|
|
VEJA Recomenda CINEMA
Divulgação
 | | Philippe
Noiret em Pais, Filhos & Etc.: sempre um prazer vê-lo em ação
|
Pais, Filhos & Etc. (Père
et Fils, França/Canadá, 2003. Desde quinta-feira em cartaz em
São Paulo e no Rio de Janeiro) Quando os franceses têm de
remediar um conflito, sentam-se em torno de uma refeição. Já
que nem esse recurso se mostra capaz de conciliar seus três filhos, Léo
(Philippe Noiret) parte para a solução americana: uma viagem em
família. Aproveitando-se de um mal-estar sem conseqüências,
ele inventa que está à morte a fim de persuadir o trio a acompanhá-lo
ao Canadá, para ver baleias fora da estação destas,
diga-se. As trapalhadas que se seguem são de praxe, o que não diminui
em nada o prazer de acompanhar os bons diálogos e as excelentes atuações
de Noiret, Charles Berling e Bruno Putzulu. DVD
Keran
Doherty/Reuters
 | | PJ
Harvey: sem timidez no palco |
PJ
Harvey on Tour: Please Leave Quietly, PJ Harvey (Universal) Esse
DVD serve como prêmio de consolação para quem perdeu o show
da roqueira inglesa no Brasil, em novembro de 2004. Please Leave Quietly
é uma espécie de diário de bordo da cantora e de sua banda.
Traz dezesseis canções, cada uma delas gravada numa cidade diferente,
além de cenas de bastidor e de entrevistas um feito e tanto, visto
que PJ, a título de estratégia de marketing, usa a desculpa de que
é "tímida demais" para falar com repórteres. Mas sua atuação
no palco não tem timidez nenhuma. Ela é uma compositora talentosa,
tem charme de sobra e sabe como poucas incendiar uma platéia. Um exemplo
está em Dress, faixa de seu primeiro disco, que soa melhor ao vivo
do que em estúdio.
LIVROS Obra
Poética Integral, de Cesário Verde (Landy; 272 páginas;
40 reais) O português Cesário Verde (1855-1886) registrou
em seus versos todo o fascínio e a sujeira das ruas de Lisboa no século
XIX. Essa obra moderna, às vezes cáustica, só seria devidamente
valorizada por poetas como Mário de Sá-Carneiro e Fernando Pessoa,
já no início do século XX. Em vida, Cesário não
chegou a editar nenhum livro. "Juntei numa fogueira imensa / Muitíssimos
papéis inéditos. A imprensa / vale um desdém solene", diz
ele no poema Contrariedades. Organizada pelo crítico Ricardo Daunt,
essa edição traz toda a breve mas intensa obra poética de
Cesário mais cartas do autor, algumas delas até hoje inéditas
em livro. Jovens
de um Novo Tempo, Despertai!, de Kenzaburo Oe (tradução
de Leiko Gotoda; Companhia das Letras; 304 páginas; 47 reais) O
filho mais velho de Kenzaburo Oe nasceu com uma deformidade craniana que lhe causou
problemas mentais. Essa experiência teve um grande impacto na obra do Nobel
japonês. Uma Questão Pessoal, um de seus livros mais aclamados,
tratava de um professor que entra em crise quando tem um filho deficiente. De
certo modo, Jovens de um Novo Tempo, Despertai! dá continuidade
àquele livro, descrevendo a juventude do filho. Misto de memórias,
ensaio literário e ficção, a obra relaciona a experiência
pessoal de um escritor que mora com a mulher e três filhos um deles
deficiente com os versos do inglês William Blake, o grande poeta
místico do século XVIII.
DISCOS Divulgação
 |  | | Allison
Goldfrapp: aprimoramento | |
Supernature,
Goldfrapp (EMI) O terceiro disco da cantora e tecladista Allison Goldfrapp
é uma lição sobre como aprimorar um estilo musical. Goldfrapp
se criou no trip hop, gênero que recria o hip hop americano com batidas
mais sorumbáticas. Seus primeiros lançamentos, Felt Mountain
e Black Cherry, eram calcados nesse estilo. Já Supernature
aponta caminhos diferentes. A cantora flerta com o rock de Marc Bolan e David
Bowie e com a animação da disco music. Como resultado, Supernature
virou um álbum de pop chique, que funciona tanto como música de
fundo quanto nas discotecas mais animadas. Em tempo: o piano de acento country
em Satin Chic e as baladas Let It Take You e Fly Me Away
são de primeira categoria. Monsieur
Gainsbourg Revisited, vários intérpretes (Universal)
O cantor, compositor e escritor Serge Gainsbourg (1928-1991) foi o arquiteto da
música pop francesa e um ícone cultural dos anos 60 em todo o mundo,
graças à sua criatividade e a seu jeito de ser um tanto irreverente
(e cafajeste). Monsieur Gainsbourg traz releituras de seus principais hits
feitas por cantores do Reino Unido e dos Estados Unidos. Apesar do sacrilégio
das letras traduzidas para o inglês, o disco tem momentos primorosos, como
o encontro de Jane Birkin, ex-mulher de Gainsbourg, com os escoceses do Franz
Ferdinand em A Song for a Sorry Angel. Outro ponto alto é Lola
R. for Ever, em que a dupla de reggae Sly & Robbie faz base para a voz
roufenha de Marianne Faithfull.
DA NOSSA EQUIPE Oscar
Cabral
 |
Há
alguns anos, Diogo Mainardi anunciou em sua coluna em VEJA que não escreveria
mais ficção. E deixou uma avaliação injustamente derrisória
da própria obra: "Eu escrevi livros. Um monte de livros. Cheios de mistérios
e empombações". O "monte" de livros se constitui, na verdade, de
apenas quatro romances. Há muito esgotados, esses títulos retornam
às livrarias nesta semana, reeditados pela Record. O leitor poderá
constatar que Malthus (128 páginas; 25,90 reais), Arquipélago
(128 páginas; 25,90 reais), Polígono das Secas (144
páginas; 26,90 reais) e Contra o Brasil (256 páginas;
33,90 reais) têm muito mais a oferecer do que "mistérios e empombações".
Na tradição que vem dos clássicos Voltaire e Jonathan Swift,
no século XVIII, e chega até os pós-modernismos do americano
Thomas Pynchon (outro autor cheio de mistérios e empombações),
Mainardi é um consumado satirista. Como o leitor de sua coluna poderá
imaginar, o Brasil é espinafrado metodicamente em suas páginas de
ficção. E em seus primeiros dois livros Diogo vai ainda além:
seu alvo são as ilusões complacentes que a espécie humana,
seja em que latitude for, gosta de nutrir sobre si própria.

| | |