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Brasil A
última dos tucanos Amigo de toda
a cúpula do PSDB, Tom Cavalcante prova que a unanimidade no partido
é uma piada  Juliana
Linhares
Roberto
Setton
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Ele recebe Fernando Henrique Cardoso para jantar, chama Aécio Neves
de "Aecinho" e é íntimo de Tasso Jereissati. Mário Covas
era seu fã, Geraldo Alckmin já se declarou "apaixonado" por ele
e até o ex-prefeito José Serra, que, segundo um amigo, "não
acha graça em nada", riu de seus shows mais de uma vez. Em tempos de diáspora
tucana, o comediante Tom Cavalcante é uma das raras unanimidades no PSDB.
Aos próceres do partido, agradam o seu humor mimético e, claro,
seu tucanismo empedernido. "Sou PSDB desde criancinha", afirma. O jantar que ofereceu
no mês passado ao ex-presidente Fernando Henrique, por exemplo, teve no
cardápio (além de caviar, lagostins, camarões, trufas e champanhe
francês) uma imitação do presidente Lula que levou a ex-primeira-dama
Ruth Cardoso às gargalhadas e declarações entusiasmadas do
anfitrião em favor do candidato à Presidência pelo PSDB, Geraldo
Alckmin (por sua vez, uma unanimidade bem menos espontânea, por assim dizer,
na cúpula peessedebista). Nascido
em Fortaleza, Tom entrou para o ninho tucano pelas mãos do atual presidente
do PSDB, o senador Tasso Jereissati, também cearense. Ele estava com 24
anos e era locutor de rádio quando, em 1986, foi chamado para animar os
comícios do então candidato ao governo do Ceará. "Ele imitava
a mim e aos meus adversários no palanque. As pessoas se rasgavam de rir",
conta o senador. Presente em um desses comícios, o ex-governador de São
Paulo Mário Covas, morto em 2001, gostou do estilo do comediante e o contratou
para acompanhá-lo em viagens pelo Brasil, durante sua campanha para a Presidência
em 1989. "O Tom imitava a voz gutural do Mário e a maneira de ele embolar
as palavras", diz o vereador Tião Farias. "O Mário se divertia e,
reservadamente, me perguntou várias vezes se falava mesmo daquele jeito."
De Aécio Neves, com quem joga futebol sempre que vai a Minas, Tom se aproximou
por intermédio do cantor Fagner (que se tornou amigo do governador mineiro
há vinte anos). Assim, quando deu por si, o humorista havia
percorrido o circuito tucano completo, cujos quartéis-generais se encontram
precisamente nos estados do Ceará, São Paulo e Minas Gerais. "Já
rodei o Brasil inteiro fazendo comícios do PSDB", diz.
Filho de um comerciante e de uma dona-de-casa, o comediante cursou até
o ensino médio. Antes de surgir na Rede Globo, como o bêbado João
Canabrava, da Escolinha do Professor Raimundo, tentou ser jogador de futebol
e trabalhou como apresentador de eventos. Hoje, é um dos maiores salários
da Rede Record estima-se que seus ganhos mensais cheguem a 500.000 reais.
O sucesso na carreira, bem como a convivência com o mundo dos políticos
e empresários, refinou-lhe os hábitos. Em pouco tempo, Tom cumpriu
todo o roteiro dos talentos tardiamente abençoados pela fortuna: fez curso
de vinhos, tornou-se um apreciador de charutos e, claro, começou a freqüentar
leilões de gado (recentemente, em um evento em São Paulo apinhado
de estrelas da Globo, arrematou quatro bezerras da raça simental por 336.000
reais). Também tentou aprender inglês e espanhol e passou a assinar
três jornais para informar-se sobre política. Nesse sentido, seus
esforços não foram propriamente um sucesso. As línguas, ele
desistiu de estudar, e, quanto a seu tirocínio político bem,
não há nada de autonomia aí, segundo seus amigos. "Tom diz
e pensa o que diz e pensa o Tasso Jereissati. O senador é o seu guru",
afirma um deles. Foi estimulado pelo guru Jereissati que, no início do
governo Lula, o comediante ligou para o telefone celular de diversos parlamentares,
fazendo-se passar pelo presidente da República, supostamente furioso com
a inépcia com que vinha sendo defendido por sua base aliada. "Tom berrava
e dizia palavrões horrorosos aos deputados", diverte-se o senador. Caíram
no trote, segundo o tucano, os senadores Tião Viana (AC) e Aloizio Mercadante
(SP). Pode-se dizer que tanto o episódio quanto o comportamento de seus
protagonistas são de gosto duvidoso. Mas, quando se considera a situação
do candidato do PSDB à Presidência (29 pontos porcentuais atrás
de Lula, segundo a última pesquisa de intenção de voto feita
pelo Ibope) além do fato de que, desde o início da pré-campanha,
seus integrantes não param de brigar entre si e alimentar desconfianças
mútuas , é fácil concluir que os tucanos andam mesmo
precisando é de bom humor.
O TOM DA CAMPANHA
A longa folha de serviços prestados ao PSDB começou com a participação
em comícios para eleger Tasso Jereissati governador do Ceará. De
lá para cá, Tom percorreu o circuito tucano. Em Minas, tornou-se
amigo de Aécio; em São Paulo, aproximou-se de Covas, FHC e, agora,
Alckmin Fotos
arquivo pessoal
 |  | MÁRIO
COVAS Com o ex-governador e sua mulher, Lila
Covas | AÉCIO NEVES
Tom chama o governador de Minas de "Aecinho" |
 |  | FHC
Com o ex-presidente (de costas, Tasso Jereissati) | AGORA,
ALCKMIN O ex-governador e Lu Alckmin, ao
lado de Tom e a mulher, Patrícia |
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