Edição 1 654 -21/6/2000

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Coisa de cinema

Conversível da Audi capaz de atingir
230 quilômetros por hora é lançado no Brasil

Rodrigo Cavalcante

 

Segurança reforçada

Capaz de ultrapassar 230 quilômetros por hora, o
TT Roadster recebeu várias alterações em relação ao seu irmão gêmeo, o TT com capota.

Divulgação

1) Duas barras tubulares de alumínio protegem os ocupantes em caso de capotagem

2) Um pequeno aerofólio foi colocado junto à tampa do porta-malas para segurar o carro no chão

3) Um microprocessador aciona automaticamente a tração nas quatro rodas quando o carro ameaça perder a aderência

4) O quadro de encaixe do pára-brisa foi reforçado para agüentar a pressão do vento

O Audi TT Roadster é um daqueles carros que provocam paixão imediata, das fulminantes. Foi assim na Europa, nos Estados Unidos e no Brasil, onde chegou há apenas três semanas. Menos de um mês foi suficiente para que todo o lote de 33 unidades trazido da matriz alemã fosse vendido ao preço de 158.000 reais cada uma. Podendo atingir 230 quilômetros por hora, é um sucesso tão espetacular e inesperado que a Audi brasileira só terá novos carros desse tipo nas concessionárias no próximo mês. Não precisou nem mesmo estrear no país o filme Missão Impossível 2, com as cenas em que o pequeno TT disputa de igual para igual um racha com um respeitável Porsche Boxster pilotado por Tom Cruise, merchandising que custou 2 milhões de dólares à fábrica alemã. "Não esperávamos uma aceitação como essa, num período tão curto e com tão pouca publicidade", diz Leonardo Senna, representante da Audi no Brasil. A surpresa explica-se, em parte, pela tradicional resistência dos brasileiros aos carros sem capota.

Os modelos roadster, como são chamados os esportivos conversíveis de apenas dois lugares, têm roubado a cena nos salões internacionais de automóveis. Em Frankfurt, no fim de 1999, brilhou o BMW Z8, e em Detroit, no começo do ano, foi a vez do Mercedes-Benz Vision SLA. Em março, em Genebra, havia até uma sala especial de modelos históricos, como o lendário Mercedes-Benz 500 K Luxus Roadster, de 1936. É uma prova de que, na onda retrô que inspira o design dos carros atuais, os pequenos conversíveis estão de volta. No Brasil, além do Audi TT, podem-se comprar o BMW Z3, o mitológico Porsche Boxster e o Mercedes CLK 320. Todos apresentam dispositivos especiais para melhorar a segurança do motorista em caso de capotamento em alta velocidade. O Porsche dispõe de uma barra automática, um santo-antônio que se ergue quando o carro se inclina além da conta. O CLK tem um equipamento similar que fecha a capota. O forte do Z3, além de capota automática, é o sistema de estabilização.

A Audi tomou cuidados especiais com a segurança do TT Roadster por motivos óbvios: a versão cupê envolveu-se em vinte acidentes sérios, dois deles com mortos, um ano após seu lançamento. A montadora chegou à conclusão de que o modelo não era suficientemente estável por causa das curvas aerodinâmicas da traseira. Projetou então um aerofólio que, instalado na tampa do porta-malas, garante maior aderência à pista. Há também novos componentes, que vão de estabilizadores nos eixos a amortecedores mais rígidos. O mais importante desses componentes é o sistema inteligente de tração nas quatro rodas, acionado assim que o veículo ameaça fugir do controle do motorista nas curvas mais acentuadas. O mecanismo contrabalança a tração como forma de compensar a perda de aderência. A inexistência de um mecanismo automático de segurança na capota (não há espaço para instalar esse equipamento, pois o carro é minúsculo) foi compensada com duas barras de alumínio tubular atrás do apoio de cabeça dos bancos, que protegem a cabeça do motorista e do passageiro. A suspensão dianteira e a base do carro também foram reforçadas. "É um veículo que não sai mais do chão", diz Leonardo Senna.

Como todo carro esportivo de preço salgado, o Audi TT Roadster oferece detalhes com requintes impensáveis em modelos convencionais. O acabamento dos bancos, em couro com costuras salientes, foi inspirado nas luvas de beisebol. O vidro elétrico traseiro que sobe atrás das barras metálicas evita aquele redemoinho de vento típico dos conversíveis e com isso não embaraça o cabelo dos dois ocupantes. O equipamento de som de alta fidelidade foi projetado para manter a qualidade até mesmo quando a capota está aberta e o torpedo voa baixo pelas estradas.

 

A eterna vedete dos salões

Photo 4
Rossa, criada pela Pininfarina: inspiração no desenho da Testa Rossa de 1959


É sempre a mesma história. Basta a exibição de uma Ferrari para transformar qualquer salão de automóveis num acontecimento de vulto. Na semana passada, o salão de Turim, na Itália, foi o palco de apresentação da nova carroceria desenhada pela Pininfarina para as máquinas da fábrica Maranello. O poético nome de Rossa (vermelha) é uma homenagem à lendária Testa Rossa de 1959, que conquistou fama nas pistas de corrida. A herança do modelo histórico é percebida na grade dianteira arredondada, semelhante a uma enorme boca, e nas formas aerodinâmicas dos pára-lamas salientes. O toque moderno está nos faróis minúsculos alinhados verticalmente, quase um par de frisos riscados na carroceria. Embaixo da casca vermelho-brilhante escondem-se um motor de 485 cavalos e a mecânica completa do modelo 550 Maranello, de 1996, capaz de atingir 300 quilômetros por hora.

O modelo foi projetado para comemorar setenta anos do mais famoso estúdio de design de carros do mundo – e, por enquanto, só existe como protótipo. Das pranchetas da Pininfarina não saíram apenas Ferrari, como a novíssima 360 Modena. Outros carros cultuados por suas formas, como o Fiat Coupé, o Peugeot 406 Coupé e o Mitsubishi Pajero Pinin, nasceram no mesmo lugar. "Não existe linha supérflua nos desenhos da Pininfarina", diz Paulo Nakamura, designer da Fiat do Brasil. "Eles são como arquitetos, envolvem-se no projeto desde o rascunho dos carros até a saída da linha de montagem." Além de desenhar a carroceria, os técnicos do estúdio Pininfarina – hoje um império de mais de 2 000 empregados e faturamento de quase 400 milhões de dólares por ano – participam do desenho das peças mecânicas.

Sem a mística da Ferrari, outros designers aproveitaram o salão de Turim para propor soluções criativas de veículos movidos a combustíveis alternativos. O estúdio italiano Bertone criou um modelo que funciona tanto a eletricidade como a gasolina, com apenas dois lugares, um à frente do outro. O carrinho de 3 metros de comprimento e 1 de largura, movido por um motorzinho que não passa dos 100 quilômetros por hora e com a reduzida autonomia de 85 quilômetros, foi projetado para adolescentes entre 14 e 16 anos. Para os brasileiros, que só podem dirigir depois dos 18 anos, o veículo é apenas uma curiosidade.

 

 
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