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Especial
10 regras fáceis para
educar seus anjinhos
Equilíbrio entre a ciência e o bom
senso,
essa é a fórmula para ajudar os pais a
criar filhos mais preparados para a vida

Rosana Zakabi
Pedro Rubens
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O desafio de criar os filhos tornou-se uma
das áreas do comportamento humano mais exaustivamente pesquisadas.
Foram tantas e tão diversas as receitas surgidas ao longo
dos últimos anos que os pais, ao fim e ao cabo, ficaram desnorteados.
Afinal, o que funciona? Existem fórmulas que, se aplicadas
com critério, vão criar o ambiente favorável
para que os filhos se transformem em adultos emocionalmente equilibrados
e com chance de ser produtivos e felizes? O psicólogo Laurence
Steinberg, da Temple University, um dos profissionais mais conceituados
dos Estados Unidos, acredita ter encontrado um denominador comum
na quase infindável bateria de pesquisas e reflexões
sobre as relações entre pais e filhos. Em um esforço
extraordinário de síntese de meio século de
pesquisas comportamentais, Steinberg resumiu em dez princípios
básicos toda a gama de atitudes e reações que
os pais devem se condicionar a ter em relação aos
filhos. Apenas dez. Parece simples demais, mas por trás desse
enunciado ergue-se uma das mais consistentes propostas de educação
infantil surgidas nos últimos anos. As idéias de Steinberg
estão expostas em seu último livro, The 10 Basic
Principles of Good Parenting (Os Dez Princípios Básicos
para Educar os Filhos), lançado recentemente nos EUA, onde
se tornou imediato sucesso entre pais e especialistas.
Para compilar suas regras, o psicólogo
americano estudou praticamente todas as linhas de pesquisa sobre
educação de crianças e adolescentes produzidas
nos últimos cinqüenta anos. A conclusão básica
de Steinberg, a noção central que lhe deu a certeza
de ter encontrado a síntese ideal do relacionamento com os
filhos, vem do fato de que toda a ênfase é colocada
sobre a mudança de comportamento dos pais e não
das crianças. A segunda linha de raciocínio do psicólogo
americano, que também significa uma libertação
dos dogmas antigos, estabelece que educar os filhos, embora seja
uma missão cumprida mais com a força do amor e do
instinto, tem sólida base científica. Ela pode, portanto,
ser resumida em alguns princípios capazes de funcionar em
qualquer cultura e nos mais diversos ambientes familiares. "Alguns
pais têm melhores instintos que outros, mas todos podem ser
igualmente bons na tarefa de educar", disse Steinberg a VEJA.
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Claudio Rossi

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É
PRECISO FIRMEZA
"Não dá
para criar três meninas se você não
tiver firmeza no que diz, faz e pensa. Às vezes
é difícil manter nossas posições,
corta o coração ver as crianças chorando
por causa de coisas que elas querem e não podem
ter, mas precisa ser assim. Há coisas que devem
ser priorizadas em sua educação, e ensiná-las
até onde elas podem ir é uma delas."
Neusa Tahan Farina, dona de loja de roupas em São
Paulo, mãe de Maria Helena, 7 anos, Maria Regina,
5, e Maria Eduarda, de 7 meses |
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A idéia de reunir todo o conhecimento
científico em um manual tão exíguo, com apenas
uma dezena de itens, pode parecer uma temeridade. Afinal, não
existe nada mais complexo que as relações humanas,
e, dentro delas, a interação de pais e filhos é
um verdadeiro labirinto de charadas e significados. Essa constatação
não foi um empecilho para Steinberg. "O que fiz foi compilar
toneladas de estudos técnicos escritos em jargão científico
e reescrevê-los em uma linguagem acessível a todos",
explica Steinberg. "Ser um bom pai em dez lições parece
uma simplificação absurda de um tema complexo, mas
o professor Steinberg chegou bem próximo de descobrir princípios
universais que regem as relações entre pais e filhos",
diz James Bjork, presidente do Instituto Nacional de Estudos do
Alcoolismo, que fica em Bethesda, Maryland. "O trabalho dele é
a melhor combinação de filosofia com regras práticas
e fáceis de ser seguidas", comenta o americano.
Ele desprezou toda a literatura que ensina
como alimentar, vestir, estimular ou ensinar disciplinas escolares
às crianças. A razão para isso é simples.
Essas são justamente as questões que variam de lar
para lar e de cultura para cultura. Sua obsessão foi fixar-se
nos aspectos imutáveis da vida familiar. Por isso, de seu
trabalho resultou muito mais uma filosofia de vida familiar, uma
orientação geral do que seja criar um filho
e que funcione universalmente. "Meio século de estudos nos
permite dizer com boa dose de certeza o que funciona e o que não
funciona", disse Steinberg. Ele acredita que os dados científicos
mostram com clareza a relação de certos princípios
básicos com o desenvolvimento sadio das crianças na
família. As conclusões das pesquisas são tão
claras e consistentes que, segundo Steinberg, podem ser enunciadas
sem medo de erro na forma de regras simples e fáceis de ser
seguidas. Em sendo seguidas, o que elas produziriam? Essa talvez
seja a melhor parte do trabalho do pesquisador americano. Diz ele:
"Bons pais criam um ambiente familiar que favorece o equilíbrio
emocional e os elementos associados a ele". Quais são esses
elementos? Honestidade, empatia e a autoconfiança são
alguns. A gentileza e a alegria de viver são outros. Conclui
Steinberg: "A combinação disso tudo produz pessoas
com curiosidade intelectual, motivação para aprender,
se desenvolver e vontade de produzir e se socializar de forma sadia,
longe das drogas e do álcool".
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Jader da Rocha

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PARTICIPAÇÃO
ATIVA
"Acho muito importante
conversar com a Alessandra, tirar suas dúvidas
e saber tudo sobre o dia-a-dia dela. Também gosto
de participar da vida de minha filha. Conheço suas
amigas, coloco-me à disposição para
levá-las a festinhas e programas em geral e buscá-las.
É nessas horas que a gente consegue perceber o
que realmente acontece na vida delas, coisas que nem sempre
nossas filhas contam para a gente."
Adriana Diniz, economista em Curitiba, mãe de
Alessandra, 14 anos |
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A primeira impressão que muitos pais
têm ao ler o trabalho de Laurence Steinberg é a de
que algumas de suas regras parecem óbvias. São mesmo.
Mas isso, na visão dele, é ótimo sinal. Mostra
que a pessoa que está lendo já está de posse
de pelo menos parte do instrumental teórico de que precisa
para educar bem os filhos. A regra número 1 de Steinberg,
por exemplo, diz que os filhos copiam muito mais o comportamento
dos pais do que seus ensinamentos. "Essa todo pai já ouviu,
mas poucos a praticam", afirma ele. Pura verdade. Essa verdade precisa
ser reprisada e lembrada todos os dias para que tenha efeito positivo.
A regra número 3 manda envolver-se com as atividades dos
filhos e informar-se sobre sua vida, seus amigos e seus interesses.
Parece simples. O enunciado é, mas a prática exige
real e genuíno interesse dos pais pela vida dos filhos
e não apenas o desejo de espioná-los e controlá-los.
Steinberg conta que decidiu escrever seu livro, em parte, porque
se surpreendeu com o comportamento incoerente dos pais que estudou
ou conheceu. Um exemplo que gosta de citar: alguns são permissivos
quando suas crianças são pequenas e, para compensar
essa leniência, tornam-se verdadeiros sargentos quando elas
ficam mais maduras. Essa volatilidade levou-o à regra número
7, segundo a qual os pais precisam, antes de mais nada, ser coerentes.
De acordo com o pesquisador, mudar as regras do jogo conforme os
interesses dos pais é o caminho mais curto para perder o
respeito dos filhos.
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Leo Caldas/Titular

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TEMPO
VALE OURO
"Temos horários
muito corridos durante a semana, mas tentamos aproveitar
o máximo possível o tempo em que ficamos
com as crianças. Sabemos que elas precisam disso.
Quando estou em casa, nada de elas no quarto vendo TV
e eu na sala. Jogamos, brincamos na varanda, conversamos,
ficamos sempre juntas. E toda noite as coloco na cama,
conto uma história e canto uma música."
Luciana Mello, psicóloga
no Recife, mãe de Luiza, 4 anos, e Ana Maria,
1 (na foto com o marido, o arquiteto Amaro Neto)
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Autor de outros nove livros e mais de 200 artigos
para jornais e revistas, seu nome é referência nos
Estados Unidos quando o tema é desenvolvimento infantil.
O que tempera de vida real seu trabalho é o fato de que,
afinal de contas, ele também é pai (um filho de 19
anos, universitário). Como tal, sentiu na pele a dificuldade
de se comportar dentro da própria casa com a maturidade,
a tranqüilidade e a coerência que ele aconselha aos pais
em geral.
Steinberg recomenda que se façam elogios
com mais freqüência do que se fazem admoestações.
Eles podem ser de dois tipos. Um deles é o incondicional,
cujo sentido seja o de "Eu amo você pelo que você é".
Esse afeto não precisa ser conquistado, nunca será
perdido e demonstrá-lo deixa a criança segura e eleva
sua auto-estima. A outra forma é o elogio condicional: "Eu
gostei do que você fez". Se os filhos ficam sabendo que o
pai e a mãe notam quando eles agiram de modo correto ou terminaram
com sucesso alguma tarefa, em geral vão tentar acertar de
novo. Isso também os ajuda a aprender o valor do trabalho
árduo quando se quer atingir um objetivo. Uma advertência
é necessária aqui: elogios não são suficientes,
diz o psicólogo. Por mais que os pais declarem seu amor aos
filhos, se não passam um tempo razoável com eles,
as palavras serão uma mentira. Para as crianças, o
que os pais fazem é o que conta, e não o que eles
dizem (lembre-se, é a regra número 1).
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CONSELHO
DE FILHO
"Eu e meu marido
discutimos e brigamos um dia desses. O Gabriel disse
que a gente deveria conversar, tentar se entender, colocar
um sorriso no rosto e fazer as pazes, pois era isso
que sempre havíamos ensinado a ele. Achei legal
ver que nosso filho entende, acredita e usa o que passamos
a ele no dia-a-dia. As crianças têm uma
percepção muito grande sobre o que acontece
no ambiente em que elas vivem."
Luciana Alvarez, dona de salão de beleza em
São Paulo, mãe de Gabriel, 7 anos, e Giulia,
4
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Claudio Rossi
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Na análise de Steinberg, um fator essencial
na educação infantil é o estabelecimento de
normas e limites para os filhos. Há pais que se colocam na
posição das crianças e imaginam como deve ser
desagradável ter alguém lhes dando ordens o tempo
todo. Dessa forma, assumem uma atitude tolerante com relação
a esses princípios. O que a observação científica
constatou é que a necessidade de seguir normas e limites
tem um efeito oposto nas crianças. Na verdade, essas obrigações
no fundo lhes transmitem segurança. A melhor maneira de criar
um adulto desorientado e inseguro é fazê-lo crescer
num ambiente familiar caótico, em que tudo é imprevisível
e não se sabe direito o que é certo e o que é
errado. Todo filho, evidentemente, reclama das regras, e pode fazê-lo
num tom vários decibéis acima do tolerável.
Isso é normal, e geralmente a raiva passa logo: as crianças
não se apegam às emoções com a mesma
intensidade dos adultos. O psicólogo americano diz que, com
o tempo, o controle sobre regras e limites migra dos pais para a
própria consciência dos filhos. Se um menino de 6 anos
escova os dentes todo dia antes de ir para a cama, estejam os pais
presentes ou não, é porque aos 4 essa obrigação
lhe foi imposta. Se uma adolescente de 16 anos cuida de fazer a
lição de casa diariamente, é porque os pais
conferiam se ela seguia essa regra quando estava no ensino fundamental.
A adolescência é um período para o qual não
há regras simples, porque o próprio cérebro
do jovem está passando por grandes transformações,
como mostra o médico Roberto Wüsthof em artigo na página
78.
Estabelecidas as regras, é importante
ter constância em sua aplicação. Se elas mudam
a cada dia, ou se são exigidas só de vez em quando,
a culpa pelos deslizes será do pai, não do filho.
É aceitável estender um pouco a hora de a criança
ir para a cama nos fins de semana, mas não a ponto de bagunçar
seu relógio interno de forma a que na segunda-feira ela chegue
à escola como um zumbi. E mais: deixe claro o que você
espera de seu filho quanto ao comportamento. Não largar a
toalha molhada em cima da cama após o banho é uma
regra tão óbvia para a maioria dos pais que muitos
se esquecem de enunciá-la para a criança. O que fazer
quando o filho bate pé? Na sociedade em geral, a toda transgressão
grave das regras corresponde uma punição. Para Steinberg,
o mesmo princípio deve ser aplicado à educação
dos filhos. Sim, os conceitos modernos de educação
dos filhos desafiam um dos pontos nevrálgicos da liberalidade
dos anos 60 e recomendam a punição das crianças
como forma de corrigir atitudes ou comportamentos errados que se
tornem recorrentes.
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Claudio Rossi

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IMPONDO
REGRAS
"Temos três
regras em casa que são imutáveis: as meninas
só vêem TV depois que escurece, balas e chicletes
só aos sábados e domingos e, durante a semana,
as refeições são feitas à
mesa, com a família reunida. Acho que estabelecer
regras é uma maneira de passar segurança
às meninas, de fazer com que elas confiem em você.
É também uma forma sincera de demonstrar
amor."
Simone Santoro, consultora de moda infantil em São
Paulo, mãe de Bruna, 5 anos, e Giovana, 2 |
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É bom deixar claro que Steinberg é
totalmente contrário à punição física.
"Nunca, não importa a extensão de sua raiva ou o tamanho
do erro de seu filho, lance mão do espancamento", disse a
VEJA. "Ao fazê-lo, entre outros danos, você ensina a
ele que bater nos outros é um modo aceitável de resolver
os problemas da vida." As agressões verbais são igualmente
desaconselháveis. Estudos mostram que crianças submetidas
constantemente a insultos, humilhações ("Não
acredito que pus no mundo uma criança assim"), sarcasmo ("Essa
foi realmente uma idéia brilhante") ou acusações
("Você faz da minha vida um inferno") apresentam riscos consideravelmente
maiores de sofrer de males psicológicos como baixa auto-estima
e depressão clínica. Além disso, as agressões
verbais são totalmente inúteis para reverter quadros
de indisciplina ou punir as crianças por erros cometidos,
por dois motivos, de acordo com Steinberg:
Elas minam a qualidade da relação entre pais e filhos.
Quanto mais chocantes as palavras do adulto, menos a criança
irá se importar com suas opiniões a respeito dela.
Quando os pais se dirigem ao filho de forma agressiva ou aos gritos,
a atenção dele é desviada do conteúdo
da mensagem para a forma como ela está sendo transmitida.
É o mesmo que ocorre nas ruas quando um motorista dirige
palavrões a outro que acaba de fazer uma barbeiragem. A atenção
do motorista ofendido se desloca da infração ("Eu
deveria ter sinalizado que iria mudar de faixa") para a reação
do outro motorista ("Que atrevimento dele me xingar dessa maneira!").
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Claudio Rossi

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A
PUNIÇÃO JUSTA
"Minha esposa
e eu não damos palmadas nem brigamos levantando
a voz com nossos filhos. Vimos que isso não funciona.
Então, estipulamos como recurso mais grave de punição
o castigo, aplicado depois de esgotado o recurso do diálogo.
O castigo tem de ser algo que incomode, que faça
a criança refletir sobre o que é errado.
Por exemplo, colocá-la num canto do quarto, sem
nada para brincar."
Luis Cláudio Montoro Mendes, advogado em São
Paulo, pai de Beatriz, 4 anos, e Nicolas, 2 (na foto
com a esposa, Luciana Jubran, florista) |
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Todo pai está sujeito a explosões
de raiva, principalmente quando se encontra sob algum tipo de stress.
Nessas horas, lê-se no manual dos Dez Princípios, o
melhor é respirar fundo e dizer algo como: "Estou muito irritado
para falar sobre isso agora, vamos esperar até podermos tratar
do assunto com mais calma". Nunca se deve esquecer que as crianças
aprendem mais com o comportamento dos pais que com seus conselhos
e lições. A tendência a imitá-los é
tão forte que, hoje, a ciência considera esse comportamento
como parte da evolução da espécie.
As mudanças nos relacionamentos ocorridas
durante o século XX, tanto no campo das relações
humanas quanto no da educação, tiveram enorme impacto
no modo como convivem pais e filhos. (Leia abaixo entrevista
com o psicólogo Steve Biddulph). Em síntese, os
mais velhos abandonaram a idéia, popular até os anos
60, de que criança não tem querer e aceitaram que
ela possui vontade própria e merece ser tratada com respeito.
Pesquisadores estudam desde então a melhor maneira de educar
crianças sob esse novo parâmetro, de forma que sejam
felizes e independentes. Infelizmente como escreveu a revista
americana Newsweek, citando o livro de Laurence Steinberg
, poucos desses trabalhos chegaram às pessoas que mais
precisam de ajuda: os pais com um bebê aos berros na fila
do caixa do supermercado ou o pai desesperado com a filha adolescente
que teima voltar para casa de madrugada. A tentativa de descobrir
regras gerais de convivência entre pais e filhos é
vista por muitos especialistas como uma ponte entre o mundo acadêmico
e a vida real. "Essas regras, como as compiladas por Steinberg,
são muito coerentes e essenciais para a boa educação
dos filhos", avalia a educadora carioca Tania Zagury. Autora de
onze livros sobre educação, Tânia vê semelhanças
entre o próprio trabalho e a filosofia educacional expressa
pelo americano.
As semelhanças não são
gratuitas, já que Steinberg realmente cunhou suas regras
a partir do que é consensual na comunidade de educadores.
Outros autores defendem a eficácia de traduzir calhamaços
teóricos num conjunto enxuto de regras. Esse tipo de manual
se tornou uma necessidade urgente depois que ambos os pais passaram
a trabalhar fora, nos anos 70. Antes disso, só havia livros
de orientação médica, que falavam sobretudo
em maneiras de lidar com os aspectos físicos do crescimento.
Os manuais de como educar os filhos começaram a proliferar
em meados dos anos 90, e a maioria deles expressa a opinião
isolada de seu autor. "Se os pais não ensinarem aos filhos
como se devem comportar enquanto ainda são novos, será
muito difícil que eles aprendam como agir de forma correta
quando forem mais velhos e os pais não estiverem por perto",
pondera a psicóloga paulista Rosely Sayão, autora
de vários manuais sobre educação. Os especialistas
não esperam que os pais sigam os manuais ao pé da
letra, mas consideram que eles fornecem uma boa margem de segurança
a pais que, de outra forma, estariam desorientados diante do desafio
de criar seus anjinhos.
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1.
As atitudes no dia-a-dia são
mais importantes que os conselhos
Os filhos aprendem muito mais observando o comportamento
dos pais do que os ouvindo
2.
Demonstre afeto incondicional
por seu filho. Isso não o tornará mimado
É muito saudável abraçar
e beijar os filhos, independentemente da idade
3.
Envolva-se com a vida de seu
filho
A falta de monitoramento aumenta os riscos de
eles se envolverem com drogas, álcool e delinqüência
e de gravidez precoce
4.
Mude a forma de tratar a criança
de acordo com as etapas de crescimento
A técnica que funciona em certa idade
é um desastre em outra
5.
Estabeleça regras e limites
desde cedo
Com o tempo, eles ajudam seu filho a administrar
o próprio comportamento
6.
Encoraje seu filho a se tornar
independente
Muitos pais, erroneamente, associam a busca
por independência à rebeldia, à desobediência e ao desrespeito
7.
Seja coerente
Se as regras do jogo mudam a cada dia, ou são
esquecidas, a culpa pelo mau comportamento é
dos pais, não da criança
8.
Evite castigos físicos e agressões verbais
A punição é necessária,
mas acompanhada de violência ela tem efeito nocivo
a curto e a longo prazo
9.
Explique suas regras e decisões
e ouça o ponto de vista de seu filho
Ele aceitará suas ordens com mais facilidade
se entender que elas fazem sentido
10. Trate
seu filho com respeito
A criança trata os outros da forma como
é tratada pelos pais
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| ÀS
VEZES É PRECISO CURAR OS PAIS |
Divulgação
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| Biddulph: "Para educar não
basta dar comida, presentes e sentar na frente da
televisão" |
O psicólogo inglês Steve Biddulph, de 50
anos, é um dos mais requisitados especialistas
em educação de crianças. Dois de
seus cinco livros sobre o assunto O Segredo
das Crianças Felizes e Criando Meninos
venderam juntos 11 milhões de cópias
e foram traduzidos em 27 idiomas. No Brasil, Criando
Meninos permaneceu na lista dos mais vendidos por
dezesseis meses. Pai de dois filhos, um rapaz de 19
anos e uma menina de 11, Biddulph deu a seguinte entrevista
à repórter Gabriela Carelli:
O SENHOR
DIZ QUE ANTES DE TRATAR AS CRIANÇAS É
PRECISO CURAR OS PAIS. O QUE ISSO SIGNIFICA?
Se os pais têm conflitos no casamento ou
traumas pela forma com que foram criados na infância,
esses problemas vão repercutir na vida da criança
a curto e a longo prazos. Antes de engajar os filhos
em dez atividades fora da escola ou colocá-los
no divã do analista, temos de checar o que se
passa com os pais. Se ajudarmos os adultos a manter
o casamento e superar as frustrações pessoais,
eles vão criar melhor os filhos.
COMO AJUDAR
OS PAIS?
Quando algum casal me procura para solucionar um
problema de seu filho, como notas baixas, rebeldia ou
timidez, peço para que o pai e a mãe me
contem tudo o que se passa na vida familiar e detalhes
sobre suas vidas pessoais antes de se casarem. Na maioria
das vezes, acabo descobrindo que os pais são
mais problemáticos que os filhos e proponho uma
terapia familiar.
QUAL É
O ERRO MAIS COMUM NA EDUCAÇÃO DAS CRIANÇAS?
Não se trata de um erro, mas de uma conseqüência
do estilo de vida moderno: a falta de tempo para se
dedicar aos filhos. Esta é, com certeza, a geração
mais abandonada de todos os tempos. Pesquisas feitas
na Inglaterra mostram que os pais passam apenas seis
minutos proveitosos com seus filhos por dia. Não
basta dar comida, presentes, sentar na frente da televisão
e esperar que seu filho tenha um comportamento exemplar.
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