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Mal-assombrado
Fantasma do 11 de setembro
apequena o filme de Spike Lee
Isabela Boscov
Divulgação
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| Edward
Norton: mea-culpa |
O
diretor Spike Lee, um nova-iorquino ardoroso, achou que seria oportuno
ligar a história de arrependimento de A Última Noite
(25th Hour, Estados Unidos, 2002) aos atentados de 11 de
setembro de 2001. E foi em termos. O drama que estréia nesta
sexta-feira no país trata das últimas 24 horas de liberdade
do yuppie Monty Brogan (Edward Norton), que pela manhã irá
para a prisão por tráfico de drogas. Nesse tempo que resta,
Monty terá de se despedir de seu cão, de seu pai, de seus
dois amigos de infância e de sua namorada porto-riquenha, que pode
ou não tê-lo delatado. Essas horas são curtas para
cortar tantos laços, mas suficientes para que Monty amargure sua
ganância e a ilusão de que poderia viver como viveu sem ser
visitado por algum tipo de justiça. Aí haveria um belíssimo
filme. E é assim que ele parece em cenas como aquela em que Monty,
olhando-se no espelho, destila ódio contra todos os grupos étnicos
e sociais que compõem Nova York, das madames brancas aos taxistas
paquistaneses até amaldiçoar a si mesmo. Não
é difícil ver onde está a ligação entre
esse estado de espírito e os atentados. Pelo sim, pelo não,
Lee prefere martelá-la em imagens demoradas do Ground Zero, sublinhadas
pela música excessiva de Terence Blanchard. Essa opção
pela obviedade apequena a trajetória pessoal de Monty e também
a autocrítica que Lee faz como americano. No fim, o que sobra não
passa de um lamento: pena que não exista uma 25ª hora (o título
original) na qual desfazer os erros das 24 anteriores.
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