TELEVISÃO
O Laboratório da História
(segunda a sexta, à
0h, no GNT) Programas com a grife do Channel 4 britânico
costumam ser um tiro certeiro: além da produção
esmerada, o canal geralmente oferece um enfoque inovador
sobre os assuntos de que trata. Não é diferente
nesta saborosa série documental em seis capítulos.
Em cada um deles, fatos do passado que ainda hoje causam
controvérsia são recontados com base em detalhes
pouco relatados nos livros de história. Além
disso, a equipe de filmagem se propõe a explicar
alguns desses mistérios com a ajuda de modernas técnicas
de medicina legal, engenharia genética e bioquímica.
No episódio que vai ao ar nesta quarta-feira, o tema
é a tragédia do dirigível Hindenburg,
cuja queda, em 1937, provocou a morte de 36 pessoas nos
Estados Unidos.
Tributo a Irving Berlin (segunda
a sexta, às 22h, no Telecine 5) Russo radicado
nos Estados Unidos, Irving Berlin (1888-1989) foi um dos
grandes compositores do século. Iniciou sua trajetória
nos tempos da I Guerra Mundial, quando escreveu peças
de sucesso para a Broadway, e acabou tornando-se uma celebridade
mundial com a explosão dos musicais de Hollywood,
a partir dos anos 30. Neste ciclo em sua homenagem, a pedida
são cinco clássicos quatro deles inéditos
na televisão recheados da melhor música
de Berlin. A lista de filmes inclui Epopéia
do Jazz (segunda), Sucedeu
no Carnaval (terça),
Sua Excelência, a Embaixatriz
(quarta) e Avenida
dos Milhões (sexta).
O melhor momento do festival, entretanto, é o delicioso
Duas Semanas de Prazer (quinta).
A produção, de 1942, é estrelada por
Fred Astaire e Bing Crosby e rendeu a Berlin seu único
Oscar, pela canção White
Christmas.
DISCOS
Riding
with the King, Eric Clapton
& B. B. King (WEA Music) Depois de trinta anos de
espera, enfim dois dos maiores guitarristas de todos os
tempos atuam no mesmo disco. O inglês Eric Clapton,
que já foi chamado de "Deus", e o americano B. B.
King, uma das últimas lendas vivas do blues, se conheceram
em 1967, durante uma apresentação do último
em Nova York. Desde então, sonhavam em gravar um
disco juntos. O desejo se realiza em Riding
with the King, que,
mais do que um simples encontro,
é uma declaração de amor à música
negra. A dupla arrepia em um repertório que inclui
clássicos do blues e da soul music, além de
novas canções. É de admirar o respeito
de Clapton em relação ao parceiro. Apesar
de seu talento inegável na guitarra, ele deixa B.
B. King brilhar em boa parte dos solos do CD. Isso ocorre,
por exemplo, em The Long Years,
um dos cavalos de batalha do repertório do americano.
Summer
in the City, Joe Jackson
(Sony Music) Este cantor e pianista inglês surgiu
em meio à explosão do movimento punk, nos
anos 70, mas sempre esteve vários passos adiante
da rapaziada de cabelo espetado. Jackson fazia rebuscadas
pesquisas musicais, lançando discos influenciados
pelos ritmos caribenhos e pelo jazz. Seu empenho foi premiado
na década de 80, quando o LP Night
and Day homenagem ao compositor
americano Cole Porter estourou nas paradas do mundo todo.
Summer in the City,
gravado ao vivo em Nova York, marca o reencontro de Jackson
com o pop, depois de passar os últimos anos compondo
trilhas para cinema. Em uma noite inspirada, ele interpretou
suas canções mais badaladas (entre elas You
Can't Get what You Want,
sucesso no Brasil) e fez releituras de Eleanor
Rigby, dos Beatles, e Mood
Indigo, de Duke Ellington.
Every
Thing I Have Is Yours,
Sarah Vaughan; Cruisin'
With Cab, Cab Calloway
& His Orchestra; Let
Me Off Uptown, Gene Krupa
(Trama) Especializado em garimpar pepitas dos grandes
nomes do jazz, o selo americano Drive finalmente chega ao
Brasil, distribuído pela gravadora Trama. Pelo menos
três discos de seu catálogo podem ser considerados
essenciais. Every Thing I
Have Is Yours apresenta gravações
de Sarah Vaughan na década de 40. A cantora está
próxima da perfeição em faixas como
September Song,
do compositor alemão Kurt Weill, e Lover
Man esta com o saxofonista
Charlie Parker e o trompetista Dizzy Gillespie, que estavam
para o bebop assim como Pelé e Coutinho para o futebol.
Cruisin' With Cab
traz o fino do swing a cargo da orquestra do crooner Cab
Calloway, artista de ponta da lendária boate de jazz
Cotton Club. Em Let Me Off
Uptown, o destaque
é Gene Krupa, um dos bateristas mais técnicos
de todos os tempos.
LIVROS
Liane Neves

|
Liane Neve |
| Scliar: obra curta e
bem-humorada |
Kafka e os Leopardos,
de Moacyr Scliar (Companhia das Letras; 117 páginas;
16 reais) O gaúcho Moacyr Scliar não dorme
no ponto. Mal acabou de festejar o Prêmio Jabuti recebido
por seu romance de 1999, A
Mulher que Escreveu a Bíblia,
e já está com uma nova obra nas livrarias.
O texto faz parte da coleção Literatura e
Morte, da editora Companhia das Letras, e traz as marcas
habituais de um bom livro do autor: é curto e muito
engraçado. Parte da narrativa de Kafka
e os Leopardos passa-se
no Brasil, no presente. Mas a maior fatia do enredo tem
lugar na Europa do Leste, no comecinho do século.
É lá que um jovem revolucionário, apelidado
de Ratinho, tenta cumprir uma missão secreta e acaba
confundindo o enigmático escritor checo Franz Kafka,
autor de livros como A Metamorfose,
com um militante comunista. A partir daí, Ratinho
vai se enredar numa fantástica comédia de
erros. Aproveitando esse mote, Scliar reflete, com muita
ironia, sobre os embates entre a política e a arte.
Portões
de Fogo, de Steven Pressfield
(tradução de Ana Luiza Dantas Borges; Objetiva;
395 páginas; 35,90 reais) Num momento em que romances
sobre a antiguidade parecem ter virado mania, este livro
é uma grata surpresa. Ele é consideravelmente
melhor do que outras obras do gênero, como a série
sobre Ramsés, do egiptólogo francês
Christian Jacq, ou a série sobre Alexandre, o Grande,
escrita pelo italiano Valerio Massimo Manfredi. O tema de
Portões de Fogo,
cujos direitos cinematográficos já foram adquiridos
pelo diretor Michael Mann, é a batalha de Termópilas,
que opôs os gregos e os persas em 480 a.C. Nesse confronto
legendário, 300 guerreiros espartanos comandados
pelo general Leônidas enfrentaram de maneira suicida
o gigantesco exército do rei persa Xerxes, conseguindo
impingir-lhe pesadas baixas. Pressfield, que é americano,
compõe grandiosas cenas de guerra, mas não
pára por aí: seus diálogos e descrições
transpiram autenticidade. Um épico que até
os gregos antigos acostumados a Homero leriam com prazer.