Edição 1 654 -21/6/2000

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Rir para esquecer

Lista das 100 melhores comédias americanas
comprova que crise faz bem para o humor

Isabela Boscov

Criado em 1965, o American Film Institute (AFI) era uma instituição que cuidava apenas de assuntos elevados, como a preservação da memória cinematográfica dos Estados Unidos. Pois o AFI achou um jeito de ir aonde o povo está: usando como pretexto o centenário do cinema, passou a elaborar uma série de listas de "100 Mais". A primeira, em 1998, trazia os 100 maiores filmes do século – um sucesso absoluto, já que foi esquadrinhada por praticamente toda a imprensa mundial. No ano passado, divulgou-se uma seleção de astros. Na terça-feira, chegou a vez dos 100 filmes mais engraçados da história. Como nas outras ocasiões, um enorme contingente de artistas, críticos e historiadores votou com base em 500 títulos propostos pelo AFI. O primeiro lugar, previsivelmente, foi para Quanto Mais Quente Melhor, uma atuação antológica de Marilyn Monroe.

A década que aparece com mais freqüência na compilação do AFI é a de 80, com 22 títulos. É fácil explicar: ela marca a popularização do gênero "besteirol". Os anos 30 e 40 respondem por um terço da lista. Explica-se: nessas décadas, reinaram os irmãos Marx, Katharine Hepburn e Cary Grant, entre outros atores geniais. Os diretores que bolavam essas comédias também eram grandes. Contam-se entre eles Howard Hawks, Preston Sturges, George Cukor e o alemão Ernst Lubitsch, autor do clássico Ninotchka, no qual a taciturna Greta Garbo foi vista rindo pela primeira vez nas telas.

O filé mignon da comédia americana surgiu numa época difícil, em que os Estados Unidos atravessavam a Depressão. Mal saiu dela, o país se engajou nos combates sangrentos da II Guerra. Para quem acha que a especialidade de Hollywood é fugir da realidade pela tangente da fantasia, está aí um bom argumento. Mas a principal lição que se pode tirar da lista diz mais respeito à humanidade do que especificamente aos americanos: como se suspeitava, não há mesmo melhor combustível para o humor do que a crise.

 

Saiba mais
Da internet
  American Film Institute