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Copa Cornetas
da TV
Ex-craques dizem ao vivo o
que jogador não ousa falar  Carlos
Maranhão, de Frankfurt
Divulgação
 | | Falcão
(à esq.), com Leonardo, Arnaldo Cezar Coelho e Galvão Bueno:
diplomacia |
Na gíria
do futebol, cornetas são aqueles torcedores influentes que adoram dar palpite
no time. Na Copa, os cornetas que contam são os ex-craques que viraram
comentaristas. Há muitos deles em ação na Alemanha, além
dos globais Falcão, conhecido pela diplomacia de suas intervenções,
e Casagrande, de língua mais solta (veja
reportagem). O líder de audiência no país anfitrião
é o ex-meio-campista Netzer, reserva da seleção campeã
em 1974. Encarnação do alemão sisudo, às vezes bate
duro na sua seleção. "Mas nunca faço comentários pessoais",
gosta de dizer, embora na semana passada tenha criticado o atacante Podolski por
perder um gol feito contra a Polônia. O oposto de Netzer é o ex-líbero
Lothar Matthäus, com uma rápida passagem pelo Brasil como técnico
do Atlético Paranaense. "Se eu estivesse lá, isso não teria
acontecido", afirmou diante de uma das falhas da defesa alemã no jogo com
a Costa Rica. "Klinsmann errou", cutucou depois, numa crítica ao técnico,
cujo cargo ele ambiciona abertamente.
A exemplo do que acontece no Brasil, o grande problema dos ex-jogadores que se
tornam comentaristas é que a maioria se coloca como referência. É
o que faz o italiano Paolo Rossi, autor dos três gols que eliminaram o Brasil
na Copa de 1982. "A Itália precisa ser um time unido como aquele", diz
para os telespectadores da Sky Sport. "Nossa grande dificuldade é que jogador
não aceita críticas", lamenta o ítalo-brasileiro José
Altafini, o centroavante Mazzola, campeão mundial em 1958, colega de Rossi
na emissora. "Uma vez eu falei que o atacante Inzaghi, do Milan, tinha virado
o rei do impedimento, de tanto que ficava em posição irregular,
e desde esse dia ele nunca mais me cumprimentou." De todos os comentaristas, o
mais desbocado vem sendo o ex-corintiano Neto. Quase sempre acima do peso quando
jogava, Neto acredita que, com sua vivência no assunto, desvendou o mistério
sobre até onde sobe o ponteiro da balança em que Ronaldo pisa. "Eu
me baseio por mim. Sempre menti sobre meu peso, que era uns 5 quilos acima do
que eu falava. Quase todo jogador faz isso. O Ronaldo chegou a uns 93 quilos,
deve ter perdido 7 e portanto agora está com 86." |