Edição 1 654 -21/6/2000

VEJA esta semana

Brasil
Internacional
Geral
A vitamina B12 no diagnóstico do câncer
Bares de craques da bola naufragam
Os vulcões podem ser comuns no sistema solar
Tragédia que inspirou Moby-Dick vira best-seller
O sucesso do skate de dedo
O que os jovens esperam das empresas e elas deles
A reprodução de músicas pela rede
O conversível da Audi chega ao Brasil
Fósseis podem ter inspirado seres mitológicos
Os brasileiros invadem a Broadway
Guga agora enfrenta o desafio da grama
Tom Cruise, o dono de Hollywood

Economia e negócios
Guia
Artes e Espetáculos
Colunas
Claudio de Moura Castro
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
Seções
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA on-line
Radar
Contexto
Holofote 
Veja essa
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas
Cotações
Para usar
Veja recomenda
Os mais vendidos

Banco de Dados 

Para pesquisar digite uma ou mais palavras no campo abaixo. 


 

Direto no tumor

Nova técnica, que utiliza a vitamina B12,
permite diagnóstico mais preciso do câncer

A melhor arma contra o câncer é a detecção precoce da doença. Há, no entanto, aqueles tumores malignos que passam despercebidos até pelos mais avançados exames, como a tomografia computadorizada. Nesses casos, quando aparecem, pode ser tarde demais. Na semana passada, médicos americanos anunciaram a criação de uma técnica que promete mudar a rotina do diagnóstico de câncer. Desenvolvido por cientistas da Clínica Mayo e da Universidade de Minnesota, o novo método se mostrou extremamente preciso em 90% dos casos estudados. Indicou a presença do câncer nas mais diversas regiões do corpo: mama, pulmão, próstata, cólon, cérebro, tireóide e ossos. Dos trinta doentes estudados, nove eram mulheres vítimas de neoplasias nas mamas. Em oito delas foi possível distinguir com exatidão as lesões malignas das benignas. Em uma, o câncer não havia sido revelado pelo exame físico, pela mamografia nem pela ultra-sonografia.

A nova forma de diagnóstico é simples e revolucionária – resultado da observação do comportamento dos tumores cancerígenos. Para se multiplicar, as células doentes necessitam, entre outras substâncias, de uma quantidade de vitamina B12 muito maior que as células sadias. Isso porque a B12 é essencial para a reprodução celular. Graças aos avanços tecnológicos, os cientistas americanos conseguiram marcar as moléculas de vitamina com elementos radioativos (veja quadro ao lado). O composto foi então injetado nos pacientes. Com uma câmara especial, os médicos rastrearam o organismo dos doentes. Áreas do corpo onde a vitamina foi absorvida em quantidade acima do normal apareceram escuras nas imagens captadas pela câmara. Eram os tumores. A técnica, segundo a equipe responsável pelos estudos, teve mais efeito em cânceres agressivos e em estágio inicial, quando a "fome" por vitamina B12 é maior.

As pesquisas ainda estão em fase inicial. Mas já se começa a estudar a possibilidade de essa técnica com a vitamina B12 ser usada não apenas no diagnóstico da doença mas também em seu tratamento. Nesse caso, a substância serviria como uma espécie de transportadora de drogas anticâncer. Como o tumor absorve com muito mais avidez a vitamina, os remédios seriam despejados diretamente dentro das células doentes. Isso permitiria diminuir bastante os efeitos colaterais da quimioterapia tradicional, em que um dos maiores problemas é o fato de atingir indistintamente tanto os tecidos cancerosos quanto os sadios. "A nova técnica pode ser o calcanhar-de-aquiles para alguns tipos de câncer", diz o radiologista Douglas Collins, da Clínica Mayo. Seria uma grande evolução no diagnóstico e tratamento de uma doença que até o final do ano, estima-se, deve matar cerca de 114.000 brasileiros.

 

No alvo

Como funciona o novo método de diagnóstico de câncer

1) Porções de vitamina B12 são marcadas com elementos radioativos e injetadas no organismo

2) As células cancerosas se multiplicam de forma desordenada e em ritmo acelerado. Quanto mais rápido o crescimento do tumor, maior o consumo de vitamina B12

3) Com uma câmara especial, os médicos rastreiam o organismo em busca do ponto onde há concentração de radioatividade. A técnica funcionou em oito de nove mulheres vítimas de câncer de mama

Fonte: Clínica Mayo

 

O HIV e a circuncisão

Os riscos de contaminação pelo vírus da Aids são menores entre os homens submetidos à circuncisão, como se chama a retirada do prepúcio, a pele que recobre a glande. A conclusão, relatada na última edição do British Medical Journal, uma das publicações científicas de maior prestígio no mundo, é de pesquisadores da Universidade de Melbourne, na Austrália. Eles analisaram mais de quarenta estudos sobre o assunto e concluíram que a probabilidade de um não circuncidado contrair o vírus é de duas a oito vezes maior. Um desses estudos, realizado com 187 casais numa área rural de Uganda, um dos países mais pobres da África, impressiona pela clareza do resultado. No início da experiência, todas as mulheres eram portadoras do vírus, mas nenhum dos homens estava infectado. No final, constatou-se que nenhum dos cinqüenta circuncidados havia sido contaminado. Dos 137 restantes, quarenta estavam infectados. A explicação: o interior do prepúcio é rico nas chamadas células de Langerhans, que funcionam como uma espécie de ímã para o vírus.

 
Saiba mais
Da internet
  Universidade de Minnesota
  Clínica Mayo
  British Medical Journal