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Só
falta pichar
Ouro Preto bate recordes de
descuido com o patrimônio histórico
José
Edward

Veja também |
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Foi-se
o tempo em que Ouro Preto era exemplo mundial de conservação
do patrimônio histórico. Nos últimos meses, dois acidentes
completaram uma lista de danos provocados pelo descaso. Primeiro, um caminhão
atropelou uma fonte do século XVIII. Depois, um incêndio
devorou um casarão do século XIX. Bem antes disso já
havia cupins corroendo a estrutura de obras históricas, goteiras
causando infiltração em telhados coloniais, umidade esfarinhando
tijolos centenários, trânsito provocando trincas em paredes
e gente fazendo instalações que a qualquer momento podem
provocar novas fogueiras com bens culturais. Tudo isso está num
inventário da Escola de Arquitetura da Universidade Federal de
Minas Gerais, no qual se descobre que 40% dos casarões correm risco
de desabamento. "Ouro Preto pode ter o mesmo destino do Chiado", alerta
Frederico Tofani, coordenador do inventário, lembrando o incêndio
que destruiu o bairro histórico de Lisboa, em 1988.
Ao lado da falta de investimentos na recuperação de obras
e monumentos está o descaso da administração municipal.
Até hoje a cidade não tem uma lei de uso do solo nem um
código de edificações. O plano diretor, aprovado
em 1996, ainda não foi implantado. O Instituto do Patrimônio
Histórico e Artístico Nacional (Iphan) só conta com
dois técnicos para a fiscalização local. Uma das
acusações que levaram ao afastamento da prefeita pedetista
Marisa Xavier, em abril, foi a de negligência com o patrimônio
histórico. Ela retomou o cargo com uma liminar. De um contrato
de 7 milhões de reais para várias obras, já se gastaram
5 milhões, mas ainda não se viram os trabalhos previstos
de controle de incêndios e aterramento elétrico no centro
da cidade, de acordo com as denúncias levadas à Câmara
Municipal pelo PT local. "Todas as denúncias são infundadas",
responde Marisa. Numa visita a Ouro Preto, o ministro da Cultura, Gilberto
Gil, não soube a quem liberar recursos para a conservação
de monumentos. "A cidade corre grande risco de entrar para a lista dos
patrimônios em perigo", afirma Jurema Machado, diretora de Cultura
da Unesco no Brasil.
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Os
dez menos
Símbolos
da cidade e seus maiores problemas
Museu
da Inconfidência
Paredes
trincadas devido ao tráfego nas imediações
Palácio
dos Governadores
Trincas
e acréscimos indevidos no prédio
Matriz
Nossa Senhora do Pilar
Telhado
e forro precisam de restauração urgente
Matriz
Nossa Senhora Conceição de Antônio Dias
Obras
de arte deterioradas*
Igreja
São Francisco de Assis
Estrutura
abalada pelo tráfego de ônibus
Igreja
São José
Fechada
há seis anos, com danos no assoalho, no altar e no coro
Igreja
Santa Efigênia
O
madeiramento está sendo comido pelos cupins
Igreja
Nossa Senhora das Mercês de Baixo
Cupins
devoram o forro
Igreja
do Taquaral
Problemas
na cobertura, no forro e no piso
Matriz
do Distrito de São Bartolomeu
Piso, forro e cobertura comprometidos
Fonte:
Iphan, Ouro Preto
* Há verba do Banco Interamericano de
Desenvolvimento para a restauração
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