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Edição 1 803 - 21 de maio de 2003
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A capital gay

Com muita festa e um prefeito
que saiu do armário, Berlim
disputa o turismo GLS

Diogo Schelp, de Berlim


Reuters
O prefeito Klaus Wowereit com o chanceler Gerhard Schroeder

Nos anos 30, antes do nazismo, Berlim foi uma espécie de capital GLS da Europa. Agora, a cidade está a toda para recuperar o título. O garoto-propaganda do projeto é o próprio prefeito, Klaus Wowereit. Antes de ser eleito, em 2001, ele acabou com todas as dúvidas que havia sobre seu comportamento sexual. "Sou gay, e está bem assim", anunciou. Houve um frenesi no eleitorado. Menos do que derrubar preconceitos, Wowereit quer é arrecadar mais dinheiro. Em uma recente feira de turismo na capital alemã, ele tomou a dianteira de uma campanha publicitária para atrair visitantes gays. "Esta é uma oportunidade que não podemos perder", explicou. O principal alvo são turistas dos Estados Unidos, onde os gays têm alto poder aquisitivo e viajam mais do que a média da população – 75% deles têm passaporte. Como geralmente preferem Barcelona e Amsterdã, no começo de maio Wowereit foi pessoalmente ao maior congresso GLS americano, na Filadélfia, em missão comercial.

Há 300.000 homossexuais em Berlim, cerca de 10% da população. "Temos tudo o que lhes agrada: museus de arte, arquitetura rica, oito sinfônicas, três óperas e a mais variada cena gay da Europa", proclama Hans Nerger, diretor da empresa municipal de turismo. Variada cena gay quer dizer 150 bares, cafés, restaurantes e clubes noturnos declaradamente voltados para esse público. Boa parte dessas casas está no bairro de Schöneberg, o mesmo dos agitos culturais da década de 20. Ali foi rodado o que se considera o primeiro filme de temática homossexual, em 1919. O bar Eldorado, um dos preferidos da atriz Marlene Dietrich, foi o primeiro fechado pelos nazistas em 1933, marcando simbolicamente o fim dos anos dourados da cidade. A casa hoje funciona a todo o vapor.

Schöneberg não é um gueto. Em todos os bairros se vêem casais homossexuais em meio a héteros, velhinhos e crianças. A mesma atmosfera de integração pode ser sentida em junho, na Festa Gay e Lésbica, com música, dança, barracas de comes e bebes e de organizações não-governamentais. A festa acontece uma semana antes do Dia Mundial do Orgulho Gay, cuja parada berlinense chega a ter 400.000 participantes. Um guia distribuído nos postos de informação turística anuncia: "Aqui todos encontram sempre o lugar certo – do cocktail bar gay à boate para os adeptos do couro". Existem oitenta hotéis registrados oficialmente na prefeitura como "amigos dos gays", um museu que aborda apenas o homossexualismo, uma biblioteca específica com 8.000 títulos e o principal festival de cinema gay do mundo, simultâneo ao Festival de Berlim. O prêmio dos vencedores é o Ursinho. Arrematando as opções, há programa para gays na TV aberta e até torcida organizada de futebol.

   
 
   
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