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Edição 1 803 - 21 de maio de 2003
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Leia trechos de livros, veja trailers de filmes e ouça as músicas dos CDs recomendados nas últimas semanas por esta coluna na seção multimídia de VEJA on-line.

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CINEMA

United Artists
Nunca aos Domingos, de Dassin: sátira


Nunca aos Domingos
(Pote tin Kyriaki, Grécia, 1960. Desde sexta-feira em cartaz em São Paulo) – Delatado por seus próprios colegas na "caça às bruxas" anticomunista, o ator e cineasta americano Jules Dassin foi se exilar na Grécia. Lá, no fim dos anos 50, conheceu a estrela Melina Mercouri, futura ministra da Cultura grega, com quem se casou e a quem dirigiu em vários filmes. O título mais famoso da parceria é Nunca aos Domingos: Dassin interpreta Homero, um turista americano que, chegando a Atenas, se deslumbra com a prostituta Ilya (Melina). Ela só aceita um cliente se simpatizar com ele – e aí o preço a ser cobrado é irrelevante. Em vez de apreciar Ilya por sua alegria e vivacidade, Homero já sai querendo reformá-la. E, em vez de reagir à perseguição anticomunista com trabalhos amargos, Dassin preferiu este outro caminho: uma sátira à intolerância.

 

LIVROS

A Face Radiante da Morte, de Alexandra Marínina (tradução de Tatiana Lárkina; Geração Editorial; 304 páginas; 43 reais) – Alexandra Marínina é uma versão russa de Patricia Cornwell, a autora de romances policiais americana. Assim como ela, Marínina trabalhou no ramo antes de enveredar pelo gênero: por mais de vinte anos, atuou como criminologista. Desde os anos 90, ela é um fenômeno na Rússia, onde seus livros vendem milhões de exemplares e deram mote a séries de TV. Marínina criou uma ótima personagem – a agente Nástia Kamênskaya, que fuma um cigarro (mentolado) atrás do outro, é fanática por música clássica e põe o marido para executar tarefas domésticas enquanto trabalha. Nesse lançamento, o primeiro da autora no Brasil, ela investiga a morte de uma garota cujo cadáver é achado num lixão na periferia de Moscou.

Bush em Guerra, de Bob Woodward (tradução de Lúcia Magalhães e Graziella Somaschini; Arx; 454 páginas; 59 reais) – O americano Bob Woodward é uma lenda do jornalismo investigativo. Ao lado do colega Carl Bernstein, ele realizou reportagens sobre o caso Watergate que resultaram na renúncia de Richard Nixon à Presidência dos EUA, em 1974. Nesse novo livro, ele enfoca a Casa Branca nos 100 dias que se seguiram aos atentados de 11 de setembro de 2001. Woodward fez uma longa entrevista com o presidente George W. Bush, falou com seus principais assessores (como Donald Rumsfeld e Colin Powell) e teve acesso a documentos confidenciais. Numa narrativa ágil, ele ilumina o processo de tomada de decisões políticas em Washington na atual administração. Leia trechos do livro.

 

DVDs

Divulgação
Stuart Little 2: melhor que o 1


O Pequeno Stuart Little 2
(Stuart Little 2, Estados Unidos, 2002. Columbia) – A bilheteria às vezes tem razões que a própria razão desconhece: continuação das aventuras do ratinho Stuart, adotado pela família nova-iorquina Little, esse filme é superior ao original, mas arrecadou a metade. Aqui, Stuart passa por maus bocados na escola, onde é deixado de lado pelos colegas. A chance de ser aceito, porém, literalmente cai do céu, na forma da passarinha Margalo, que vive ameaçada por um falcão. Stuart e Margalo (na versão legendada, com as vozes de Michael J. Fox e Melanie Griffith) formam um casal improvável, mas disposto a superar suas diferenças. Como todo bom DVD para crianças, o disco traz o habitual making of e um punhado de jogos. Veja o trailer.



Ultimate X: imagens radicais

Ultimate X – O Filme (Ultimate X – The Movie, EUA, 2002. Buena Vista) – Um prato cheio para os fãs dos esportes radicais e uma ótima oportunidade para muitos pais entenderem por que seus filhos insistem em arrebentar-se em quedas nos patins ou no skate. Com cenas filmadas por câmeras acopladas a guindastes e outras engenhocas, desenvolvidas especialmente para captar acrobacias espetaculares, um filme de 47 minutos mostra a principal competição americana desse tipo de esporte – os X Games, patrocinados pela rede de televisão ESPN. A diversão se completa com a ótima trilha sonora roqueira e com um farto material interativo, que permite acessar entrevistas e perfis de alguns dos carismáticos heróis dos adolescentes, como o motociclista americano Travis Pastrana e os brasileiros Bob Burnquist e Fabíola da Silva – ele campeão do skate e ela, da patinação.

 

DISCOS

The Trouble of Being Myself, Macy Gray (Sony Music) – Poucas artistas têm um trabalho tão interessante quanto Macy. Nesse disco, ela retoma de modo inventivo o melhor das instrumentações de música negra dos anos 70 e apresenta letras acima da média. A gravação desse CD foi conturbada pela morte do padrasto de Macy e rendeu um punhado de composições sobre sua infância, muitas delas carregadas de ironia. É o caso de My Fondest Childhood Memories, que levaram à separação do pai e da mãe. Atente para a participação do guitarrista e cantor Beck em It Ain't the Money, outra boa canção do álbum.

 
André Nazareth/Strana
Guilherme de Brito: nova vida para canções batidas  

A Flor e o Espinho, Guilherme de Brito e Trio Madeira Brasil (Lua Discos) – Dois anos atrás, o cantor de 81 anos interrompeu um longo jejum fonográfico ao lançar Samba Guardado, com canções inéditas. Esse novo CD revisita as célebres parcerias de Brito com Nelson Cavaquinho. Brito dá vida nova até mesmo a canções batidas como A Flor e o Espinho (aquela do "Tire seu sorriso do caminho / Que eu quero passar com a minha dor..."). A diferença é o estilo de interpretação. Cavaquinho tinha a voz rouca e tocava seus sambas cutucando o violão com o indicador e o dedão. Brito tem voz empostada e o dedilhado dos seresteiros de outrora. Destaca-se Gotas de Luar, em que o maestro Elton Medeiros marca o ritmo com uma caixinha de fósforos.

When Love Goes Wrong: Songs for the Broken Hearted, vários intérpretes (Universal) – O compositor americano Roy Orbison, autor de Cryin' e Love Hurts, entre outras baladas dilacerantes, costumava dizer que nada era mais infalível na hora da conquista do que falar sobre o sofrimento amoroso. Se o raciocínio de Orbison estiver certo, essa coletânea é tiro e queda. São quinze clássicos do jazz e da dor-de-cotovelo, gravados durante as décadas de 50 e 60 – com exceção de I Fall in Love Too Easily, gravado por Shirley Horn em 1997. Destacam-se no elenco dois artistas cuja discografia é escassa por aqui: Johnny Hartman, em It Never Entered in My Mind, e a divina Peggy Lee, com A Woman Alone with the Blues.

   
 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Nobel, Laselva, Sodiler, Siciliano, Argumento, Travessa; Porto Alegre: Saraiva, Nobel, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Nobel, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Nobel, Saraiva, Siciliano; Natal: Nobel, Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano, Nobel; Fortaleza: Siciliano, Laselva, Nobel; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Nobel, Leitura; Maceió: Sodiler, Nobel
   
 
   
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