Edição 1 654 -21/6/2000

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São Paulo

Retorno inútil

Justiça coloca Pitta de novo na prefeitura


JJ. Leister/AE
Celso Pitta: sem planos para os seis meses de mandato que lhe restam


Celso Pitta está de volta à prefeitura de São Paulo. Uma decisão do Superior Tribunal de Justiça garantiu ao prefeito na semana passada o direito de reassumir seu cargo depois de dezenove dias de afastamento. Ele foi afastado sob a alegação de que, como ocupante de um cargo público relevante, poderia atrapalhar as investigações do processo que responde na Justiça por ter aceitado o empréstimo de 800.000 reais do empresário Jorge Yunes, um milionário que lhe dava o dinheiro em maços mensais de 25.000 reais. Os procuradores sustentam que Pitta beneficiou Yunes empregando seus parentes na administração pública e facilitando-lhe a vida ao baixar impostos de terrenos onde o empresário possui alguns imóveis. O ministro Francisco Peçanha Martins, do STJ, entendeu que o afastamento do prefeito seria um julgamento político e argumentou que o fato de ele estar à frente da prefeitura não atrapalha a investigação dos promotores. Pitta venceu no STJ, tribunal em que já havia perdido duas vezes. Por causa disso muitos já consideravam como certa sua ausência definitiva do cargo. No primeiro julgamento o tribunal negou uma liminar que impedia seu afastamento. Depois essa decisão foi confirmada. Só na terceira votação é que o prefeito foi reconduzido ao cargo.

Nos quase vinte dias em que esteve ocupando a cadeira de prefeito, o vice, Regis de Oliveira, trocou todo o secretariado, demitiu os assessores e revogou algumas medidas adotadas por Pitta. Um dos secretários escolhidos por ele, José Pinotti, também recebera empréstimos de Jorge Yunes. Pitta trouxe toda a sua antiga equipe de volta. Assumiu o cargo sob aplausos de pagodeiros e motoristas de lotação que foram recebê-lo na prefeitura. A essa altura, faltando seis meses para o fim de seu mandato, a equipe de Pitta não pensa mais em planos de governo. Ele já avisou que não se candidatará à reeleição. O prefeito já esteve a ponto de perder os direitos políticos em quatro diferentes ocasiões. Está se segurando de recurso em recurso à Justiça. Na Câmara, os partidos de oposição voltaram a se organizar para votar um processo de impeachment. Enquanto luta para se salvar, São Paulo sobrevive sem prefeito mesmo.

 
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