Edição 1961 . 21 de junho de 2006

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Radar

Lauro Jardim (ljardim@abril.com.br)

ELEIÇÕES 2006

A aflição bate
Quem tem conversado com Geraldo Alckmin nos últimos dias acha que o controladíssimo tucano começa a dar os primeiros sinais de nervosismo com a candidatura que não deslancha.

Cadê o voto?
Para quem sabe ler pesquisas, o dado mais preocupante da última do Ibope, que apontou uma nova subida de Lula e a estagnação de Alckmin, é o seguinte: a saída de Anthony Garotinho do páreo não foi capaz de proporcionar um mísero ponto nas pesquisas ao tucano.

EJ em campanha
Eduardo Jorge, ex-secretário-geral da Presidência nos tempos de FHC, assume nesta segunda-feira como coordenador-geral adjunto da campanha de Geraldo Alckmin à Presidência. Na prática, será quem tocará o dia-a-dia da campanha.

Apoio forçado
O ex-governador Joaquim Roriz acabou apoiando na marra Maurício Corrêa, candidato do PMDB ao governo do Distrito Federal. É a retribuição de Roriz pelo fato de Corrêa, em seus tempos de presidente do TSE, ter sido mais do que atencioso no encaminhamento de um processo que poderia ter cassado o mandato do governador. Roriz ainda tentou tirar o corpo fora, alegando que Corrêa era um candidato sem chances. Os emissários de Roriz ouviram, então, de Corrêa: "Quando vocês me procuraram pedindo ajuda, não me avisaram que eu tinha de estar bem nas pesquisas para me apoiarem".

 

Conexão Chávez-MLST preocupa PT


Pablo Valadares/AE
Fernando Llano/AP
Maranhão: ajuda externa? Chávez: Planalto inquieto

A partir de alguns indícios, setores do governo e a cúpula petista têm hoje um forte temor: que se descubra que parte da fonte de financiamento do Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST) tenha origem nos petrodólares de Hugo Chávez. Em conversas para lá de reservadas entre eles, tremem diante da possibilidade de esses indícios ganharem corpo. Mais do que qualquer quebra-quebra, esse é o motivo do afastamento de petistas graúdos do "abastado revolucionário" Bruno Maranhão, o comandante-em-chefe da turba.

 

GOVERNO

...E Bush não ligou
George W. Bush deu bolo em Lula – mas por um bom motivo. Havia uma combinação de o presidente americano telefonar para o colega brasileiro às 8h45 de terça-feira passada. Só que Bush fez uma visita-surpresa ao Iraque, cuja preparação foi naturalmente cercada de sigilo, e não ligou. Seus assessores acabaram remarcando a conversa para esta semana.

Em busca de um nome
Na conversa entre Lula e a bancada do PMDB, em que discutiram cargos para o governo, foi sugerido pelos peemedebistas o nome de Paulo Lustosa para a pasta da Saúde. Lula descartou e pediu um nome da Fiocruz que o PMDB apoiasse.

 

IMÓVEIS

Conjunto Carequinha
O preço é até bom, mas não aparece quem queira alugar um espaço de 600 metros quadrados em um prédio comercial chique de Brasília, o Terra Brasilis. O problema é que os candidatos desistem quando descobrem que o espaço era ocupado pelas empresas do, agora, quase carequinha Marcos Valério.

 

ECONOMIA

A megalicitação 1
O resultado de parte da megalicitação de petroleiros da Transpetro, subsidiária da Petrobras, sai na terça-feira. Os estaleiros que construirão dezesseis dos 26 navios serão conhecidos. O próprio Lula fará o anúncio, aproveitando para embaralhar, como sempre, sua condição de governante com a de candidato.

A megalicitação 2
Mas está encrencado o filé mignon da concorrência, ou seja, o lote mais caro de petroleiros. E o seu anúncio ainda depende de muita negociação com o consórcio das empreiteiras Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e Queiroz Galvão. Em jogo, um contrato de 1,1 bilhão de dólares.

O Leão fareja
A Receita Federal pretende fechar o cerco a multinacionais e executivos que recebem, como bônus, opções de compra de ações da empresa no exterior. Muitos executivos não declaram os rendimentos de tais opções, e poucas empresas recolhem os encargos relativos a essa parcela dos rendimentos de seus empregados. O Brasil perde nas duas pontas.

 

AVIAÇÃO

A pressão pela Varig
À frente do processo que poderá tirar a Varig da UTI (ou decretar sua morte por falência de múltiplos órgãos), o juiz Luiz Roberto Ayoub começou a sofrer o desgaste físico da tarefa. Na quarta-feira passada, baixou duas vezes ao departamento médico do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Desde o início da ação, Ayoub já perdeu 5 quilos.

 

CIGARROS

A fumaça vence
As campanhas antitabaco crescem no mundo inteiro e surgem cada vez mais locais em que é proibido fumar. Mas na Justiça a banda toca de outra maneira. Em abril e maio deste ano, o Judiciário brasileiro julgou dezoito ações indenizatórias contra a Souza Cruz, movidas por ex-fumantes. O placar foi acachapante a favor da tragada: dezessete ações foram favoráveis à empresa. Numa ela foi derrotada, mas já recorreu. Mantém-se, portanto, uma tendência. Em 464 ações desse tipo contra a Souza Cruz, apenas dez foram desfavoráveis à empresa, nenhuma com sentença definitiva.

 

TELECOMUNICAÇÕES

Barreira ao Skype
Alô, alô, Anatel: as operadoras de telefonia fixa brasileiras estão em guerra silenciosa contra o Skype, o programa que faz ligações telefônicas de graça ou a custo baixíssimo, via internet. O prejudicado é o usuário. Ao detectar a ligação via Skype para um aparelho fixo, a operadora faz pequenas interferências para piorar a qualidade da ligação – chiados, vozes sumindo, quedas na linha etc...

 

Ética teórica


Ana Araujo
Dantas: o manual dele é diferente

Não é novidade que o banqueiro baiano Daniel Dantas é um dos empresários brasileiros que adotam as práticas de negócios mais, digamos, heterodoxas. Poucos sabem, porém, que ele já viveu momentos de "teórico da ética". Desde 1998, o banco Opportunity evangeliza seus funcionários com um documento de 59 páginas. O capítulo 10 do texto, intitulado Memorandum of Business, ensina: "Prática de negócios: a) Ética; b) Bom comportamento – nunca falar mal dos concorrentes; c) Discretos". No capítulo seguinte, diz que sua turma deve se "orientar para merecer a imagem" de "corretos" e "prudentes". É um dos casos mais impressionantes de "faça o que eu digo, não o que eu faço".

 

Colaboraram Felipe Patury e Ronaldo França

 

 




 
 
 
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