Edição 1961 . 21 de junho de 2006

Índice
Millôr
Claudio de Moura Castro
Diogo Mainardi
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Datas
Veja.com
Veja essa
Gente
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Cinema
Sem variações

Banderas é o trunfo do
previsível Vem Dançar


Isabela Boscov

O franco-espanhol Pierre Dulaine é três vezes campeão mundial de dança de salão e um sujeito abnegado. Há alguns anos, ele abriu espaço em sua agenda para ensinar valsa e foxtrote a pessoas que não poderiam estar menos interessadas na matéria: jovens tidos como irrecuperáveis das áreas barras-pesadas de Nova York. Graças a uma mistura de empatia e teimosia, ele fez a idéia vingar e virar um projeto que hoje envolve cerca de 40.000 alunos americanos – já retratado no bem-sucedido documentário Mad Hot Ballroom. Vem Dançar (Take the Lead, Estados Unidos, 2006), desde quinta-feira em cartaz no país, é a versão ficcionalizada da trajetória de Dulaine. No papel principal, o espanhol Antonio Banderas acerta o passo, interpretando o dançarino-professor com sobriedade e sem floreios desnecessários – exceto na cena em que baila um tango exuberante para demonstrar o potencial sedutor da dança a fãs de hip hop. Mas o trabalho da diretora Liz Friedlander é o de sempre: a enésima aplicação, sem variações, da fórmula usada pelo cinema americano para hagiografar mestres que conduzem seus pupilos da perdição à salvação. Pessoas como Dulaine sem dúvida merecem que se façam filmes sobre elas. Mas seria melhor se também os filmes merecessem ser vistos.

 
 
 
 
topovoltar