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A ordem na tragédia
O
que acontece a um país que perde boa parte de seu comando
de uma hora para
outra? Chora, mas segue funcionando

Lizia Bydlowski
Janek
Skarzynski/AFP
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Em questão de minutos,
a Polônia, ainda na infância da democracia após um
sofrido passado de rebeliões, invasões e décadas de
regime comunista, se viu quase desgovernada. Num mesmo acidente de avião
em Smolensk, na Rússia, morreram o presidente Lech Kaczynski (e a mulher dele, Maria), dezoito deputados e senadores, as cúpulas militar,
religiosa e jurídica do país, o presidente do Banco Central
todas as 96 pessoas a bordo, integrantes da comitiva presidencial que iria
participar de uma cerimônia em homenagem, justamente, aos poloneses massacrados
por russos na vizinha floresta de Katyn, durante a II Guerra. "É um
local amaldiçoado. Ele me dá calafrios na espinha", comentou
Aleksander Kwasniewski, ex-presidente da Polônia, dando voz à impressão
predominante no país. Temeu-se pelo pior, diante das fundas brechas
que racham a política polonesa, carregada de ressentimentos antigos.
Mas enquanto caixões se enfileiravam no Aeroporto de Varsóvia, recebidos
por parentes desolados, e a população enchia de flores e velas
a praça em frente ao Parlamento, Executivo, Legislativo, Judiciário
e demais setores cumpriram a Constituição: o presidente da Câmara
(da oposição) assumiu o posto de Kaczynski, os próximos
congressistas mais votados assumiram as vagas parlamentares, os segundos em comando
foram promovidos, o vice-presidente do BC tomou posse interinamente e anunciou
que a instituição estava "funcionando normalmente e realizando
todas as suas operações". Até junho, haverá
nova eleição presidencial. E a Polônia, à custa de
muitas lágrimas, terá virado uma página importante na história.
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