São
Paulo
Retorno inútil
Justiça coloca Pitta de novo na
prefeitura
JJ. Leister/AE
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| Celso Pitta: sem planos para os
seis meses de mandato que lhe restam |
Celso Pitta está de volta à prefeitura de
São Paulo. Uma decisão do Superior Tribunal
de Justiça garantiu ao prefeito na semana passada
o direito de reassumir seu cargo depois de dezenove dias
de afastamento. Ele foi afastado sob a alegação
de que, como ocupante de um cargo público relevante,
poderia atrapalhar as investigações do processo
que responde na Justiça por ter aceitado o empréstimo
de 800.000 reais do empresário
Jorge Yunes, um milionário que lhe dava o dinheiro
em maços mensais de 25.000
reais. Os procuradores sustentam que Pitta beneficiou Yunes
empregando seus parentes na administração
pública e facilitando-lhe a vida ao baixar impostos
de terrenos onde o empresário possui alguns imóveis.
O ministro Francisco Peçanha Martins, do STJ, entendeu
que o afastamento do prefeito seria um julgamento político
e argumentou que o fato de ele estar à frente da
prefeitura não atrapalha a investigação
dos promotores. Pitta venceu no STJ, tribunal em que já
havia perdido duas vezes. Por causa disso muitos já
consideravam como certa sua ausência definitiva do
cargo. No primeiro julgamento o tribunal negou uma liminar
que impedia seu afastamento. Depois essa decisão
foi confirmada. Só na terceira votação
é que o prefeito foi reconduzido ao cargo.
Nos quase vinte dias em que esteve ocupando a cadeira
de prefeito, o vice, Regis de Oliveira, trocou todo o secretariado,
demitiu os assessores e revogou algumas medidas adotadas
por Pitta. Um dos secretários escolhidos por ele,
José Pinotti, também recebera empréstimos
de Jorge Yunes. Pitta trouxe toda a sua antiga equipe de
volta. Assumiu o cargo sob aplausos de pagodeiros e motoristas
de lotação que foram recebê-lo na prefeitura.
A essa altura, faltando seis meses para o fim de seu mandato,
a equipe de Pitta não pensa mais em planos de governo.
Ele já avisou que não se candidatará
à reeleição. O prefeito já esteve
a ponto de perder os direitos políticos em quatro
diferentes ocasiões. Está se segurando de
recurso em recurso à Justiça. Na Câmara,
os partidos de oposição voltaram a se organizar
para votar um processo de impeachment. Enquanto luta para
se salvar, São Paulo sobrevive sem prefeito mesmo.
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