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A melhor tradução de ROCK

Um DVD e um CD trazem registros
inéditos dos shows épicos do Led
Zeppelin nos anos 70

Sérgio Martins

Veja também
  Para ouvir:
os sucessos de Led Zeppelin
Black Dog, uma das músicas do CD triplo
Site da Warner Music

Com duração de até quatro horas e platéias ensandecidas, as apresentações da banda inglesa Led Zeppelin na década de 70 eram momentos épicos. Por determinação de seu empresário Peter Grant, no entanto, a banda não fazia gravações ou filmagens ao vivo. "Se você gosta do Led Zeppelin, compre um ingresso e vá vê-lo", dizia Grant. A única exceção ocorreu em 1973, quando três shows no Madison Square Garden, de Nova York, transformaram-se no disco e no filme The Song Remains the Same. Ou, pelo menos, era isso o que se pensava. Nos últimos anos, foram achadas imagens que mostram o grupo em ação. Esse material acaba de ser reunido num pacote que se chama How the West Was Won e contém um CD triplo e um DVD duplo. Ele chega ao mercado americano na semana que vem e ao brasileiro em 16 de junho. Nem mesmo os integrantes do Led Zeppelin conheciam todas as cinco horas de gravações inéditas. "Boa parte delas foi registrada por acaso, às vezes por fãs. São documentos fiéis da catarse que nossa banda provocava", disse o ex-guitarrista e líder do grupo, Jimmy Page, em entrevista a VEJA. Para aqueles que só sabiam dos famosos shows do Led Zeppelin por relatos da época – alguns deles verdadeiras Ilíadas roqueiras –, a situação equivale à descoberta das muralhas de Tróia pelos arqueólogos.

Como dizia o rolling stone Keith Richards, a fórmula mágica para criar uma banda de rock bem-sucedida consiste em reunir um guitarrista enfezado e um cantor com sex appeal. O Led Zeppelin, claro, tinha as duas coisas. Jimmy Page é um dos raros guitarristas que realmente merecem a alcunha de gênio. Robert Plant, além de cantor inspirado, era um homem bonito que exalava sensualidade – e não só no sentido mais ortodoxo do termo. Não bastasse a presença desses astros, o baixista John Paul Jones e o baterista John Bonham também eram instrumentistas excepcionais. Juntos, os quatro fizeram um coquetel de blues e rock ao qual juntaram oportunas pitadas de música celta e indiana, numa antecipação do repertório new age. Em momentos de inspiração máxima, como na interpretação de Whole Lotta Love no show do Madison Square Garden, eles conseguiam manter uma platéia roqueira em delírio fazendo um som que estava próximo do jazz.

O Led Zeppelin surgiu em 1968 e, já no ano seguinte, realizou a proeza de ultrapassar os Beatles na parada musical. A música Stairway to Heaven, que marejava os olhos adolescentes na década de 70 (e continua a emocionar os marmanjos que usavam camiseta Hang Ten naquela época), é a mais executada de todos os tempos nas FMs. Além de fazer um rock excelente, o Led Zeppelin inaugurou a era do gigantismo no rock. Foi o primeiro a possuir um avião Jumbo particular e inventou as megaturnês – a certa altura, a renda bruta de seus shows era mais alta do que o PIB de alguns países africanos. Suas aventuras sexuais e com drogas deram origem a uma extensa lista de anedotas – algumas delas exploradas recentemente no filme Quase Famosos, do diretor Cameron Crowe, que acompanhou a banda como repórter quando jovem, bem antes de tornar-se cineasta. O Zeppelin tinha seu time exclusivo de traficantes, além de tietes que se submetiam a qualquer coisa para seguir o grupo para cima e para baixo. A mais famosa e mais absurda história sobre as loucuras do Led Zeppelin envolve uma orgia em que uma garota foi amarrada à cama de um quarto de hotel e um tubarão foi transformado em instrumento fálico. "Foi um caçãozinho de nada", disse um dos empresários do grupo quando a história veio à tona. Os boatos em torno de Jimmy Page são particularmente abundantes. Ele era obcecado por ocultismo, heroína e, ao que tudo indica, meninas menores de 16 anos. "Digam o que quiserem. Não sou melhor nem pior que meus contemporâneos", diz ele.

O CD e o DVD de How the West Was Won contêm materiais complementares. O primeiro traz a íntegra de uma apresentação em Los Angeles, em 1972. O Zeppelin golpeia a platéia com canções pesadas para depois engrenar numa seqüência acústica. Os solos são de arrepiar, destacando-se a explosão da guitarra em Black Dog. O DVD traz registros feitos na Inglaterra em 1970, 1975 e 1979 – a última apresentação do baterista John Bonham, que morreu em setembro do ano seguinte engasgado com uma indigesta mistura de vodca, suco de laranja e enroladinhos de presunto. As imagens imberbes de Page e Plant na execução do acelerado rock Communication Breakdown, do blues In My Time of Dying e o coro da platéia em Rock and Roll são desde já itens de qualquer antologia de melhores momentos do rock.

   
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