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Cinema
Sem variações
Banderas é o trunfo do
previsível Vem Dançar

Isabela Boscov
O franco-espanhol Pierre Dulaine é três
vezes campeão mundial de dança de salão e um
sujeito abnegado. Há alguns anos, ele abriu espaço
em sua agenda para ensinar valsa e foxtrote a pessoas que não
poderiam estar menos interessadas na matéria: jovens tidos
como irrecuperáveis das áreas barras-pesadas de Nova
York. Graças a uma mistura de empatia e teimosia, ele fez
a idéia vingar e virar um projeto que hoje envolve cerca
de 40.000 alunos americanos já retratado no bem-sucedido
documentário Mad Hot Ballroom. Vem Dançar
(Take the Lead, Estados Unidos, 2006), desde quinta-feira
em cartaz no país, é a versão ficcionalizada
da trajetória de Dulaine. No papel principal, o espanhol
Antonio Banderas acerta o passo, interpretando o dançarino-professor
com sobriedade e sem floreios desnecessários exceto
na cena em que baila um tango exuberante para demonstrar o potencial
sedutor da dança a fãs de hip hop. Mas o trabalho
da diretora Liz Friedlander é o de sempre: a enésima
aplicação, sem variações, da fórmula
usada pelo cinema americano para hagiografar mestres que conduzem
seus pupilos da perdição à salvação.
Pessoas como Dulaine sem dúvida merecem que se façam
filmes sobre elas. Mas seria melhor se também os filmes merecessem
ser vistos.
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