Edição 1961 . 21 de junho de 2006

Índice
Millôr
Claudio de Moura Castro
Diogo Mainardi
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
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VEJA Recomenda

CINEMA

Divulgação
Philippe Noiret em Pais, Filhos & Etc.: sempre um prazer vê-lo em ação


Pais, Filhos & Etc.
(Père et Fils,
França/Canadá, 2003. Desde quinta-feira em cartaz em São Paulo e no Rio de Janeiro) – Quando os franceses têm de remediar um conflito, sentam-se em torno de uma refeição. Já que nem esse recurso se mostra capaz de conciliar seus três filhos, Léo (Philippe Noiret) parte para a solução americana: uma viagem em família. Aproveitando-se de um mal-estar sem conseqüências, ele inventa que está à morte a fim de persuadir o trio a acompanhá-lo ao Canadá, para ver baleias – fora da estação destas, diga-se. As trapalhadas que se seguem são de praxe, o que não diminui em nada o prazer de acompanhar os bons diálogos e as excelentes atuações de Noiret, Charles Berling e Bruno Putzulu.

 

DVD

Keran Doherty/Reuters
PJ Harvey: sem timidez no palco


PJ Harvey on Tour: Please Leave Quietly,
PJ Harvey (Universal) – Esse DVD serve como prêmio de consolação para quem perdeu o show da roqueira inglesa no Brasil, em novembro de 2004. Please Leave Quietly é uma espécie de diário de bordo da cantora e de sua banda. Traz dezesseis canções, cada uma delas gravada numa cidade diferente, além de cenas de bastidor e de entrevistas – um feito e tanto, visto que PJ, a título de estratégia de marketing, usa a desculpa de que é "tímida demais" para falar com repórteres. Mas sua atuação no palco não tem timidez nenhuma. Ela é uma compositora talentosa, tem charme de sobra e sabe como poucas incendiar uma platéia. Um exemplo está em Dress, faixa de seu primeiro disco, que soa melhor ao vivo do que em estúdio.

 

LIVROS

Obra Poética Integral, de Cesário Verde (Landy; 272 páginas; 40 reais) – O português Cesário Verde (1855-1886) registrou em seus versos todo o fascínio e a sujeira das ruas de Lisboa no século XIX. Essa obra moderna, às vezes cáustica, só seria devidamente valorizada por poetas como Mário de Sá-Carneiro e Fernando Pessoa, já no início do século XX. Em vida, Cesário não chegou a editar nenhum livro. "Juntei numa fogueira imensa / Muitíssimos papéis inéditos. A imprensa / vale um desdém solene", diz ele no poema Contrariedades. Organizada pelo crítico Ricardo Daunt, essa edição traz toda a breve mas intensa obra poética de Cesário – mais cartas do autor, algumas delas até hoje inéditas em livro.

Jovens de um Novo Tempo, Despertai!, de Kenzaburo Oe (tradução de Leiko Gotoda; Companhia das Letras; 304 páginas; 47 reais) – O filho mais velho de Kenzaburo Oe nasceu com uma deformidade craniana que lhe causou problemas mentais. Essa experiência teve um grande impacto na obra do Nobel japonês. Uma Questão Pessoal, um de seus livros mais aclamados, tratava de um professor que entra em crise quando tem um filho deficiente. De certo modo, Jovens de um Novo Tempo, Despertai! dá continuidade àquele livro, descrevendo a juventude do filho. Misto de memórias, ensaio literário e ficção, a obra relaciona a experiência pessoal de um escritor que mora com a mulher e três filhos – um deles deficiente – com os versos do inglês William Blake, o grande poeta místico do século XVIII.

 

DISCOS

 

Divulgação
Allison Goldfrapp: aprimoramento  

Supernature, Goldfrapp (EMI) – O terceiro disco da cantora e tecladista Allison Goldfrapp é uma lição sobre como aprimorar um estilo musical. Goldfrapp se criou no trip hop, gênero que recria o hip hop americano com batidas mais sorumbáticas. Seus primeiros lançamentos, Felt Mountain e Black Cherry, eram calcados nesse estilo. Já Supernature aponta caminhos diferentes. A cantora flerta com o rock de Marc Bolan e David Bowie e com a animação da disco music. Como resultado, Supernature virou um álbum de pop chique, que funciona tanto como música de fundo quanto nas discotecas mais animadas. Em tempo: o piano de acento country em Satin Chic e as baladas Let It Take You e Fly Me Away são de primeira categoria.

Monsieur Gainsbourg Revisited, vários intérpretes (Universal) – O cantor, compositor e escritor Serge Gainsbourg (1928-1991) foi o arquiteto da música pop francesa e um ícone cultural dos anos 60 em todo o mundo, graças à sua criatividade e a seu jeito de ser um tanto irreverente (e cafajeste). Monsieur Gainsbourg traz releituras de seus principais hits feitas por cantores do Reino Unido e dos Estados Unidos. Apesar do sacrilégio das letras traduzidas para o inglês, o disco tem momentos primorosos, como o encontro de Jane Birkin, ex-mulher de Gainsbourg, com os escoceses do Franz Ferdinand em A Song for a Sorry Angel. Outro ponto alto é Lola R. for Ever, em que a dupla de reggae Sly & Robbie faz base para a voz roufenha de Marianne Faithfull.

 

DA NOSSA EQUIPE

Oscar Cabral


Há alguns anos, Diogo Mainardi anunciou em sua coluna em VEJA que não escreveria mais ficção. E deixou uma avaliação injustamente derrisória da própria obra: "Eu escrevi livros. Um monte de livros. Cheios de mistérios e empombações". O "monte" de livros se constitui, na verdade, de apenas quatro romances. Há muito esgotados, esses títulos retornam às livrarias nesta semana, reeditados pela Record. O leitor poderá constatar que Malthus (128 páginas; 25,90 reais), Arquipélago (128 páginas; 25,90 reais), Polígono das Secas (144 páginas; 26,90 reais) e Contra o Brasil (256 páginas; 33,90 reais) têm muito mais a oferecer do que "mistérios e empombações". Na tradição que vem dos clássicos Voltaire e Jonathan Swift, no século XVIII, e chega até os pós-modernismos do americano Thomas Pynchon (outro autor cheio de mistérios e empombações), Mainardi é um consumado satirista. Como o leitor de sua coluna poderá imaginar, o Brasil é espinafrado metodicamente em suas páginas de ficção. E em seus primeiros dois livros Diogo vai ainda além: seu alvo são as ilusões complacentes que a espécie humana, seja em que latitude for, gosta de nutrir sobre si própria.

 
EXCLUSIVO ON-LINE
Trecho de Arquipélago
Trecho de Contra o Brasil
Trecho de Malthus
Trecho de Polígono das Secas

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Nobel; Rio: Travessa, Saraiva, Laselva, Sodiler, Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Cultura; Brasília: Sodiler, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Cultura; Natal: Sodiler; Florianópolis: Livrarias Catarinense; Goiânia: Saraiva, Leitura; Fortaleza: Laselva; Curitiba: Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Vitória: Leitura; Campo Grande: Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Nobel, Saraiva, Fnac, Sodiler, Submarino.
 
 
 
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