Cai a máscara
Zorro, quem diria, nasceu num
romance barato de 1919
Carlos Graieb
Qual
a origem do Zorro? Seria ele um personagem folclórico?
Ou o herói cinematográfico perfeito para atores
canastrões como Antonio Banderas? Se você não
sabe a resposta, lá vai: o lendário espadachim
mascarado surgiu em 1919 e foi criação do
romancista americano Johnston McCulley. Quem quiser conferir
sua primeira aventura pode encontrá-la no livro A
Marca do Zorro, que acaba de sair em português
(tradução de Lilian Somavilla e Y. Cecília
Levy; Panda Books; 238 páginas; 26 reais). Mas é
bom ir logo avisando: o livro, cujo título original
foi A Maldição de Capistrano, vale
mais pela cubiosidade do que pelo texto, que é pura
ficção barata. Por certo é divertido
descobrir que o impagável sargento Garcia primeiro
se chamou Gonzales. Ou, então, que o famoso "Z" talhado
a espada não existe no livro, tendo surgido apenas
quando o Zorro ganhou vida no cinema. O fato, porém,
é que McCulley era um autor de terceira. Nem percebeu
que tinha nas mãos um personagem de forte potencial.
Tanto assim que terminou A Marca do Zorro rasgando
a máscara do herói e revelando sua identidade
secreta. Levando isso em conta, o último capítulo
do livro até que possui um título adequado:
"Que bobagem!"