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Radar
Lauro Jardim (ljardim@abril.com.br)
ELEIÇÕES
2006
A aflição
bate
Quem tem conversado com Geraldo Alckmin nos últimos
dias acha que o controladíssimo tucano começa a dar
os primeiros sinais de nervosismo com a candidatura que não
deslancha.
Cadê
o voto?
Para quem sabe ler pesquisas, o dado mais preocupante da
última do Ibope, que apontou uma nova subida de Lula e a
estagnação de Alckmin, é o seguinte: a saída
de Anthony Garotinho do páreo não foi capaz de proporcionar
um mísero ponto nas pesquisas ao tucano.
EJ em
campanha
Eduardo Jorge, ex-secretário-geral da Presidência
nos tempos de FHC, assume nesta segunda-feira como coordenador-geral
adjunto da campanha de Geraldo Alckmin à Presidência.
Na prática, será quem tocará o dia-a-dia da
campanha.
Apoio
forçado
O ex-governador Joaquim Roriz acabou apoiando na marra Maurício
Corrêa, candidato do PMDB ao governo do Distrito Federal.
É a retribuição de Roriz pelo fato de Corrêa,
em seus tempos de presidente do TSE, ter sido mais do que atencioso
no encaminhamento de um processo que poderia ter cassado o mandato
do governador. Roriz ainda tentou tirar o corpo fora, alegando que
Corrêa era um candidato sem chances. Os emissários
de Roriz ouviram, então, de Corrêa: "Quando vocês
me procuraram pedindo ajuda, não me avisaram que eu tinha
de estar bem nas pesquisas para me apoiarem".
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Conexão Chávez-MLST
preocupa PT
Pablo Valadares/AE
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Fernando Llano/AP
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| Maranhão: ajuda externa? |
Chávez: Planalto inquieto |
A partir de alguns indícios,
setores do governo e a cúpula petista têm
hoje um forte temor: que se descubra que parte da fonte
de financiamento do Movimento de Libertação
dos Sem Terra (MLST) tenha origem nos petrodólares
de Hugo Chávez. Em conversas para lá de
reservadas entre eles, tremem diante da possibilidade
de esses indícios ganharem corpo. Mais do que
qualquer quebra-quebra, esse é o motivo do afastamento
de petistas graúdos do "abastado revolucionário"
Bruno Maranhão, o comandante-em-chefe da turba.
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GOVERNO
...E
Bush não ligou
George W. Bush deu bolo em Lula mas por um bom motivo.
Havia uma combinação de o presidente americano telefonar
para o colega brasileiro às 8h45 de terça-feira passada.
Só que Bush fez uma visita-surpresa ao Iraque, cuja preparação
foi naturalmente cercada de sigilo, e não ligou. Seus assessores
acabaram remarcando a conversa para esta semana.
Em busca
de um nome
Na conversa entre Lula e a bancada do PMDB, em que discutiram
cargos para o governo, foi sugerido pelos peemedebistas o nome de
Paulo Lustosa para a pasta da Saúde. Lula descartou e pediu
um nome da Fiocruz que o PMDB apoiasse.
IMÓVEIS
Conjunto
Carequinha
O preço é até bom, mas não aparece
quem queira alugar um espaço de 600 metros quadrados em um
prédio comercial chique de Brasília, o Terra Brasilis.
O problema é que os candidatos desistem quando descobrem
que o espaço era ocupado pelas empresas do, agora, quase
carequinha Marcos Valério.
ECONOMIA
A megalicitação
1
O resultado de parte da megalicitação de petroleiros
da Transpetro, subsidiária da Petrobras, sai na terça-feira.
Os estaleiros que construirão dezesseis dos 26 navios serão
conhecidos. O próprio Lula fará o anúncio,
aproveitando para embaralhar, como sempre, sua condição
de governante com a de candidato.
A megalicitação
2
Mas está encrencado o filé mignon da concorrência,
ou seja, o lote mais caro de petroleiros. E o seu anúncio
ainda depende de muita negociação com o consórcio
das empreiteiras Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e Queiroz
Galvão. Em jogo, um contrato de 1,1 bilhão de dólares.
O Leão
fareja
A Receita Federal pretende fechar o cerco a multinacionais
e executivos que recebem, como bônus, opções
de compra de ações da empresa no exterior. Muitos
executivos não declaram os rendimentos de tais opções,
e poucas empresas recolhem os encargos relativos a essa parcela
dos rendimentos de seus empregados. O Brasil perde nas duas pontas.
AVIAÇÃO
A pressão
pela Varig
À frente do processo que poderá tirar a Varig
da UTI (ou decretar sua morte por falência de múltiplos
órgãos), o juiz Luiz Roberto Ayoub começou
a sofrer o desgaste físico da tarefa. Na quarta-feira passada,
baixou duas vezes ao departamento médico do Tribunal de Justiça
do Rio de Janeiro. Desde o início da ação,
Ayoub já perdeu 5 quilos.
CIGARROS
A fumaça
vence
As campanhas antitabaco crescem no mundo inteiro e surgem
cada vez mais locais em que é proibido fumar. Mas na Justiça
a banda toca de outra maneira. Em abril e maio deste ano, o Judiciário
brasileiro julgou dezoito ações indenizatórias
contra a Souza Cruz, movidas por ex-fumantes. O placar foi acachapante
a favor da tragada: dezessete ações foram favoráveis
à empresa. Numa ela foi derrotada, mas já recorreu.
Mantém-se, portanto, uma tendência. Em 464 ações
desse tipo contra a Souza Cruz, apenas dez foram desfavoráveis
à empresa, nenhuma com sentença definitiva.
TELECOMUNICAÇÕES
Barreira
ao Skype
Alô, alô, Anatel: as operadoras de telefonia
fixa brasileiras estão em guerra silenciosa contra o Skype,
o programa que faz ligações telefônicas de graça
ou a custo baixíssimo, via internet. O prejudicado é
o usuário. Ao detectar a ligação via Skype
para um aparelho fixo, a operadora faz pequenas interferências
para piorar a qualidade da ligação chiados,
vozes sumindo, quedas na linha etc...
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Ética teórica
Ana Araujo
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| Dantas: o manual dele é diferente
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Não é novidade
que o banqueiro baiano Daniel Dantas é um dos
empresários brasileiros que adotam as práticas
de negócios mais, digamos, heterodoxas. Poucos
sabem, porém, que ele já viveu momentos
de "teórico da ética". Desde 1998, o banco
Opportunity evangeliza seus funcionários com
um documento de 59 páginas. O capítulo
10 do texto, intitulado Memorandum of Business, ensina:
"Prática de negócios: a) Ética;
b) Bom comportamento nunca falar mal dos concorrentes;
c) Discretos". No capítulo seguinte, diz que
sua turma deve se "orientar para merecer a imagem" de
"corretos" e "prudentes". É um dos casos mais
impressionantes de "faça o que eu digo, não
o que eu faço".
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Colaboraram Felipe Patury e Ronaldo
França
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