Edição 1961 . 21 de junho de 2006

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Livros
Palavra de pai

Uma coletânea de depoimentos traz as lições
paternas recebidas por 54 personalidades


Rinaldo Gama


Ronaldo Ceravolo/Abranews
Luciano e Zezé di Camargo com o pai (ao centro): aprendizado e bons momentos

Pais, como se sabe, começam a escrever a história dos filhos antes mesmo que eles nasçam – e, em certa medida, seguem fazendo isso vida afora. Convidadas pelo jornalista Luís Colombini – que já trabalhou em VEJA –, 54 personalidades aceitaram revisitar o passado para isolar em sua biografia o ensinamento mais precioso que receberam de seus genitores. O resultado é Aprendi com Meu Pai (Versar; 254 páginas; 34,90 reais), livro que tem um objetivo preciso: transformar experiências pessoais em lição para outros pais e filhos. Entre os depoimentos estão os de atores, jornalistas, escritores, advogados – um grupo eclético que vai do empresário e bibliófilo José Mindlin à dupla sertaneja Zezé Di Camargo e Luciano, cujo pai se tornou célebre com 2 Filhos de Francisco, cinebiografia vista por 5 milhões de espectadores.

A todos os depoentes, Colombini fez a mesma pergunta: "Em qual passagem de sua vida você recebeu o ensinamento mais importante de seu pai?". As histórias quase sempre incidem sobre valores que se podem chamar de universais: ética, respeito à verdade, espírito solidário. Um bom exemplo é o depoimento de Nuno Cobra, autor do best-seller de auto-ajuda A Semente da Vitória. Ele narra uma viagem entre São José do Rio Pardo e São Paulo realizada na boléia do caminhão de seu pai. Perto da capital paulista, ele lamentou que a aventura estivesse no fim. A resposta do pai veio rápida, em tom de alerta: "A vida fica gostosa quando não tem mais vida, como a estrada".

Máximas como essa se espalham pelo livro. Há nele, porém, uma lição que não está explícita em nenhum dos depoimentos e sim num texto curto, no qual Colombini justifica a escolha da foto de capa. A imagem mostra o escritor americano Ernest Hemingway ao lado de seu filho Gregory. Hemingway, pondera o jornalista, não tinha entre suas grandes vocações a paternidade. A relação entre ele e Gregory, aliás, foi dificílima. Mas a cena está ali para lembrar algo que pode ajudar muito: "Mesmo não sendo um pai ideal, é possível ter bons momentos com o filho".

 
 
 
 
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