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Na reportagem "O campeão mundial do suco de laranja" (14 de maio),
VEJA mostrou ao Brasil o que moradores de Araraquara já sabiam.
Deixou de citar, porém, que 35% do imposto que a cidade arrecada
vem do grupo Cutrale. O Brasil precisa muito de empresários como
José Cutrale para enfrentar a concorrência desleal cometida
pelos políticos e empresários de outros países, que
se acham os donos do mundo. Sou
fã da Cutrale desde que estive na Flórida, no ano passado.
Há tempos venho colecionando informações gloriosas
dessa empresa. E, como fã, não poderia deixar de visitar
o terminal marítimo de exportação, que proporciona
uma imagem linda o suco de laranja jorrando para dentro de seus
navios brancos. Obrigado, Cutrale, por sermos o maior do mundo. Os
brasileiros estavam merecendo uma reportagem sobre empresários
empreendedores, como a família Cutrale. Também deveriam
lembrar outros empresários que saíram do nada e construíram
fortunas. VEJA deveria dar continuidade a essa reportagem sobre os "reis"
do país. Como sugestão, o rei do algodão a
família Maeda, de Ituverava, São Paulo. Parabéns
pela matéria. Deve
ser motivo de orgulho para todos os brasileiros o excepcional desempenho
de nossa lavoura e pecuária. Somos os maiorais da laranja, da soja
e do café. Quero, no entanto, homenagear os pequenos e médios
produtores, que, apesar das enormes dificuldades, são os verdadeiros
responsáveis pelo arroz com feijão nosso de cada dia. Reis
da soja, do açúcar, do suco de laranja. Esses exemplos mostram
que o Brasil ainda tem muito potencial a ser explorado na agricultura.
Com tanta terra disponível, é inconcebível que apenas
uns poucos tenham capacidade para fazê-la produzir eficazmente.
Por paradoxal que pareça, enquanto há imensidões
de solo agricultável, milhões de trabalhadores rurais perambulam
pelo país, reunidos sob a capa do MST, em busca de um lugarzinho
para plantar. Algo precisa ser feito. VEJA começou a fazer sua
parte, ouvindo os três reis e mostrando como eles conseguiram chegar
lá.
Compartilho com o escritor anglo-indiano Salman Rushdie (Amarelas, 14
de maio) a opinião de que "a religião é um veneno
em nosso sangue". Se nos guiássemos exclusivamente pela Igreja,
hoje ainda estaríamos viajando de balsa e carros de boi, não
teríamos a mínima idéia de nossa história
como seres vivos nem de nossa evolução como seres humanos,
estaríamos orando para curar cânceres e outras doenças
que só foram controladas devido às mesmas pesquisas que
a Igreja condenava alguns séculos atrás. A
afirmação de Salman Rushdie de que "a religião é
um veneno em nosso sangue" vem apoiada por Bertrand Russell ("Todas as
religiões são falsas e prejudiciais" "Por que Não
Sou Cristão") e pelos cientistas Yochelson e Samenow ("A religiosidade
facilita o cometimento de crimes" "The Criminal Personality").
Sinto-me uma voz dissidente em meio ao deserto. Há anos, em minhas
publicações, combato o "xeroquismo" exacerbado no ensino
universitário brasileiro, aliado ao uso de informações
eletrônicas sem aprofundamento nem criticidade. Tudo isso agrava
a tendência de horizontalização da leitura, comprometendo
o processo de informação e conhecimento. Corremos, sim,
como Kanitz alerta em "Sempre leia o original" (Ponto de vista, 14 de
maio), o risco crescente de perder a visão integral dos temas e
de abandonar o interesse por obras densas, básicas ou de conteúdo
clássico, imprescindíveis à formação
profissional, em qualquer área do conhecimento humano. Obras que
estão, sim, perdidas no mundo mágico das bibliotecas! O
verdadeiro mestre é aquele que incute nos alunos o desejo de aprender.
Voltemos, portanto, às bibliotecas, às livrarias, aos originais.
Em 1995, o país dispunha de 3.800 bibliotecas públicas.
Durante a gestão FHC, o governo federal, por meio do programa Uma
Biblioteca em Cada Município, criou 1.649 novas bibliotecas. Fica
o registro. O
hábito de pesquisar livros em biblioteca deveria, e deve, ser criado
desde o primário. Somos um povo extremamente desprovido de leitura. Meu
filho de 11 anos já pegou livros na biblioteca; o de 5 já
está lendo. Eu e minha esposa (professora) incentivamos muito os
dois, pois sinto na pele a dificuldade de não ter lido muito. Aos
41 anos, tenho uma pilha de obras em casa, na fila para término
de leitura. Esse artigo nos tocou e nos incentivou mais ainda.
Fico cada vez mais fascinado com os atos de Lula. Torço a cada
dia para que seu governo dê certo. Já passou da hora de o
povo brasileiro desfrutar as riquezas deste país maravilhoso ("Quase
um discurso por dia", 14 de maio). A
bela reportagem sobre os discursos de nosso presidente mostrou que Lula
é um líder. Peleja com a palavra e emociona com o que diz,
especialmente pelo tom autêntico e improvisado dos discursos e da
trajetória pessoal de grandes desafios enfrentados. A frase que
mais me agradou foi a que fala de ganhar no fim do jogo: Lula, na verdade,
estava falando de si mesmo. É realmente feliz a matéria,
que mostrou com muita justiça um político que inspira confiança
pela palavra isso, definitivamente, não é comum.
Senti muita alegria ao ler VEJA. Lula
tem-se tornado um craque na retórica (não sei se a dele).
Suas palavras têm impressionado o povo. Mas é só isso.
Eu pergunto: presidente, quando o senhor vai começar a governar?
Chega de lero-lero. Lula
está exercendo seu mandato com o lema de sempre: muita lábia
e pouca ação. Tomara que ele permaneça assim até
o fim e não ouse cumprir suas mirabolantes promessas de campanha.
Parabéns a nosso presidente Lula pela indicação dos
novos ministros do Supremo Tribunal Federal, principalmente a de Joaquim
Benedito Barbosa Gomes, de origem humilde ("Enfim, um negro chega lá",
14 de maio). Finalmente
uma demonstração concreta de combate ao preconceito secular
no Brasil, muito além das frases de efeito de FHC, que chegou a
dizer que tinha "um pé na cozinha", mas nada de tangível
fez, além de cortejar o voto da comunidade negra brasileira.
Como moradora de Astoria, no Queens, senti-me extremamente orgulhosa ao
ver minha vizinhança retratada nas páginas de VEJA ("Com
vista para Manhattan", 14 de maio). Apesar da discriminação
que o Queens sofreu, durante muito tempo, por todos os "manhattanites"
(moradores de Manhattan), busquei o bairro como opção de
aluguel mais barato (embora pague 1.300 dólares em um apartamento
de dois quartos) e de tranqüilidade. Não é apenas a
linha N que liga Manhattan ao Queens, mas também a V, a W, a R
e a 7. E, na primeira foto, no canto superior esquerdo, o prédio
é o Kauffman Studios Astoria, "considerado patrimônio histórico",
que já serviu de estúdio para grandes produções,
como as séries de TV Sopranos e Seinfeld.
Gostei muito da reportagem "Gênios e autistas?" (14 de maio), que
trouxe ao conhecimento geral o que é a síndrome de Asperger,
ainda tão pouco conhecida até mesmo pelos profissionais
da área médica. É uma doença de difícil
diagnóstico. Peregrinei por mais de duas dezenas de consultórios,
entre pediatras, psicólogos e fonoaudiólogos, até
descobrir o que acontecia com meu filho, que aos 3 anos de idade não
falava uma palavra sequer, mas montava quebra-cabeças de quase
100 peças, aprendeu a desenhar sozinho utilizando o mouse do computador
e, quando íamos ao supermercado, ficava arrumando as gôndolas,
buscando simetria entre os produtos expostos nas prateleiras. Ainda hoje,
aos 7 anos, costuma repetir frases sozinho, tem dificuldade para conversar
e explicar como foi seu dia na escola, mas possui, por exemplo, uma capacidade
excepcional de percepção espacial, a ponto de executar no
computador tarefas complexas, como projetos tridimensionais com blocos
de montar ou ainda utilizar simuladores de vôo com mais habilidade
que muitos adultos.
Que lição nos dá o espanhol Amancio Ortega ("Mais
rico que Benetton, Armani, Prada...", 14 de maio). Para ter sucesso e
dinheiro nos dias de hoje, um empresário de moda não precisa
dar entrevista nem usar gravata. As lojas Zara não são as
mais chiques nem as mais caras. Longe disso. Mas Ortega é o maior
de todos no mundo fashion. Que assim seja. Não só na moda,
mas em todos os setores!
O hotel é uma empresa como outra qualquer e exige planejamento
prévio. Não basta sonhar com uma bela pousada à beira-mar
e pensar que os clientes chegarão a seu empreendimento por livre
e espontânea vontade ("Abrir pousada? É uma fria", 14 de
maio). Deve existir um planejamento de marketing eficiente, como também
um esforço de vendas contínuo e atuante no mercado-alvo.
Cabe aos profissionais responsáveis por esse trabalho ensinar a
seus clientes que o investimento no segmento hoteleiro exige conhecimento
técnico e comprometimento. Afinal, o futuro hoteleiro estará
apenas modificando sua área de atuação em negócios.
O negócio hotel, se planejado adequadamente, pode, além
de surpreender em números, tornar-se um sonho lucrativo. É
um erro dizer que não se deve contar com lucro antes do quinto
ano. Lucro pode ser obtido nos primeiros meses. O que deve ocorrer em
no máximo cinco anos é o ponto de reversão, em que
o saldo acumulado do faturamento se iguala ao investimento inicial, permitindo
o total retorno do investimento em até doze anos. Ensinamos em
nossos cursos que todos os negócios têm um nível de
risco exatamente proporcional à qualidade do gerenciamento. Bem
gerenciada, uma pousada é um negócio que une o útil
ao agradável e atende a uma demanda crescente e irreversível
tanto do mercado turístico no Brasil quanto da necessidade de mais
empreendimentos capazes de gerar mais renda e mais empregos.
Em relação
à nota "Tempo para julgar um processo", da coluna Holofote (14
de maio), cumpre-me dizer, em nome do Superior Tribunal Militar, que o
fato de esta Corte receber e julgar "apenas" 1.000
processos por ano é motivo de orgulho e júbilo para a Justiça
Militar da União. Esse número de processos é prova
irrefutável do baixo índice de criminalidade em nossas Forças
Armadas e, inequivocamente, sinal da eficácia dos julgados desta
justiça especializada, ao cuidar da preservação da
disciplina e da hierarquia na Marinha, no Exército e na Aeronáutica.
Em relação
à reportagem "Uma epidemia globalizada" (7 de maio) e ao quadro
"O 'vírus' da malária"(Cartas, 14 de maio), gostaria de
esclarecer que existem dezenas de espécies de protozoários
do gênero Plasmodium e, destas, quatro são infectantes
para o homem: P. vivax, P. falciparum, P. malarie e P. ovale,
e não somente três como foi citado no referido quadro. Gostaria
de informar também que o transmissor da malária é
a fêmea do mosquito Anopheles, e que a malária pode
ser transmitida por meio de transfusões com sangue contaminado.
Brilhante
a explicação de Diogo sobre o modo de governar de Lula.
Realmente, o que temos visto até agora é pura publicidade.
Como membro do Executivo sou testemunha de que o governo do PT conseguiu
a façanha de "parar" o Brasil, sob o pretexto de novos programas
assistencialistas, tais como o Fome Zero. Abandonaram-se os já
existentes (Bolsa Escola, Peti etc.), que vinham funcionando muito bem.
Cuidado, Lula, ninguém consegue enganar muita gente durante muito
tempo.
Fiquei surpreso
com a tecnologia que está ao alcance dos leitores de VEJA. Como
sou fã de Ney Matogrosso, segui a orientação da matéria
"O preferido das coroas" (14 de maio): "Ouça o cantor em www.veja.com.br".
Acessei de curioso e fiquei gratificado com as imagens e os sons do cantor
à minha disposição. Parabéns. Claro, congratulações
também ao cantor Ney Matogrosso pelo conjunto de sua obra. É
bom saber que, nesse emaranhado de problemas em que se encontra nosso
país, temos o privilégio de ver e ouvir um artista desse
quilate.
CORREÇÕES:
Na tabela da nota "Teste
seu pulmão" (Guia, 7 de maio), a informação
sobre o risco de 1% de contrair câncer no pulmão relativa
a homem de 50 anos que fuma vinte cigarros por dia desde os 15
vale para o indivíduo que está deixando o vício.
Caso continue a fumar, o risco sobe para 3%.
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