Edição 1 654 -21/6/2000

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Cai a máscara

Zorro, quem diria, nasceu num
romance barato de 1919

Carlos Graieb

Qual a origem do Zorro? Seria ele um personagem folclórico? Ou o herói cinematográfico perfeito para atores canastrões como Antonio Banderas? Se você não sabe a resposta, lá vai: o lendário espadachim mascarado surgiu em 1919 e foi criação do romancista americano Johnston McCulley. Quem quiser conferir sua primeira aventura pode encontrá-la no livro A Marca do Zorro, que acaba de sair em português (tradução de Lilian Somavilla e Y. Cecília Levy; Panda Books; 238 páginas; 26 reais). Mas é bom ir logo avisando: o livro, cujo título original foi A Maldição de Capistrano, vale mais pela cubiosidade do que pelo texto, que é pura ficção barata. Por certo é divertido descobrir que o impagável sargento Garcia primeiro se chamou Gonzales. Ou, então, que o famoso "Z" talhado a espada não existe no livro, tendo surgido apenas quando o Zorro ganhou vida no cinema. O fato, porém, é que McCulley era um autor de terceira. Nem percebeu que tinha nas mãos um personagem de forte potencial. Tanto assim que terminou A Marca do Zorro rasgando a máscara do herói e revelando sua identidade secreta. Levando isso em conta, o último capítulo do livro até que possui um título adequado: "Que bobagem!"