
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
 |
 |
| (conteúdo
exclusivo para assinantes VEJA ou UOL) |
 |
|
|
A capital gay
Com
muita festa e um prefeito
que saiu do armário, Berlim
disputa o turismo GLS
Diogo Schelp,
de Berlim
Reuters
 |
| O
prefeito Klaus Wowereit com o chanceler Gerhard Schroeder |
Nos anos
30, antes do nazismo, Berlim foi uma espécie de capital GLS da
Europa. Agora, a cidade está a toda para recuperar o título.
O garoto-propaganda do projeto é o próprio prefeito, Klaus
Wowereit. Antes de ser eleito, em 2001, ele acabou com todas as dúvidas
que havia sobre seu comportamento sexual. "Sou gay, e está bem
assim", anunciou. Houve um frenesi no eleitorado. Menos do que derrubar
preconceitos, Wowereit quer é arrecadar mais dinheiro. Em uma recente
feira de turismo na capital alemã, ele tomou a dianteira de uma
campanha publicitária para atrair visitantes gays. "Esta é
uma oportunidade que não podemos perder", explicou. O principal
alvo são turistas dos Estados Unidos, onde os gays têm alto
poder aquisitivo e viajam mais do que a média da população
75% deles têm passaporte. Como geralmente preferem Barcelona
e Amsterdã, no começo de maio Wowereit foi pessoalmente
ao maior congresso GLS americano, na Filadélfia, em missão
comercial.
Há
300.000 homossexuais em Berlim, cerca de 10%
da população. "Temos tudo o que lhes agrada: museus de arte,
arquitetura rica, oito sinfônicas, três óperas e a
mais variada cena gay da Europa", proclama Hans Nerger, diretor da empresa
municipal de turismo. Variada cena gay quer dizer 150 bares, cafés,
restaurantes e clubes noturnos declaradamente voltados para esse público.
Boa parte dessas casas está no bairro de Schöneberg, o mesmo
dos agitos culturais da década de 20. Ali foi rodado o que se considera
o primeiro filme de temática homossexual, em 1919. O bar Eldorado,
um dos preferidos da atriz Marlene Dietrich, foi o primeiro fechado pelos
nazistas em 1933, marcando simbolicamente o fim dos anos dourados da cidade.
A casa hoje funciona a todo o vapor.
Schöneberg
não é um gueto. Em todos os bairros se vêem casais
homossexuais em meio a héteros, velhinhos e crianças. A
mesma atmosfera de integração pode ser sentida em junho,
na Festa Gay e Lésbica, com música, dança, barracas
de comes e bebes e de organizações não-governamentais.
A festa acontece uma semana antes do Dia Mundial do Orgulho Gay, cuja
parada berlinense chega a ter 400.000 participantes.
Um guia distribuído nos postos de informação turística
anuncia: "Aqui todos encontram sempre o lugar certo do cocktail
bar gay à boate para os adeptos do couro". Existem oitenta hotéis
registrados oficialmente na prefeitura como "amigos dos gays", um museu
que aborda apenas o homossexualismo, uma biblioteca específica
com 8.000 títulos e o principal festival
de cinema gay do mundo, simultâneo ao Festival de Berlim. O prêmio
dos vencedores é o Ursinho. Arrematando as opções,
há programa para gays na TV aberta e até torcida organizada
de futebol.
|
|
 |
|
 |

|
 |