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Home  »  Revistas  »  Edição 2161 / 21 de abril de 2010


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A ordem na tragédia

O que acontece a um país que perde boa parte de seu comando
de uma hora para outra? Chora, mas segue funcionando


Lizia Bydlowski

Janek Skarzynski/AFP

Em questão de minutos, a Polônia, ainda na infância da democracia após um sofrido passado de rebeliões, invasões e décadas de regime comunista, se viu quase desgovernada. Num mesmo acidente de avião em Smolensk, na Rússia, morreram o presidente Lech Kaczynski (e a mulher dele, Maria), dezoito deputados e senadores, as cúpulas militar, religiosa e jurídica do país, o presidente do Banco Central – todas as 96 pessoas a bordo, integrantes da comitiva presidencial que iria participar de uma cerimônia em homenagem, justamente, aos poloneses massacrados por russos na vizinha floresta de Katyn, durante a II Guerra. "É um local amaldiçoado. Ele me dá calafrios na espinha", comentou Aleksander Kwasniewski, ex-presidente da Polônia, dando voz à impressão predominante no país. Temeu-se pelo pior, diante das fundas brechas que racham a política polonesa, carregada de ressentimentos antigos. Mas enquanto caixões se enfileiravam no Aeroporto de Varsóvia, recebidos por parentes desolados, e a população enchia de flores e velas a praça em frente ao Parlamento, Executivo, Legislativo, Judiciário e demais setores cumpriram a Constituição: o presidente da Câmara (da oposição) assumiu o posto de Kaczynski, os próximos congressistas mais votados assumiram as vagas parlamentares, os segundos em comando foram promovidos, o vice-presidente do BC tomou posse interinamente e anunciou que a instituição estava "funcionando normalmente e realizando todas as suas operações". Até junho, haverá nova eleição presidencial. E a Polônia, à custa de muitas lágrimas, terá virado uma página importante na história.
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