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Parece mas não
é
Nova
coleção da Louis Vuitton
mal chegou às lojas
e as falsificações,
como o modelo
abaixo, já estão
nos camelôs

Bel Moherdaui
Fotos: Marcelo Zocchio
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| Desenho
borrado e falha na costura denotam serviço tosco; além disso, a bolsa
de grife deve ter 33 cores |
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| Neste
modelo, chamado Alma, o fundo original é todo de couro bege e liso,
e não estampado |
Outros
indícios: logotipo cortado, costuras tortas e gravação na vertical
(na autêntica, é horizontal) |
Olhando rapidamente,
as bolsas que aparecem em todas as fotos desta página são
idênticas. Isso, é claro, para quem tem olhos de leigo. Para
quem entende do assunto, são evidentes as marcas da falsificação
no modelo acima e a excelência de material, feitura e acabamento
que atesta a autenticidade dos exemplos abaixo. A única coisa que
une os produtores das bolsas falsas e as apreciadoras da nova coleção
da grife Louis Vuitton é a ansiedade de colocar os modelos em circulação.
Criadas pelo artista plástico japonês Takashi Murakami, as
bolsas desembarcaram nas quatro lojas da grife no país há
um mês e nem chegaram às prateleiras os 220 exemplares
saíram da caixa direto para a casa de duas centenas de felizardas
em lista de espera. Foi pouco. "Não suprimos nem um terço
da lista", calcula Marcelo Noschese, diretor da Louis Vuitton no Brasil.
Quer dizer, pelo menos 400 mulheres abonadas estão roendo as bem-cuidadas
unhas à espera do novo carregamento. No lançamento da coleção,
há duas semanas, em São Paulo, quando 24 exemplares puderam
ser adquiridos ali mesmo, no balcão, o clima era trepidante. Quem
não vencesse a disputa pela bolsa nova amargaria uma espera de
mais quatro meses. A advogada Janny Villas Bôas celebrava, eufórica,
a aquisição da sua a 19ª Louis Vuitton que põe
no closet, "sem contar as malas".
Divulgação
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| Verdadeiras:
fila de espera para modelos que custam até 18 500 reais (maior,
à direita) |
O sucesso
de marketing da grife de luxo alimenta uma incontrolável indústria
da falsificação. As cópias, feitas na Ásia,
principalmente Coréia do Sul e China, vêm se aperfeiçoando,
mas ainda são facilmente identificáveis (veja indicações
acima). A primeira prova de autenticidade: as bolsas Louis Vuitton
são vendidas única e exclusivamente em butiques da marca.
A segunda: a imensa maioria das pessoas não pode pagar por um modelo
desses (o mais barato sai por 1.590 reais).
Na nova coleção, a grife conta com um obstáculo extra
contra os falsificadores: a grande quantidade de cores, num fundo branco
ou preto, em lugar do tradicional dourado sobre marrom. São 33
cores na versão mais simples, com o monograma colorido, e 91 no
modelo que traz desenhado o olho do personagem Mr. Dob, marca registrada
de Murakami. Nada que derrube o ímpeto dos falsificadores, ou de
suas clientes que, evidentemente, sabem muito bem que estão
comprando mercadoria pirata. Antes mesmo do lançamento oficial
da nova coleção Louis Vuitton no país já era
possível encontrar exemplares falsos no centro de São Paulo,
ao preço médio de 200 reais.
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