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Karajan radical
Assim
foi o maestro austríaco nas
opiniões políticas e em seu gosto por
carrões e motos

Sérgio
Martins
Emil Perauer/DG
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| Von
Karajan pilotando um avião: ele acelerou Beethoven para que coubesse
num disco |
Como disse o crítico erudito Norman Lebrecht, o maestro austríaco
Herbert von Karajan (1908-1989) foi uma figura tão carismática
que, depois de sua morte, "as pessoas decretaram o fim da música
clássica". É natural, portanto, que Karajan seja o primeiro
nome lembrado pelas gravadoras cada vez que elas pensam em ressuscitar esse
gênero combalido, que tem dificuldade para atrair novos fãs.
Se em antigas versões seus discos vendem ao redor do mundo cerca
de 300.000 unidades por mês, versões
remodeladas talvez tenham o condão de interessar os jovens pelo repertório
clássico. É essa a aposta da Deutsche Gramophon, que acaba
de lançar Karajan The Collection, com dez CDs
duplos com o fino do repertório do regente. A graça está
nas capas. Elas mostram Karajan pilotando um barco, um avião, uma
moto e um carro envenenado. "Herbert era um grande esportista, amava a velocidade.
Nos últimos anos de sua vida, ele estava se dedicando ao alpinismo",
diz Eliette von Karajan, viúva do maestro.
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Essa versão
"radical" é apenas uma entre muitas metamorfoses na história
do regente. A primeira dessas metamorfoses certamente foi a mais importante.
Afiliado do partido de Adolf Hitler durante a II Guerra Mundial, ele não
apenas conseguiu evitar que sua carreira entrasse em derrocada depois
do fim do conflito, como ainda veio a ser reconhecido como o principal
regente do século XX. Isso se deveu em boa parte à sua extraordinária
carreira fonográfica. Apesar de não ter sido preso, Karajan
foi banido das salas de concerto no pós-guerra. Um produtor inglês
argumentou que o veto não se estendia a gravações
e atraiu o regente para os estúdios. Lá, Karajan descobriu
que os discos seriam a melhor maneira de perpetuar sua fama. Dizem que
uma de suas principais inovações acelerar o andamento
ao reger a Quinta Sinfonia de Beethoven ocorreu pelo desejo
de fazer a obra caber num único LP. Para citar novamente Norman
Lebrecht, Herbert von Karajan foi o único produto do nazismo que
deu certo. E parece que a força de sua imagem ainda não
se esgotou.
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