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Edição 1 803 - 21 de maio de 2003
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Parece mas não é

Nova coleção da Louis Vuitton
mal chegou às lojas
e as falsificações,
como o modelo
abaixo, já estão
nos camelôs


Bel Moherdaui

Fotos: Marcelo Zocchio
Desenho borrado e falha na costura denotam serviço tosco; além disso, a bolsa de grife deve ter 33 cores
Neste modelo, chamado Alma, o fundo original é todo de couro bege e liso, e não estampado Outros indícios: logotipo cortado, costuras tortas e gravação na vertical (na autêntica, é horizontal)

Olhando rapidamente, as bolsas que aparecem em todas as fotos desta página são idênticas. Isso, é claro, para quem tem olhos de leigo. Para quem entende do assunto, são evidentes as marcas da falsificação no modelo acima e a excelência de material, feitura e acabamento que atesta a autenticidade dos exemplos abaixo. A única coisa que une os produtores das bolsas falsas e as apreciadoras da nova coleção da grife Louis Vuitton é a ansiedade de colocar os modelos em circulação. Criadas pelo artista plástico japonês Takashi Murakami, as bolsas desembarcaram nas quatro lojas da grife no país há um mês e nem chegaram às prateleiras – os 220 exemplares saíram da caixa direto para a casa de duas centenas de felizardas em lista de espera. Foi pouco. "Não suprimos nem um terço da lista", calcula Marcelo Noschese, diretor da Louis Vuitton no Brasil. Quer dizer, pelo menos 400 mulheres abonadas estão roendo as bem-cuidadas unhas à espera do novo carregamento. No lançamento da coleção, há duas semanas, em São Paulo, quando 24 exemplares puderam ser adquiridos ali mesmo, no balcão, o clima era trepidante. Quem não vencesse a disputa pela bolsa nova amargaria uma espera de mais quatro meses. A advogada Janny Villas Bôas celebrava, eufórica, a aquisição da sua – a 19ª Louis Vuitton que põe no closet, "sem contar as malas".

Divulgação
Verdadeiras: fila de espera para modelos que custam até 18 500 reais (maior, à direita)

O sucesso de marketing da grife de luxo alimenta uma incontrolável indústria da falsificação. As cópias, feitas na Ásia, principalmente Coréia do Sul e China, vêm se aperfeiçoando, mas ainda são facilmente identificáveis (veja indicações acima). A primeira prova de autenticidade: as bolsas Louis Vuitton são vendidas única e exclusivamente em butiques da marca. A segunda: a imensa maioria das pessoas não pode pagar por um modelo desses (o mais barato sai por 1.590 reais). Na nova coleção, a grife conta com um obstáculo extra contra os falsificadores: a grande quantidade de cores, num fundo branco ou preto, em lugar do tradicional dourado sobre marrom. São 33 cores na versão mais simples, com o monograma colorido, e 91 no modelo que traz desenhado o olho do personagem Mr. Dob, marca registrada de Murakami. Nada que derrube o ímpeto dos falsificadores, ou de suas clientes – que, evidentemente, sabem muito bem que estão comprando mercadoria pirata. Antes mesmo do lançamento oficial da nova coleção Louis Vuitton no país já era possível encontrar exemplares falsos no centro de São Paulo, ao preço médio de 200 reais.

   
 
   
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