Edição 1 654 -21/6/2000

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Senado

Na própria carne

Conselho de Ética aprova a cassação de Luiz Estevão

Ainda neste mês, o Senado poderá quebrar um tabu de 176 anos. Para isso, basta acatar a decisão de seu Conselho de Ética, que, na madrugada de quinta-feira, aprovou o pedido de cassação do senador Luiz Estevão, do PMDB do Distrito Federal. A acusação é de quebra do decoro parlamentar, por envolvimento com o escândalo das obras do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo, de onde foram desviados 169 milhões de reais. Enquanto a Câmara dos Deputados cassou quinze parlamentares de 1988 para cá, o Senado nunca cortou na própria carne. O relatório final da CPI do Judiciário, que embasou o pedido de cassação de Luiz Estevão, acusa o senador de enriquecimento ilícito, atos lesivos ao patrimônio público e falsidade ideológica. A difícil situação de Luiz Estevão complicou-se ainda mais, três horas antes do início da sessão do Conselho de Ética, com uma nota divulgada pela Polícia Federal, por encomenda do ministro José Gregori, da Justiça. Diz o texto que, com base em investigações, a PF concluiu que o senador praticou crimes como formação de quadrilha e peculato, que prevêem pena de reclusão de um a doze anos. Até então, Estevão vinha usando a morosidade da PF no caso para convencer seus colegas senadores de que não havia provas contra ele. "Estão tirando minha dignidade, minha honradez", esperneou o alvo do processo. Em vão. O placar pró-cassação ficou em 11 votos contra 3 e uma abstenção. "É preciso acabar com essa má tradição de que o corporativismo está acima de tudo no Senado", diz o senador José Eduardo Dutra, do PT de Sergipe. Antonio Carlos Magalhães, presidente da Casa, avalia que a tendência é mesmo cassar o representante do Distrito Federal. A votação final em plenário será no próximo dia 29. Luiz Estevão poderá perder os direitos políticos por oito anos.

 
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