VEJA Recomenda
DISCOS
JATP
LAUSANNE 1953, Oscar Peterson & Ella Fitzgerald (Biscoito Fino)
Getty Images
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DISCO
Oscar Peterson e
Ella Fitzgerald: show memorável com o dream team do jazz |
Em 1944, o produtor americano Norman Granz criou um evento chamado Jazz at Philharmonic.
A série reuniu alguns dos maiores nomes do gênero, para shows especiais
em que tocavam músicas próprias, reinventavam standards
e, como é próprio do gênero, improvisavam à farta.
O JATP, como ficaria conhecido, começou no auditório da Filarmônica
de Los Angeles, estendeu-se para outras cidades americanas e mais tarde teve edições
na Europa. Esta apresentação foi gravada na Suíça,
em 1953, e traz a cantora Ella Fitzgerald e o pianista Oscar Peterson escudados
por um dream team no qual se destacam o guitarrista Barney Kessel, o baixista
Ray Brown e o saxofonista Lester Young. No repertório, Ella está
quase sempre em terreno seguro: Its Only a Paper Moon, de Harold
Arlen, e Lady Be Good, de George e Ira Gershwin, já faziam
parte de seus shows. Em compensação, Why Dont You Do Right, na voz de Ella, está aquém da versão de Peggy Lee, autora
da canção. É Peterson quem se mostra mais inspirado, como
se pode notar na versão instrumental de The Man I Love, outra canção
dos irmãos Gershwin, e nos solos de Oscars Tune, faixa de
sua autoria.
SEM DESTINO, Luiz Tatit (Dabliú)
Gal Oppido
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DISCO
Luiz
Tatit: na vanguarda do canto falado |
O cantor e compositor Luiz Tatit foi um dos criadores do Rumo, grupo que esteve
na linha de frente da vanguarda paulistana movimento musical surgido no
fim dos anos 70 que revelou, entre outros, os compositores Arrigo Barnabé
e Itamar Assumpção. Em 1997, Tatit iniciou sua carreira-solo, na
qual manteve muitas das características dos tempos de Rumo. Tatit é
adepto do canto falado, e suas letras são geralmente calcadas em cenas
do cotidiano, observadas ora com graça, ora com pessimismo. Sem Destino, seu quinto CD, traz parcerias com Marcelo Jeneci, um dos talentos mais celebrados
da nova geração (cujo trabalho, aliás, mostra influências
claras dessa turma). Tatit musicou Quem Sabe, letra inédita de Itamar
Assumpção, morto em 2003. Colaboradores recorrentes, como a cantora
Ná Ozzetti e o arranjador Fabio Tagliaferri, contribuem para a beleza do
disco. Ná é a intérprete de De Favor e Relembrando
Nazareth, cuja letra foi construída com títulos de 35 peças
de Ernesto Nazareth (a música é do compositor pernambucano Capiba),
e Tagliaferri é responsável pelos arranjos de cordas de Almas
Gêmeas, um dos pontos altos do CD.
EXPOSIÇÃO
MAX ERNST UMA SEMANA DE BONDADE (em cartaz a partir
de sexta-feira no Masp, em São Paulo)
Divulgação
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EXPOSIÇÃO
Max
Ernst: colagens para escandalizar a burguesia |
Entre
os expoentes do surrealismo, o alemão Max Ernst (1891-1976) foi quem
abraçou com maior convicção o barulhento propósito
de fazer da arte um meio de escandalizar a moral burguesa de seu tempo. Ernst
se valeu da poesia, do cinema (colaborou com o diretor espanhol Luis Buñuel)
e da pintura é autor de telas provocadoras como O Elefante de
Célèbe (1921), em que imagens desse animal e de um aspirador
de pó se fundem. Mas foi por meio de outra técnica a colagem
que encontrou sua expressão máxima. Os 184 trabalhos da série Uma Semana de Bondade são o melhor exemplo disso. Produzidos em
1933, eles compõem uma visão surrealista da criação
do mundo. Marcado pelos horrores da I Guerra (na qual lutou no lado alemão)
e pela escalada totalitarista na Europa (Hitler então já mostrava
suas garras), Ernst criou cenas de pesadelo como mulheres sendo torturadas
por figuras com cara de leão ou um cavalheiro com asas de morcego beijando
uma donzela. Feitas com a superposição de recortes de folhetins
do século XIX, as colagens originais pertenciam a um colecionador particular
e só em 2008, após décadas longe dos olhos do público,
voltaram a ser expostas.
DVD
ANDANDO SOBRE AS ÁGUAS (Walk on Water, Israel/Suécia,
2004. Europa)
Everett Collection/Grupo Keystone
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DVD
Andando
sobre as Águas: um bem urdido encontro entre os netos
de um criminoso
nazista e um agente do serviço secreto israelense |
Eyal, um agente do serviço secreto
israelense, recebe a missão de posar de guia turístico e assim espionar
Pia (Caroline Peters), uma alemã, neta de um criminoso nazista, que se
mudou para uma fazenda coletiva em Israel, e também seu irmão Axel
(Knut Berger), que está indo visitá-la. O objetivo é descobrir
o paradeiro do avô, que ao fim da II Guerra conseguiu fugir e se esconder.
Nenhum dos irmãos, aparentemente, sabe que ele ainda vive; e ambos têm
vergonha do passado da família. São dois jovens de bem, enfim, e
um bocado idealistas. Ainda que a simpatia de Axel pela causa palestina e o fato
de ele ser gay irritem Eyal, um homem de ação que enxerga o mundo
em cores contrastantes de certo e errado, aos poucos o agente começa a
titubear em suas certezas e a se repugnar com a violência da qual desde
sempre se cercou. Não que o filme do diretor Eytan Fox soletre essas mudanças
para o espectador: a força do seu trabalho está nas marchas e contramarchas
da jornada de Eyal e na excelente interpretação de Lior Ashkenazi,
um ator carismático, que sabe combinar com grande efeito a força
e uma certa vulnerabilidade.
LIVRO
NOTURNOS, de Kazuo Ishiguro (tradução de
Fernanda Abreu; Companhia das Letras; 210 páginas; 45 reais)
Nascido no Japão e radicado na Inglaterra, Kazuo Ishiguro tornou-se uma
celebridade literária em 1989, ao receber o Prêmio Booker pelo romance Os Resíduos do Dia (que deu origem a um bom filme, Vestígios
do Dia, com Anthony Hopkins e Emma Thompson). Antes de fazer carreira com
os livros, contudo, ele tentou a sorte como cantor folk. Desistiu da música
ao constatar que suas apresentações em bares e até no metrô
não o levavam a lugar algum (embora recentemente tenha voltado a atacar
de letrista, em parceria com a cantora Stacey Kent). Em Noturnos, o escritor
se debruça sobre as frustrações do universo musical. Os cinco
contos falam de aspirantes ao estrelato, artistas decadentes e fãs. Aplicado
seguidor das lições de Jane Austen, Ishiguro vale-se da ironia para
diagnosticar o autoengano em que seus personagens vivem. Na história que
dá título ao volume, um saxofonista em fim de linha é convencido
pela ex-mulher a fazer uma plástica, como se um rosto bonito fosse salvar
sua carreira.
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[A|B#]
A] posição do livro na semana anterior
B] há quantas semanas o livro aparece na lista
#] semanas não
consecutivas
Fontes: Balneário
Camboriú: Livrarias Catarinense; Belém: Laselva; Belo Horizonte:
Laselva, Leitura; Betim: Leitura; Blumenau: Livrarias Catarinense; Brasília:
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Campo Grande: Leitura; Caxias do Sul: Saraiva; Curitiba: Fnac, Laselva, Livrarias
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