Edição 1961 . 21 de junho de 2006

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Copa
Cornetas da TV

Ex-craques dizem ao vivo
o que jogador não ousa falar


Carlos Maranhão, de Frankfurt

 
Divulgação
Falcão (à esq.), com Leonardo, Arnaldo Cezar Coelho e Galvão Bueno: diplomacia

Na gíria do futebol, cornetas são aqueles torcedores influentes que adoram dar palpite no time. Na Copa, os cornetas que contam são os ex-craques que viraram comentaristas. Há muitos deles em ação na Alemanha, além dos globais Falcão, conhecido pela diplomacia de suas intervenções, e Casagrande, de língua mais solta (veja reportagem). O líder de audiência no país anfitrião é o ex-meio-campista Netzer, reserva da seleção campeã em 1974. Encarnação do alemão sisudo, às vezes bate duro na sua seleção. "Mas nunca faço comentários pessoais", gosta de dizer, embora na semana passada tenha criticado o atacante Podolski por perder um gol feito contra a Polônia. O oposto de Netzer é o ex-líbero Lothar Matthäus, com uma rápida passagem pelo Brasil como técnico do Atlético Paranaense. "Se eu estivesse lá, isso não teria acontecido", afirmou diante de uma das falhas da defesa alemã no jogo com a Costa Rica. "Klinsmann errou", cutucou depois, numa crítica ao técnico, cujo cargo ele ambiciona abertamente.

A exemplo do que acontece no Brasil, o grande problema dos ex-jogadores que se tornam comentaristas é que a maioria se coloca como referência. É o que faz o italiano Paolo Rossi, autor dos três gols que eliminaram o Brasil na Copa de 1982. "A Itália precisa ser um time unido como aquele", diz para os telespectadores da Sky Sport. "Nossa grande dificuldade é que jogador não aceita críticas", lamenta o ítalo-brasileiro José Altafini, o centroavante Mazzola, campeão mundial em 1958, colega de Rossi na emissora. "Uma vez eu falei que o atacante Inzaghi, do Milan, tinha virado o rei do impedimento, de tanto que ficava em posição irregular, e desde esse dia ele nunca mais me cumprimentou." De todos os comentaristas, o mais desbocado vem sendo o ex-corintiano Neto. Quase sempre acima do peso quando jogava, Neto acredita que, com sua vivência no assunto, desvendou o mistério sobre até onde sobe o ponteiro da balança em que Ronaldo pisa. "Eu me baseio por mim. Sempre menti sobre meu peso, que era uns 5 quilos acima do que eu falava. Quase todo jogador faz isso. O Ronaldo chegou a uns 93 quilos, deve ter perdido 7 e portanto agora está com 86."

 
 
 
 
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