Edição 1 654 -21/6/2000

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O show vai na mala

Compra de ingressos pela internet facilita
a vida de turistas brasileiros na Broadway

Gustavo Poloni

 
Disney

O Rei Leão: grande sucesso do momento em Nova York, só tem ingressos para 2001

A veterinária Raquel Borges Alves, de São Paulo, programou com cuidado a viagem que fará em julho, com o marido, aos Estados Unidos. O roteiro inclui alguns dias em Nova York, cidade em que pelo menos um programa já está garantido: o casal vai assistir, em poltronas bem localizadas, ao concorrido musical Os Miseráveis, em cartaz na Broadway. A compra dos ingressos foi feita pela internet. Raquel optou pelo serviço de um site de venda de bilhetes porque enfrentou dificuldades, há alguns anos, para encontrar lugar na platéia de outra atração da Broadway. Na ocasião, ela passou pelas agruras típicas do turismo pré-digital. Saiu da casa em que estava hospedada, tomou um trem e encarou uma longa fila para comprar o ingresso. Voltou para casa e, à noite, teve de refazer todo o trajeto até o teatro. "Foi uma experiência desgastante", lembra.

Garantir bilhetes para uma peça em Nova York, Londres ou Paris sem sofrimento não é nada do outro mundo. Há bastante tempo é possível fazer isso por telefone. A novidade deve-se à multiplicação de empresas que usam a rede mundial de computadores. No Brasil, o negócio está dando os primeiros passos. Desde setembro, a Spectaculum oferece no endereço eletrônico www.hishow.com.br tíquetes para shows, peças e eventos esportivos no Brasil e no exterior. Outra a apostar nesse mercado é a Fun by Phone, antiga empresa de venda de ingressos por telefone que mudou o nome para Fun by Net, inaugurou o site www.funbynet.com.br e há duas semanas passou a trabalhar com espetáculos da Broadway.

As duas empresas continuam a operar também por telefone, mas esperam ampliar rapidamente a participação de seus serviços virtuais. No ano passado, as vendas pela rede representaram 6% do faturamento da Fun by Net, de 1 milhão de reais. A expectativa é de que até o fim deste ano essa fatia chegue a 20%. "Estamos investindo 3 milhões de dólares em novos serviços, como venda casada de ingresso e estacionamento para as peças locais", diz Leo Toscano, presidente da empresa. Na Spectaculum, o percentual é mais modesto: entre 1% e 2% dos ingressos são comercializados via internet. "Mas esse número deve crescer com o advento de novas tecnologias, como a internet sem fio", avalia José Mário Campos, diretor da firma.

 

Ingressos como o da peça Aida podem custar até 1 000 dólares no mercado negro

Ao efetuar a compra no site, o internauta recebe uma senha, trocada pelo ingresso na bilheteria momentos antes do espetáculo. As taxas cobradas variam de acordo com o evento e, no caso de peças ou shows no exterior, costumam acrescentar em média 10 dólares ao preço de cada bilhete. Os musicais da Broadway já há alguns anos exercem fascínio sobre os brasileiros que vão a Nova York. "Em alta temporada, eles chegam a ocupar 40% dos lugares em determinadas apresentações", diz Campos. O fato despertou a atenção dos produtores e alguns desses espetáculos chegaram a ser trazidos para curtas temporadas no Brasil, em versões com cenários mais modestos e apenas alguns nomes do elenco original. Entre os que podem ir até a Broadway, os grandes sucessos do momento são Aida e O Rei Leão, cujos ingressos podem custar até 1.000 dólares no mercado negro. Apesar de facilitar a vida do espectador, o uso da internet, nesse caso, não dispensa uma boa dose de planejamento: O Rei Leão só tem lugares disponíveis para fevereiro do ano que vem.

 
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Da internet
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  Fun by Net
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