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Tecnologia A
última travessura Adolescentes
usam toque de celular numa freqüência que muitos adultos não
escutam  Leoleli
Camargo 
Há
muito as escolas decretaram que telefone celular só entra em sala de aula
desligado e, de preferência, guardado bem no fundo da mochila. É
compreensível. Não faz sentido que a lição seja interrompida
pela versão digitalizada do último sucesso de Britney Spears
ou por coisa ainda pior. Agora, um grupo de adolescentes ingleses descobriu uma
maneira engenhosa de burlar essa norma. Eles criaram um toque de celular, semelhante
a um apito, que a maioria dos adultos não consegue ouvir. Com isso, podem
receber avisos de mensagens armazenadas no celular, ou até mesmo chamadas,
sem que a professora se dê conta da infração cometida bem
à sua frente. O segredo está na freqüência sonora em
que o toque é executado: 17 quilohertz, o que resulta num som extremamente
agudo. A ciência ensina que a perda gradativa da audição decorrente
da idade, ou presbiacusia, começa com a menor percepção dos
tons mais altos do espectro sonoro. O toque criado pelos garotos ingleses encontra-se
justamente numa faixa do espectro que não é percebida pela maioria
das pessoas com mais de 29 anos (veja
o quadro). "Em geral, não se percebe essa perda ao longo
da vida porque poucos sons que ouvimos no dia-a-dia são emitidos em freqüências
tão altas", explica o otorrinolaringologista Ricardo Bento, da Faculdade
de Medicina da Universidade de São Paulo.
O novo toque de celular já chegou aos adolescentes americanos via
internet, evidentemente e deve se disseminar ainda mais. O nome do inventor
da travessura ainda é um mistério, mas sabe-se que ele se baseou
num aparelho chamado Mosquito, lançado no ano passado por uma empresa de
sistemas de segurança inglesa, a Compound. Por ironia, o Mosquito é
um dispositivo para afugentar adolescentes que ficam perambulando em frente a
lojas, fazendo balbúrdia e atrapalhando o movimento de clientes. O aparelho
emite um apito agudo de 17 quilohertz de freqüência, incômodo
para quem tem menos de 18 anos e inaudível para quem tem mais de
30. Depois de poucos minutos, o ruído se torna tão irritante que
a garotada vai aprontar em outra freguesia.
O engenheiro Howard Stapleton, sócio da Compound e criador do Mosquito,
não tem idéia de como sua invenção virou toque de
celular. "É provável que algum jovem mais criativo tenha usado um
computador doméstico para pirateá-lo", disse ele a VEJA. Segundo
Stapleton, o som usado nos celulares não é o mesmo do aparelho,
mas é bastante parecido. Aproveitando as atenções voltadas
para sua empresa, Stapleton lançou um toque de celular igualzinho ao do
Mosquito, que se encontra à venda no site da Compound. Mesmo que não
fature muito com a venda do toque, a empresa já está no lucro: acaba
de assinar contrato com uma companhia americana para produzir e distribuir o repelente
de adolescentes em escala planetária. Tudo com a ajuda da garotada disposta
a enganar a professora. |