Crime

O preço do crime

Pesquisa mostra que o Brasil gasta até
55 bilhões de dólares com violência

Consuelo Dieguez

Antonio Ermel/Folha Imagem

Chacina no Rio: o BID afirma
que esse tipo de crime afasta
o investidor estrangeiro do país


O Banco Interamericano de Desenvolvimento, BID, concluiu uma pesquisa sobre o impacto financeiro da criminalidade na América Latina e escolheu os seis países mais violentos da região como base para o estudo. O Brasil infelizmente é um deles, e os dados são estarrecedores. Em 1997, o Brasil consumiu com internação e tratamento de vítimas da criminalidade o equivalente a 1,9% de seu produto interno bruto, ou 15 bilhões de dólares. Isso significa que, de cada 4 dólares gastos com saúde, 1 foi desembolsado com pessoas que sofreram alguma agressão física. Esse é o valor que o país despende todos os anos para tentar salvar os feridos na guerra contra os marginais. De acordo com o levantamento, o custo da violência no Brasil fica maior quando se somam os gastos com polícia, segurança privada, prisões e tribunais. Nesse caso, a despesa chega a assombrosos 55 bilhões de dólares. É uma montanha de dinheiro que poderia ser empregada de forma mais produtiva.

 

Além do Brasil, os cinco países mais violentos da América Latina escolhidos pelo BID são Colômbia, El Salvador, México, Peru e Venezuela. Em todos eles as conclusões são tristes. A Colômbia, que vive em permanente estado de guerra civil, é o país que mais gasta com a violência. Calcula-se que enterre até 25% de seu PIB na guerra contra o crime. O índice de violência desses países quase dobrou nos últimos dez anos, o que torna a região a segunda mais sangrenta do planeta, atrás apenas da África. O BID constatou também que os altos índices de criminalidade têm desestimulado os investimentos estrangeiros no Brasil. Isso porque as empresas precisam adicionar um novo custo para se instalar no país: os gastos com segurança. Só um exemplo: o BankBoston gasta 3% de suas despesas anuais no Brasil em prevenção contra a criminalidade. Na Argentina, essa parcela não chega a 1%. Nem todas as empresas estão dispostas a pagar mais para abrir filial por aqui.

 

Acharam cocaína no sangue

O Laboratório de Análises Toxicológicas da Universidade de São Paulo fez um estudo de resultados assombrosos em cadáveres de pessoas que tiveram morte violenta. Pelo menos 60% das vítimas apresentavam vestígios de cocaína. Os dados não foram divulgados com estardalhaço porque o trabalho é preliminar, tem como base 45 cadáveres, e será repetido com uma amostragem mais ampla. Mas, somando-se a outra pesquisa divulgada recentemente, que mostra que 70% das mortes por arma de fogo ocorrem sob influência de bebida, chega-se a uma triste conclusão: a cadeia de mortes provocadas por álcool e drogas é maior do que se imaginava.

As vítimas dessa ciranda são os jovens. A morte violenta é constatada na maioria dos óbitos das pessoas entre 15 e 24 anos. É razoável que seja assim, já que pessoas dessa idade em geral não sofrem das doenças que atingem os mais velhos. O que os mata é a irresponsabilidade e a violência. É a briga no bar, o excesso de velocidade no trânsito, a ausência de limites. O lado bom dessa tragédia, se é que se pode falar assim do álcool e das drogas, é que existe uma saída para o vício. O mesmo não se pode dizer da Aids ou de alguns tipos de câncer.

 

 
 

 




Copyright © 1999, Abril S.A.

Abril On-Line