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Saúde
Tintim ao café
Cafezinho contra a cirrose alcoólica.
Pois é,
um estudo diz que ajuda muito a prevenir

Paula Neiva
Um estudo que acaba de ser publicado
pela revista científica americana Archives of Internal
Medicine reforça a teoria de que o café faz bem
para a saúde. Segundo o trabalho, a bebida protege o fígado
contra a cirrose alcoólica, doença que provoca a degeneração
das células hepáticas e pode levar ao câncer
e à falência do órgão. O estudo foi coordenado
por pesquisadores do Kaiser Permanente, um instituto de saúde
sem fins lucrativos, na Califórnia. Eles colheram informações
acerca dos hábitos de vida, do consumo de café e de
manifestação de doenças hepáticas de
cerca de 125.000 pessoas, ao longo de sete anos, e cruzaram os dados.
A conclusão é que o efeito protetor varia de acordo
com a dose quanto maior o consumo de café, maior é
também a proteção oferecida por ele. Beber
entre um e três cafezinhos por dia reduz em 40% os riscos
de cirrose, enquanto a ingestão de quatro xícaras
diárias diminui em até 80% a possibilidade de aparecimento
da doença. "Os indícios de que o café protege
o fígado, no entanto, não autorizam o consumo exagerado
de bebidas alcoólicas", disse a VEJA o cardiologista Arthur
Klatsky, o principal autor do estudo. Os pesquisadores acreditam
que os benefícios do café para o fígado não
se relacionam à cafeína, já que os riscos de
cirrose entre os consumidores de chá, que também contém
a substância, não caíram.
Os resultados da nova pesquisa
estão de acordo com as conclusões de outros estudos
sobre o tema realizados por diferentes universidades nos Estados
Unidos e na Itália nenhum deles, porém, com
uma população tão expressiva. Além da
ação contra a cirrose, há evidências
de que o café protege o fígado de tumores, como mostrou
um trabalho divulgado no ano passado pelo Instituto Nacional de
Câncer dos Estados Unidos. Segundo ele, cinco ou mais xícaras
ao dia são suficientes para cortar pela metade os riscos
de câncer hepático (mas deve ser de café americano,
aquele insuportável "chafé", e não de expresso,
mais encorpado). Também existem indícios fortes de
que o cafezinho de cada dia ajuda a memória e diminui os
riscos de diabetes tipo 2 (veja
o quadro). Alguns trabalhos, no entanto, associaram
o consumo da bebida ao aumento da pressão arterial e à
maior incidência de câncer de bexiga.
Embora os efeitos do café
sobre o organismo sejam objeto de estudo há décadas,
existem muitos pontos obscuros a respeito da relação
entre seu consumo e a saúde. "Ainda não se identificou
com precisão o papel de cada uma das substâncias presentes
no café", diz o cardiologista Luiz Antonio Machado César,
coordenador do grupo de estudos sobre o café e o coração,
do Instituto do Coração de São Paulo. "Há
dúvidas também a respeito dos processos químicos
responsáveis pelos benefícios já comprovados
da bebida." Na falta de respostas exatas, recomenda-se não
exagerar. Dois cafezinhos por dia, no máximo ninguém
precisa mais do que isso, não é mesmo?
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