O novo desafio do número 1
De tranças e com nova namorada,
Guga tenta vencer em Wimbledon
Sérgio Ruiz Luz
Reuters
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AP
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De visual rastafári
e com a taça
de Roland Garros: a meta
agora é surpreender
no torneio inglês
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Mal refeito da comemoração do bicampeonato
em Roland Garros, na França, no último domingo
11, Guga já está diante de um novo desafio.
E que desafio. O brasileiro número 1 do tênis
mundial irá defender sua liderança no tradicional
torneio de Wimbledon, em Londres. Ao lado do Aberto da Austrália,
de Roland Garros e do Aberto dos Estados Unidos, Wimbledon
faz parte do Grand Slam, o trecho mais nobre do circuito
mundial do tênis. O que o torna uma raridade quase
exótica é o fato de ser jogado em quadras
de grama. O tapete verde representa um desafio quase intransponível
para os jogadores especializados em pisos de saibro. É
o caso do ídolo catarinense. Todos os oito títulos
importantes conquistados por ele foram na terra batida vermelha.
Em Wimbledon, Kuerten sente-se um peixe fora d'água.
Nas duas primeiras vezes em que esteve por lá, não
passou da rodada inicial. No ano passado, avançou
até as quartas-de-final. Apesar disso, os especialistas
vêem com otimismo o futuro do brasileiro nas quadras
londrinas. "Ele evoluiu muito em fundamentos como o saque
e a devolução, o que o deixa pronto para jogar
bem em qualquer lugar", afirma o treinador Paulo Cleto,
ex-capitão do time brasileiro na Copa Davis.
Marcelo Ruschel
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Melissa Arce, 19
anos, a modelo da vez:
filmando todos os
passos do jogador
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Ao voltar da França, na última terça,
Guga teve uma recepção monumental. Desembarcou
no Aeroporto de Florianópolis e foi ovacionado por
uma multidão que o esperava. Ainda desconfortável
no papel de estrela, recusou o carro de bombeiro que lhe
ofereceram para desfilar na cidade. Aproveitou a volta à
sua cidade para, mais uma vez, mudar o visual. No lugar
do cabelo desgrenhado, apareceu com trancinhas rastafári,
ao estilo de seu ídolo musical, o jamaicano Bob Marley.
No campo sentimental, parece ter esquecido definitivamente
o relacionamento tumultuado com a insinuante Vanessa Schütz,
futura capa da revista Playboy. A bola da vez é
outra modelo, a santista Melissa Arce, 19 anos. Os dois
se conheceram no começo do ano em Miami. Desde então,
a bela morena já foi vista várias vezes a
seu lado. Em Paris, câmara de vídeo em punho,
ela filmou todos os passos do tenista. Nenhum dos dois confirma
o namoro. Guga pretende aproveitar o resto do tempo no Brasil
e treinar firme para a disputa do torneio de Wimbledon.
O tênis disputado na grama e o praticado no saibro
parecem dois esportes diferentes (veja
quadro). Na terra batida, o jogo é mais lento,
a bola quica numa altura maior e os atletas ficam no fundo
da quadra, trocando golpes à exaustão, em
ralis que duram em média oito segundos. No tapete
verde de Wimbledon, a decisão dos pontos é
quase três vezes mais rápida. Na maior parte
das vezes, o jogador dispara um torpedo de mais de 180 quilômetros
horários no saque e corre em direção
à rede para matar com um voleio a resposta do adversário.
Bem ao estilo inglês, o campeonato criado em 1877
preserva uma série de tradições. É
o único do circuito em que Gustavo Kuerten abandona
seu estilo grunge-carnavalesco e veste sóbrias roupas
brancas, uma exigência da organização
a todos os jogadores. Zelosamente preparado desde março
para o torneio, o tapete de grama é o espaço
favorito dos especialistas em saque e voleio.
Alguns tenistas inexpressivos dominam tão bem esses
fundamentos que se transformam em máquinas mortíferas
nas quadras verdes. O caso mais emblemático é
o do croata Goran Ivanisevic. Embora medíocre em
trocas de bolas no fundo de quadra, ele tem um canhão
no braço direito capaz de disparar petardos a mais
de 200 quilômetros por hora nos saques. Essa arma
compensa suas outras deficiências e foi capaz de colocá-lo
em três finais de Wimbledon, em 1992, 1994 e 1998.
Nas duas últimas ocasiões acabou derrotado
pelo supercampeão Pete Sampras. Um dos maiores jogadores
de todos os tempos, Sampras já venceu seis vezes
em Wimbledon e colecionou outros seis títulos de
Grand Slam. Só lhe falta na coleção
o título das quadras vermelhas de Roland Garros.
"A dificuldade que Sampras apresenta para atuar na terra
batida é proporcional à de Guga no piso de
grama", compara o técnico Paulo Cleto. "Mas o nosso
tenista é sempre surpreendente. Eu não me
espantaria se ele faturasse Wimbledon."
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