazia milagres. Não
sei se Garotinho possui os mesmos poderes milagrosos de Cristo. Se possui,
eu gostaria que ele ressuscitasse Machado de Assis. O único problema
é que, sendo muito reacionário, Machado de Assis logo se
filiaria ao PFL. É o retrato do Brasil, no passado, no presente
e no futuro: maus políticos e maus eleitores.
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