Edição 1 654 -21/6/2000

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O novo desafio do número 1

De tranças e com nova namorada,
Guga tenta vencer em Wimbledon

Sérgio Ruiz Luz

Reuters
AP

De visual rastafári e com a taça de Roland Garros: a meta agora é surpreender no torneio inglês

Mal refeito da comemoração do bicampeonato em Roland Garros, na França, no último domingo 11, Guga já está diante de um novo desafio. E que desafio. O brasileiro número 1 do tênis mundial irá defender sua liderança no tradicional torneio de Wimbledon, em Londres. Ao lado do Aberto da Austrália, de Roland Garros e do Aberto dos Estados Unidos, Wimbledon faz parte do Grand Slam, o trecho mais nobre do circuito mundial do tênis. O que o torna uma raridade quase exótica é o fato de ser jogado em quadras de grama. O tapete verde representa um desafio quase intransponível para os jogadores especializados em pisos de saibro. É o caso do ídolo catarinense. Todos os oito títulos importantes conquistados por ele foram na terra batida vermelha. Em Wimbledon, Kuerten sente-se um peixe fora d'água. Nas duas primeiras vezes em que esteve por lá, não passou da rodada inicial. No ano passado, avançou até as quartas-de-final. Apesar disso, os especialistas vêem com otimismo o futuro do brasileiro nas quadras londrinas. "Ele evoluiu muito em fundamentos como o saque e a devolução, o que o deixa pronto para jogar bem em qualquer lugar", afirma o treinador Paulo Cleto, ex-capitão do time brasileiro na Copa Davis.

 
Marcelo Ruschel

Melissa Arce, 19 anos, a modelo da vez: filmando todos os passos do jogador


Ao voltar da França, na última terça, Guga teve uma recepção monumental. Desembarcou no Aeroporto de Florianópolis e foi ovacionado por uma multidão que o esperava. Ainda desconfortável no papel de estrela, recusou o carro de bombeiro que lhe ofereceram para desfilar na cidade. Aproveitou a volta à sua cidade para, mais uma vez, mudar o visual. No lugar do cabelo desgrenhado, apareceu com trancinhas rastafári, ao estilo de seu ídolo musical, o jamaicano Bob Marley. No campo sentimental, parece ter esquecido definitivamente o relacionamento tumultuado com a insinuante Vanessa Schütz, futura capa da revista Playboy. A bola da vez é outra modelo, a santista Melissa Arce, 19 anos. Os dois se conheceram no começo do ano em Miami. Desde então, a bela morena já foi vista várias vezes a seu lado. Em Paris, câmara de vídeo em punho, ela filmou todos os passos do tenista. Nenhum dos dois confirma o namoro. Guga pretende aproveitar o resto do tempo no Brasil e treinar firme para a disputa do torneio de Wimbledon.

O tênis disputado na grama e o praticado no saibro parecem dois esportes diferentes (veja quadro). Na terra batida, o jogo é mais lento, a bola quica numa altura maior e os atletas ficam no fundo da quadra, trocando golpes à exaustão, em ralis que duram em média oito segundos. No tapete verde de Wimbledon, a decisão dos pontos é quase três vezes mais rápida. Na maior parte das vezes, o jogador dispara um torpedo de mais de 180 quilômetros horários no saque e corre em direção à rede para matar com um voleio a resposta do adversário. Bem ao estilo inglês, o campeonato criado em 1877 preserva uma série de tradições. É o único do circuito em que Gustavo Kuerten abandona seu estilo grunge-carnavalesco e veste sóbrias roupas brancas, uma exigência da organização a todos os jogadores. Zelosamente preparado desde março para o torneio, o tapete de grama é o espaço favorito dos especialistas em saque e voleio.

Alguns tenistas inexpressivos dominam tão bem esses fundamentos que se transformam em máquinas mortíferas nas quadras verdes. O caso mais emblemático é o do croata Goran Ivanisevic. Embora medíocre em trocas de bolas no fundo de quadra, ele tem um canhão no braço direito capaz de disparar petardos a mais de 200 quilômetros por hora nos saques. Essa arma compensa suas outras deficiências e foi capaz de colocá-lo em três finais de Wimbledon, em 1992, 1994 e 1998. Nas duas últimas ocasiões acabou derrotado pelo supercampeão Pete Sampras. Um dos maiores jogadores de todos os tempos, Sampras já venceu seis vezes em Wimbledon e colecionou outros seis títulos de Grand Slam. Só lhe falta na coleção o título das quadras vermelhas de Roland Garros. "A dificuldade que Sampras apresenta para atuar na terra batida é proporcional à de Guga no piso de grama", compara o técnico Paulo Cleto. "Mas o nosso tenista é sempre surpreendente. Eu não me espantaria se ele faturasse Wimbledon."

 
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