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Copa Os
pastores dos campos Eles não fazem
parte da comissão técnica, mas também instruem seus
jogadores. É o time do Evangelho  André
Fontenelle, de Berlim André
Fontenelle
 | Lemy
Martins
 | | Alex
Dias Ribeiro (à esq. e na foto à dir. , nos tempos de piloto)
e Anselmo Reichardt: a fé de Davi que vence o gigante Golias |
Às
vésperas de cada partida do Brasil na Copa, dois batistas entram discretamente
na concentração e se reúnem com um grupo de jogadores. Nessas
reuniões sempre é discutido um trecho da Bíblia e
como ele se aplica à vida dos craques e à disputa pelo título
mundial. O time de evangélicos no elenco de Parreira é grande. Inclui
Kaká, Zé Roberto, Lúcio, Cris, Gilberto, Luisão e
Mineiro. Todos costumam participar dos encontros religiosos nos hotéis
em que se hospedam na Alemanha. Os
evangélicos são o pastor paranaense Anselmo Reichardt, de 47 anos,
e o mineiro Alex Dias Ribeiro, de 57, ambos ex-esportistas. Reichardt foi ponta-direita
do Atlético Paranaense nos anos 80 e Dias Ribeiro, piloto de Fórmula
1 na década de 70. Os dois são pioneiros dos Atletas de Cristo,
entidade criada há duas décadas com o objetivo de "promover por
todos os meios a proclamação do Evangelho através do esporte".
Já nos tempos de piloto, Dias Ribeiro disputava grandes prêmios com
a inscrição "Cristo salva", em inglês ou português,
no capacete ou no carro de corrida.
A relação entre os evangélicos e a seleção
é antiga. Nos anos 80, o goleiro João Leite, do Atlético
Mineiro, tornou-se um dos primeiros a usar o futebol para divulgar sua fé.
Na seleção tetracampeã de 1994, o evangélico mais
notório era o lateral Jorginho, hoje presidente dos Atletas de Cristo.
No início do ano, quando era técnico do América do Rio de
Janeiro, Jorginho trocou o símbolo do clube um capeta, vade retro!
por uma águia. "O diabo é o maior perdedor da história",
explicou. O América não ganha o campeonato carioca desde 1960. Neste
ano, exorcizado o demônio, chegou às semifinais pela primeira vez
em duas décadas. Na seleção brasileira, o contato entre os
pastores e os jogadores surgiu por intermédio do zagueiro Lúcio,
cujo empresário conhecia Reichardt. Patrik
Stollarz/AFP
 | | Zé
Roberto e a religião: "alimentar a carne e o espírito" |
As reuniões não ocorrem apenas na véspera dos jogos. Pelo
menos quatro foram realizadas no hotel de Königstein onde a seleção
permaneceu até sexta-feira. Toma-se o cuidado de não atrapalhar
a programação do time. "Só nos encontramos em horas livres,
pela manhã, com autorização do professor Parreira", conta
Reichardt. O técnico da seleção já declarou que a
religiosidade de parte dos jogadores não interfere em seu trabalho. Por
isso, autorizou os encontros. Em cada um deles estuda-se um trecho diferente das
Escrituras. Recentemente, por exemplo, tratou-se do primeiro livro de Samuel,
que narra a luta entre Davi e Golias. "Golias foi para a batalha confiando somente
em si, enquanto Davi estava bem treinado, mas também confiava em Deus",
afirma Reichardt. Na recém-lançada versão da Bíblia
dos Atletas de Cristo, Davi diz a Golias: "Você vem contra mim com espada,
lança e dardo. Mas eu vou contra você em nome do Senhor Todo-Poderoso".
A lição desse confronto, segundo Reichardt, se aplica a situações
como a vivida na estréia da seleção contra a Croácia
embora, a rigor, o Brasil esteja nesta Copa mais para Golias do que para
Davi. Coincidência ou não,
os evangélicos Kaká, Lúcio e Zé Roberto destacaram-se
na vitória por 1 a 0. "A palavra e a vida de Jesus nos ensinam a ajudar
uns aos outros nos momentos difíceis", acredita Zé Roberto, que
joga na Alemanha e assinou uma autobiografia, Traumpass ins Leben (algo
como Passe de Craque para a Vida), sobre a importância da fé para
sua carreira. "Assim como o ser humano precisa alimentar a carne, para ser forte
também se deve alimentar o espírito", prega. Com
reportagem de Letícia Sorg |