Edição 1 654 -21/6/2000

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TELEVISÃO

O Laboratório da História (segunda a sexta, à 0h, no GNT) – Programas com a grife do Channel 4 britânico costumam ser um tiro certeiro: além da produção esmerada, o canal geralmente oferece um enfoque inovador sobre os assuntos de que trata. Não é diferente nesta saborosa série documental em seis capítulos. Em cada um deles, fatos do passado que ainda hoje causam controvérsia são recontados com base em detalhes pouco relatados nos livros de história. Além disso, a equipe de filmagem se propõe a explicar alguns desses mistérios com a ajuda de modernas técnicas de medicina legal, engenharia genética e bioquímica. No episódio que vai ao ar nesta quarta-feira, o tema é a tragédia do dirigível Hindenburg, cuja queda, em 1937, provocou a morte de 36 pessoas nos Estados Unidos.

Tributo a Irving Berlin (segunda a sexta, às 22h, no Telecine 5) – Russo radicado nos Estados Unidos, Irving Berlin (1888-1989) foi um dos grandes compositores do século. Iniciou sua trajetória nos tempos da I Guerra Mundial, quando escreveu peças de sucesso para a Broadway, e acabou tornando-se uma celebridade mundial com a explosão dos musicais de Hollywood, a partir dos anos 30. Neste ciclo em sua homenagem, a pedida são cinco clássicos – quatro deles inéditos na televisão – recheados da melhor música de Berlin. A lista de filmes inclui Epopéia do Jazz (segunda), Sucedeu no Carnaval (terça), Sua Excelência, a Embaixatriz (quarta) e Avenida dos Milhões (sexta). O melhor momento do festival, entretanto, é o delicioso Duas Semanas de Prazer (quinta). A produção, de 1942, é estrelada por Fred Astaire e Bing Crosby e rendeu a Berlin seu único Oscar, pela canção White Christmas.

 

DISCOS

Riding with the King, Eric Clapton & B. B. King (WEA Music) – Depois de trinta anos de espera, enfim dois dos maiores guitarristas de todos os tempos atuam no mesmo disco. O inglês Eric Clapton, que já foi chamado de "Deus", e o americano B. B. King, uma das últimas lendas vivas do blues, se conheceram em 1967, durante uma apresentação do último em Nova York. Desde então, sonhavam em gravar um disco juntos. O desejo se realiza em Riding with the King, que, mais do que um simples encontro, é uma declaração de amor à música negra. A dupla arrepia em um repertório que inclui clássicos do blues e da soul music, além de novas canções. É de admirar o respeito de Clapton em relação ao parceiro. Apesar de seu talento inegável na guitarra, ele deixa B. B. King brilhar em boa parte dos solos do CD. Isso ocorre, por exemplo, em The Long Years, um dos cavalos de batalha do repertório do americano.

Summer in the City, Joe Jackson (Sony Music) – Este cantor e pianista inglês surgiu em meio à explosão do movimento punk, nos anos 70, mas sempre esteve vários passos adiante da rapaziada de cabelo espetado. Jackson fazia rebuscadas pesquisas musicais, lançando discos influenciados pelos ritmos caribenhos e pelo jazz. Seu empenho foi premiado na década de 80, quando o LP Night and Day – homenagem ao compositor americano Cole Porter – estourou nas paradas do mundo todo. Summer in the City, gravado ao vivo em Nova York, marca o reencontro de Jackson com o pop, depois de passar os últimos anos compondo trilhas para cinema. Em uma noite inspirada, ele interpretou suas canções mais badaladas (entre elas You Can't Get what You Want, sucesso no Brasil) e fez releituras de Eleanor Rigby, dos Beatles, e Mood Indigo, de Duke Ellington.

Every Thing I Have Is Yours, Sarah Vaughan; Cruisin' With Cab, Cab Calloway & His Orchestra; Let Me Off Uptown, Gene Krupa (Trama) – Especializado em garimpar pepitas dos grandes nomes do jazz, o selo americano Drive finalmente chega ao Brasil, distribuído pela gravadora Trama. Pelo menos três discos de seu catálogo podem ser considerados essenciais. Every Thing I Have Is Yours apresenta gravações de Sarah Vaughan na década de 40. A cantora está próxima da perfeição em faixas como September Song, do compositor alemão Kurt Weill, e Lover Man – esta com o saxofonista Charlie Parker e o trompetista Dizzy Gillespie, que estavam para o bebop assim como Pelé e Coutinho para o futebol. Cruisin' With Cab traz o fino do swing a cargo da orquestra do crooner Cab Calloway, artista de ponta da lendária boate de jazz Cotton Club. Em Let Me Off Uptown, o destaque é Gene Krupa, um dos bateristas mais técnicos de todos os tempos.

 

LIVROS

Liane Neves
Liane Neve
Scliar: obra curta e bem-humorada

Kafka e os Leopardos, de Moacyr Scliar (Companhia das Letras; 117 páginas; 16 reais) – O gaúcho Moacyr Scliar não dorme no ponto. Mal acabou de festejar o Prêmio Jabuti recebido por seu romance de 1999, A Mulher que Escreveu a Bíblia, e já está com uma nova obra nas livrarias. O texto faz parte da coleção Literatura e Morte, da editora Companhia das Letras, e traz as marcas habituais de um bom livro do autor: é curto e muito engraçado. Parte da narrativa de Kafka e os Leopardos passa-se no Brasil, no presente. Mas a maior fatia do enredo tem lugar na Europa do Leste, no comecinho do século. É lá que um jovem revolucionário, apelidado de Ratinho, tenta cumprir uma missão secreta e acaba confundindo o enigmático escritor checo Franz Kafka, autor de livros como A Metamorfose, com um militante comunista. A partir daí, Ratinho vai se enredar numa fantástica comédia de erros. Aproveitando esse mote, Scliar reflete, com muita ironia, sobre os embates entre a política e a arte.

Portões de Fogo, de Steven Pressfield (tradução de Ana Luiza Dantas Borges; Objetiva; 395 páginas; 35,90 reais) – Num momento em que romances sobre a antiguidade parecem ter virado mania, este livro é uma grata surpresa. Ele é consideravelmente melhor do que outras obras do gênero, como a série sobre Ramsés, do egiptólogo francês Christian Jacq, ou a série sobre Alexandre, o Grande, escrita pelo italiano Valerio Massimo Manfredi. O tema de Portões de Fogo, cujos direitos cinematográficos já foram adquiridos pelo diretor Michael Mann, é a batalha de Termópilas, que opôs os gregos e os persas em 480 a.C. Nesse confronto legendário, 300 guerreiros espartanos comandados pelo general Leônidas enfrentaram de maneira suicida o gigantesco exército do rei persa Xerxes, conseguindo impingir-lhe pesadas baixas. Pressfield, que é americano, compõe grandiosas cenas de guerra, mas não pára por aí: seus diálogos e descrições transpiram autenticidade. Um épico que até os gregos antigos acostumados a Homero leriam com prazer.

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Saraiva, Livraria Ed. Porto Alegre, Sulina, Siciliano; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva; Maceió: Sodiler; Recife: Sodiler, Saraiva; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Livraria Curitiba, Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Leitura, Siciliano.