Direto no tumor
Nova técnica, que utiliza a vitamina
B12,
permite diagnóstico mais preciso do câncer
A melhor arma contra o câncer é a detecção
precoce da doença. Há, no entanto, aqueles
tumores malignos que passam despercebidos até pelos
mais avançados exames, como a tomografia computadorizada.
Nesses casos, quando aparecem, pode ser tarde demais. Na
semana passada, médicos americanos anunciaram a criação
de uma técnica que promete mudar a rotina do diagnóstico
de câncer. Desenvolvido por cientistas da Clínica
Mayo e da Universidade de Minnesota, o novo método
se mostrou extremamente preciso em 90% dos casos estudados.
Indicou a presença do câncer nas mais diversas
regiões do corpo: mama, pulmão, próstata,
cólon, cérebro, tireóide e ossos. Dos
trinta doentes estudados, nove eram mulheres vítimas
de neoplasias nas mamas. Em oito delas foi possível
distinguir com exatidão as lesões malignas
das benignas. Em uma, o câncer não havia sido
revelado pelo exame físico, pela mamografia nem pela
ultra-sonografia.
A nova forma de diagnóstico é simples e
revolucionária resultado da observação
do comportamento dos tumores cancerígenos. Para se
multiplicar, as células doentes necessitam, entre
outras substâncias, de uma quantidade de vitamina
B12 muito maior que as células sadias. Isso porque
a B12 é essencial para a reprodução
celular. Graças aos avanços tecnológicos,
os cientistas americanos conseguiram marcar as moléculas
de vitamina com elementos radioativos (veja quadro ao
lado). O composto foi então injetado nos pacientes.
Com uma câmara especial, os médicos rastrearam
o organismo dos doentes. Áreas do corpo onde a vitamina
foi absorvida em quantidade acima do normal apareceram escuras
nas imagens captadas pela câmara. Eram os tumores.
A técnica, segundo a equipe responsável pelos
estudos, teve mais efeito em cânceres agressivos e
em estágio inicial, quando a "fome" por vitamina
B12 é maior.
As pesquisas ainda estão em fase inicial. Mas já
se começa a estudar a possibilidade de essa técnica
com a vitamina B12 ser usada não apenas no diagnóstico
da doença mas também em seu tratamento. Nesse
caso, a substância serviria como uma espécie
de transportadora de drogas anticâncer. Como o tumor
absorve com muito mais avidez a vitamina, os remédios
seriam despejados diretamente dentro das células
doentes. Isso permitiria diminuir bastante os efeitos colaterais
da quimioterapia tradicional, em que um dos maiores problemas
é o fato de atingir indistintamente tanto os tecidos
cancerosos quanto os sadios. "A nova técnica pode
ser o calcanhar-de-aquiles para alguns tipos de câncer",
diz o radiologista Douglas Collins, da Clínica Mayo.
Seria uma grande evolução no diagnóstico
e tratamento de uma doença que até o final
do ano, estima-se, deve matar cerca de 114.000
brasileiros.
No alvo
Como funciona o novo método de diagnóstico
de câncer
1) Porções de vitamina B12 são
marcadas com elementos radioativos e injetadas no
organismo
2) As células cancerosas se multiplicam
de forma desordenada e em ritmo acelerado. Quanto
mais rápido o crescimento do tumor, maior o
consumo de vitamina B12
3) Com uma câmara especial, os médicos
rastreiam o organismo em busca do ponto onde há
concentração de radioatividade. A técnica
funcionou em oito de nove mulheres vítimas
de câncer de mama
Fonte: Clínica
Mayo
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O HIV e a circuncisão
Os riscos de contaminação pelo vírus
da Aids são menores entre os homens submetidos
à circuncisão, como se chama a retirada
do prepúcio, a pele que recobre a glande. A
conclusão, relatada na última edição
do British Medical Journal, uma das publicações
científicas de maior prestígio no mundo,
é de pesquisadores da Universidade de Melbourne,
na Austrália. Eles analisaram mais de quarenta
estudos sobre o assunto e concluíram que a
probabilidade de um não circuncidado contrair
o vírus é de duas a oito vezes maior.
Um desses estudos, realizado com 187 casais numa área
rural de Uganda, um dos países mais pobres
da África, impressiona pela clareza do resultado.
No início da experiência, todas as mulheres
eram portadoras do vírus, mas nenhum dos homens
estava infectado. No final, constatou-se que nenhum
dos cinqüenta circuncidados havia sido contaminado.
Dos 137 restantes, quarenta estavam infectados. A
explicação: o interior do prepúcio
é rico nas chamadas células de Langerhans,
que funcionam como uma espécie de ímã
para o vírus.
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