Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 803 - 21 de maio de 2003
Geral Diplomacia
 

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Índice
Seções
Brasil
Internacional
Economia e Negócios
Geral
 

As rainhas das festas nas embaixadas
Novas bolsas da Louis Vuitton já foram falsificadas
A Índia compra um quinto do ouro produzido no mundo
O roubo da obra-prima de Cellini
Os medos do brasileiro em relação ao sexo
A degradação do patrimônio em Ouro Preto
Berlim é a capital do turismo gay
A Europa sobre duas rodas
Agora, 12 por 8 já é alerta para hipertensão

Guia
Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Luiz Felipe de Alencastro
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
Radar
Contexto
Veja essa
Arc
Gente
VEJA on-line
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Arquivo 1997-2003
Reportagens de capa
2000|01|02|03
Entrevistas
2000|01|02|03


 

As rainhas das festas
nas embaixadas

Adaptada aos novos tempos do
governo Lula e sob o comando
de embaixatrizes festeiras, a
diplomacia de Brasília retoma
a vida social

Sandra Brasil

 
Fotos Tina Coelho
A PROFESSORA GREGA
Antonia Doukas, da Embaixada da Grécia: festeira de primeira e referência para as embaixatrizes mais novas
A ALUNA ESPANHOLA
A bela Ralitsa, embaixatriz da Espanha, que se aconselha com a colega grega: dedicação aos esportes

Depois de oito anos convivendo com Fernando Henrique Cardoso, a comunidade diplomática de Brasília viveu uma fase de expectativa durante a eleição presidencial. Se os tucanos vencessem, os embaixadores teriam de se entender com José Serra, dono de um temperamento fechado e seco, muito diferente do sedutor FHC. Em caso de vitória do PT, havia dúvidas mais profundas do que apenas as de caráter pessoal. Alguns embaixadores manifestavam em conversas informais uma dose de preocupação exagerada. Temia-se que a relação com alguns países pudesse sofrer um certo arranhão. Houve até quem achasse que, apenas por razões ideológicas, a representação de Cuba acabaria ganhando um destaque especial, desproporcional à importância comercial da ilha para o Brasil. Lula venceu e, passados os quatro primeiros meses de governo, as preocupações pré-eleitorais se dissiparam – e o circuito diplomático retomou o tradicional clima festivo, adaptadíssimo ao governo petista.

Basta conferir os números. VEJA pediu às representações diplomáticas com sede em Brasília que informassem quantas festas deram no ano passado e neste ano. Trinta das 94 embaixadas existentes no Distrito Federal responderam à pergunta. Elas informaram ter oferecido mais de 700 eventos em 2002, algo como catorze encontros sociais por semana. Computados os eventos promovidos por essas mesmas trinta embaixadas nos quatro primeiros meses do ano de 2003, a média permaneceu inalterada: catorze festas por semana. Ou seja, a Brasília dos embaixadores continua tão alegre sob a gestão Lula quanto era na fase FHC. Algumas das embaixadas mais festivas deste ano foram a de Israel, com dez recepções, a da Espanha, com onze, e a da Alemanha, com quinze eventos. No dicionário diplomático, "recepção" é palavra de definição ampla. Ela inclui almoços e jantares para políticos, promoção de exposições de arte, coquetéis e as festas propriamente ditas, que reúnem a elite local, brasileira e estrangeira, em torno de uma celebração. As festas raramente são dançantes.


Nem todos os encontros fazem o mesmo sucesso ou produzem os mesmos comentários positivos. Algumas embaixadas, por empenho pessoal dos titulares, conseguem agradar mais do que outras. Desde que assumiu em janeiro a chefia do grupo de países que integram a União Européia no Brasil, o embaixador Stratos Doukas, da Grécia, promoveu dezesseis recepções nos primeiros quatro meses de 2003 – quase uma por semana. Suas festas são comentadíssimas e a chave do sucesso é sua mulher, Antonia, com quem Doukas está casado há 36 anos. Em Brasília, a embaixatriz Antonia já é tida como a nova "locomotiva" do mundo diplomático brasiliense. Ela se envolve pessoalmente não apenas na supervisão dos arranjos para os encontros, mas na decoração das mesas e na confecção dos pratos. Já preparou até feijoada. Entrosadíssima na sociedade local, por duas vezes ultrapassou os limites do restrito círculo diplomático e aceitou convite para ser jurada de concurso de miss. Antonia morou em sete países e fala quatro idiomas além do português fluente, que aprendeu quando morou no Rio de Janeiro entre 1977 e 1981. "Da primeira vez que morei no Brasil, o Lula era um sindicalista perseguido. A vitória dele demonstra o amadurecimento do país", avalia a embaixatriz. Antonia já preparou alguns almoços para ministros e auxiliares de Lula. Sobre os petistas, comenta que são ótimos convivas. "Foram todos muito pontuais", diz.

 
Emivaldo Silva



A FANTASIA AMERICANA
Donna Hrinak em fantasia no 4 de julho

Por causa de seu destaque social, Antonia acabou se tornando uma espécie de professora das embaixatrizes mais novas. Uma de suas alunas mais notáveis é Ralitsa Pavlova de Coderch, 27 anos. Natural da Bulgária, ela é casada há dois anos com o embaixador da Espanha no Brasil, José Coderch, 28 anos mais velho. A bela e simpática Ralitsa está fazendo sucesso desde que chegou ao Brasil, em outubro de 2001. Com 1,78 metro e 63 quilos, ela causa furor por onde passa. A novata acompanha o marido a pelo menos quatro compromissos sociais por semana. "Com Antonia, aprendi que preciso ter um livro para fazer três anotações importantes de cada recepção que promovo. São elas: os nomes dos convidados, o menu e qual roupa eu estava usando", afirma Ralitsa, feliz com as atribuições de embaixatriz. Seu encantamento com o Brasil é tão grande que planeja desfilar na Mangueira no Carnaval e ter pelo menos o primeiro filho "brasileirinho". A jovem tem três paixões no Brasil: o Rio de Janeiro, farofa e pão de queijo. "Cheguei a comer vinte pães de queijo depois do café-da-manhã. Que perdição!"

Boa jogadora de tênis, Ralitsa torna-se professora nas quadras. Toda terça-feira, das 8 às 10 da manhã, ensina oito embaixatrizes a jogar na quadra da Embaixada da Espanha. Dos 12 aos 15 anos e meio, Ralitsa representou a Bulgária em diversos torneios na Europa. Foi graças ao tênis que conheceu o marido, então embaixador da Espanha na Bulgária. "Eu tinha 22 anos", conta. Uma lesão afastou-a do tênis profissional. Para manter a forma, Ralitsa pratica duas horas de atividade física todos os dias. Intercala o tênis com golfe, natação, squash e ginástica. Desde que chegou a Brasília, a embaixatriz já ganhou quatro torneios, o último em abril, no Clube da Aeronáutica. Ao todo, participaram 36 tenistas – 33 homens e três mulheres. "Os generais ficaram brincando comigo. Diziam: 'O que vão falar das Forças Armadas brasileiras, que organizaram um torneio misto e quem ganhou foi uma mulher?'", diverte-se Ralitsa. Brinca-se em Brasília que a festa perfeita é aquela organizada por Antonia, da Grécia, com a presença de Ralitsa, da Espanha.

 
Paulo Lima
Emivaldo Silva

O BELGA "À CARIOCA"
O embaixador da Bélgica, acima e ao lado, com a mulher numa festa a fantasia, de "malandro carioca"

Os embaixadores formam um elo direto entre países. Cabe a eles a tarefa de trocar informações, promover o comércio internacional e ajudar na condução de contenciosos políticos e econômicos entre nações. A essas funções se soma a vida social, que é cansativa. Muitas vezes, são três jantares na mesma noite. "Os coquetéis são o terceiro expediente de um embaixador", resume Paulo Tarso Flecha de Lima, com a experiência de quem foi embaixador do Brasil em Londres, Washington e Roma durante doze anos. "Nesse meio, festa não pode ser entendida como futilidade." Quem leva a regra a sério é a embaixadora dos Estados Unidos no Brasil, Donna Hrinak, que surpreendeu os convidados que compareceram à festa promovida por sua embaixada para comemorar o 4 de julho, data da independência dos Estados Unidos, no ano passado. Ela apareceu com uma roupa que era uma mistura de bandeira americana com Estátua da Liberdade. Já é grande a expectativa sobre qual traje Donna vestirá neste ano. Nesse universo estrangeiro, que raramente se mistura ao mundo dos debates políticos do Congresso Nacional, há poucos brasileiros além dos integrantes do governo. Um destaque é a cearense Maria do Carmo Veranneman, que se casou com o diplomata belga Jean-Michel Veranneman de Watervliet no começo dos anos 80. No ano 2000, Veranneman de Watervliet voltou como embaixador. Portanto, a embaixatriz da Bélgica é uma cearense. E detalhe: animadíssima. Para comemorar o Carnaval deste ano, Maria do Carmo promoveu um baile à moda antiga para 120 pessoas. Na festança, escolheu uma fantasia de baiana. "Meu marido disse que também queria usar algo do Brasil. Vesti-o de malandro carioca, com cordão dourado e pistola de brinquedo." Ela conta que alguns embaixadores convidados disseram que o belga estava vestido mesmo era de traficante do filme Cidade de Deus. Tudo não passou de uma homenagem ao Brasil. E que homenagem!


Com reportagem de
Cynthia Almeida Rosa


   
 
   
  voltar
   
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS