Senado
Na própria carne
Conselho de Ética aprova a cassação
de Luiz Estevão
Ainda neste mês, o Senado poderá quebrar
um tabu de 176 anos. Para isso, basta acatar a decisão
de seu Conselho de Ética, que, na madrugada de quinta-feira,
aprovou o pedido de cassação do senador Luiz
Estevão, do PMDB do Distrito Federal. A acusação
é de quebra do decoro parlamentar, por envolvimento
com o escândalo das obras do Tribunal Regional do
Trabalho de São Paulo, de onde foram desviados 169
milhões de reais. Enquanto a Câmara dos Deputados
cassou quinze parlamentares de 1988 para cá, o Senado
nunca cortou na própria carne. O relatório
final da CPI do Judiciário, que embasou o pedido
de cassação de Luiz Estevão, acusa
o senador de enriquecimento ilícito, atos lesivos
ao patrimônio público e falsidade ideológica.
A difícil situação de Luiz Estevão
complicou-se ainda mais, três horas antes do início
da sessão do Conselho de Ética, com uma nota
divulgada pela Polícia Federal, por encomenda do
ministro José Gregori, da Justiça. Diz o texto
que, com base em investigações, a PF concluiu
que o senador praticou crimes como formação
de quadrilha e peculato, que prevêem pena de reclusão
de um a doze anos. Até então, Estevão
vinha usando a morosidade da PF no caso para convencer seus
colegas senadores de que não havia provas contra
ele. "Estão tirando minha dignidade, minha honradez",
esperneou o alvo do processo. Em vão. O placar pró-cassação
ficou em 11 votos contra 3 e uma abstenção.
"É preciso acabar com essa má tradição
de que o corporativismo está acima de tudo no Senado",
diz o senador José Eduardo Dutra, do PT de Sergipe.
Antonio Carlos Magalhães, presidente da Casa, avalia
que a tendência é mesmo cassar o representante
do Distrito Federal. A votação final em plenário
será no próximo dia 29. Luiz Estevão
poderá perder os direitos políticos por oito
anos.
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