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Edição 1 803 - 21 de maio de 2003
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12 por 8 é ruim

Médicos decretam que pressão
boa é a que fica abaixo disso


Na semana passada, um comitê formado pelos mais renomados cardiologistas dos Estados Unidos divulgou um documento com as novas diretrizes de classificação da hipertensão arterial. A partir de agora, para quem tem mais de 18 anos, a pressão arterial só é considerada normal se estiver abaixo de 12 por 8. Nesse patamar, já se está no grupo de risco. De acordo com tais diretrizes, pessoas com pressão na marca de 13 por 9 são consideradas hipertensas e, portanto, o ideal é que se submetam a tratamentos à base de drogas anti-hipertensivas. Os que estão no grupo de risco, reforçam os cardiologistas, devem controlar o peso, fazer exercícios com regularidade, parar de fumar, diminuir a ingestão de sal, reduzir o consumo de bebidas alcoólicas e comer mais frutas, legumes e produtos desnatados. As novas recomendações baseiam-se em estudos que demonstram que, mesmo em níveis de pressão até agora considerados normais, é alta a possibilidade de haver dano às artérias e aumento do risco de doenças cardiovasculares. "No índice 12 por 8, o problema é a pressão mínima. Por isso, grosso modo, o ideal é mantê-la entre 6 e 7, sem que a máxima ultrapasse 12", diz o cardiologista Sergio Timerman, de São Paulo.

Os novos índices de pressão normal vieram se somar a outras modificações recentes nos parâmetros para a prevenção de doenças cardíacas e derrames. Entre outras mudanças, a atual cartilha, adotada desde o ano passado pela Associação Americana do Coração, antecipou a idade para o início do controle. Passou dos 40 para os 20 anos. Os médicos também reviram os limites de colesterol no sangue – pelos padrões antigos, o tolerável era 240 miligramas por decilitro de sangue. As novas regras estipularam que as taxas do colesterol total não podem ultrapassar 200. Nem mesmo recomendações antigas, como a prática de exercícios físicos, escaparam da linha dura dos cardiologistas. Há cinco anos, acreditava-se que meia hora de atividade física, três vezes por semana, era o suficiente para proteger o coração. Agora, o mínimo é meia hora por dia. De tão rígidas, as recomendações soam quase exageradas. Mas os médicos estão realmente alarmados com a explosão de distúrbios cardiovasculares nos últimos anos. Eles são a principal causa de mortes no mundo, com 17 milhões de óbitos – o equivalente a uma em cada três mortes. No Brasil, somam 300 000 por ano. O que se espera com essas mudanças é que elas resultem em mais cuidado por parte das pessoas.

   
 
   
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