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Diogo
Mainardi
Teodoro e Teodorino
"Teodoro Mbasogo é o ditador da
Guiné
Equatorial. Teodorino é seu filho. No
mundo inteiro, só consegui encontrar
esses dois casos de presidentes em
exercício cujos filhos controlam canais
de TV: Lula e Lulinha, Teodoro e Teodorino"
Lula e Lulinha são como
Teodoro e Teodorino. Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, conhecido como
"O Chefe", é o ditador da Guiné Equatorial. Está
no poder desde 1979. Teodorino é seu filho. Tem um canal
de TV. Internetei para cima e para baixo e, no mundo inteiro, só
consegui encontrar esses dois casos de presidentes em exercício
cujos filhos controlam canais de TV: Lula e Lulinha, Teodoro e Teodorino.
O canal de Teodorino é
o RTV Asonga. O de Lulinha é o Play TV, antigo Canal 21,
arrendado à Gamecorp pela Rede Bandeirantes. O contrato de
arrendamento entre as duas empresas vale por dez anos. Inicialmente,
a Gamecorp transmitirá seus programas por seis horas diárias,
mas a idéia é se estender pelo dia todo. O sócio
esperto de Lulinha, Fernando Bittar, é quem realmente manda
na emissora. Lulinha é encarregado apenas de emprestar seu
nome e embolsar os lucros.
Por mais de trinta anos, Lula
e seus parceiros denunciaram o chamado coronelismo eletrônico,
o sistema de favorecimento que garantiu a concessão de canais
de TV, em nome próprio ou de parentes, a hierarcas nordestinos
como José Sarney, Fernando Collor de Mello, ACM, Jader Barbalho,
Garibaldi Alves, Albano Franco, Tasso Jereissati. Agora que Lulinha
tomou posse de um canal de TV, ninguém parece se preocupar
com isso, em particular os pelegos lulistas que controlam os sindicatos
de jornalistas. Eu sempre desconfiei que o real desejo de Lula fosse
virar um José Sarney. Pronto: virou. Lula e Lulinha são
como Sarney e Sarneyzinho.
O arrendamento de um canal de
TV pela Gamecorp não é só uma arbitrariedade
política: é uma ilegalidade. Nas duas últimas
semanas, amolei um monte de especialistas no assunto, que me apontaram
todas as normas que estão sendo flagrantemente violadas pelos
benfeitores de Lulinha. Eu sei que essas questões legais
são uma chatice, mas a análise sobre o lulismo, por
algum motivo, sempre acaba no mesmo lugar: no Código Penal.
Um canal de TV não pode
ser explorado por uma empresa que tenha mais de 30% de seu capital
social nas mãos de estrangeiros. Está no artigo 222
da Carta Constitucional. A Lei nº 10610, que regulamenta a
matéria, considera "nulo qualquer acordo, ato ou contrato
que, direta ou indiretamente, de direito ou de fato, mediante encadeamento
de outras empresas ou por qualquer outro meio indireto", confira
aos acionistas estrangeiros mais de 30% de um canal de TV. É
o caso de Lulinha. O capital social da Gamecorp, de 5,2 milhões
de reais, saiu quase integralmente da Telemar. A Telemar é
uma empresa aberta, negociada nas bolsas de São Paulo e de
Nova York. De acordo com os dados fornecidos pela própria
operadora, os acionistas estrangeiros possuem 54,3% de seu capital
social, superando amplamente o limite de 30%. Ou seja, o contrato
de Lulinha é ilegal. Pior: é inconstitucional.
Lula, "O Chefe", não cairá
por causa disso. Mas espero que seja o suficiente para melar o negócio
de seu filho.
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