Pedaço de planeta
Descoberta de asteróide
mostra que
vulcões são comuns no sistema solar
Bia Barbosa
Infográfico Anderson Marçal
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Os astrônomos sempre acreditaram que corpos celestes
com atividade vulcânica fossem raridade no sistema
solar. Até agora apenas seis deles tinham em sua
composição elementos que denotavam essa característica:
Terra, Lua, Vênus, Marte, o satélite Io, de
Júpiter, e um asteróide chamado Vesta. Na
semana passada, uma pesquisa feita por cientistas brasileiros
e americanos publicada na revista Science mostrou
que esse número pode ser bem maior. Os astrônomos
descobriram que, perdido nos cafundós do cinturão
de asteróides, existe um microplaneta coberto de
basalto, rocha originária do vulcanismo. É
Magnya, uma pedra voadora de apenas 30 quilômetros
de diâmetro que orbita a 320 milhões de quilômetros
da Terra. "O asteróide é muito pequeno para
ter gerado calor suficiente a ponto de produzir vulcões",
diz Daniela Lazzaro, do Observatório Nacional, no
Rio de Janeiro. "Deve ser o que restou de um corpo celeste
maior." Isso leva os cientistas a acreditar que o vulcanismo
foi um processo mais freqüente do que se imaginava.
Desde que o primeiro asteróide foi identificado
pelo italiano Giuseppe Piazzi em 1801, 12.000
deles já foram catalogados com órbitas definidas.
Magnya foi descrito em 1937, mas ninguém sabia ao
certo seu tamanho e sua composição. Os pesquisadores
descobriram que era coberto por basalto ao estudar asteróides
cujas posições estavam fora do padrão
habitual. Eles se surpreenderam ao encontrar por lá
o mesmo elemento que recobre a crosta terrestre. Agora acreditam
que outros pedaços do asteróide que o originou
possam estar perdidos em meio ao cinturão ou ter
chegado até a órbita terrestre e aqui despencado
na forma de meteoritos. "Todas as teorias em torno desses
corpos basálticos já estavam fechadas desde
os anos 70", disse Daniela. "Agora vamos ter de rever tudo
isso." Os asteróides são fundamentais para
se entenderem os mecanismos que deram origem ao sistema
solar como conhecemos hoje. Por terem evoluído menos
que os planetas, carregam mais informações
sobre o que aconteceu há 5 bilhões de anos.
Arco e flecha em vela
AFP
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O Observatório Chandra, da Nasa, flagrou na
semana retrasada uma insólita formação
cósmica. Trata-se de uma nébula em forma
de arco e flecha criada por uma estrela de alta rotação
chamada pulsar. Conforme gira, a estrela emite radiação
eletromagnética e libera partículas
de alta energia, que viajam a uma velocidade próxima
à da luz. O que surpreendeu os astrônomos
americanos foi o fato de estas partículas de
matéria jorrarem na mesma direção
em que a estrela libera sua radiação,
como se fosse um arco e flecha de verdade. O pulsar
é o resultado da explosão de uma das
estrelas da constelação Vela, ocorrida
há 10 000 anos, que ainda pode ser vista.
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