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Tragédia no Rio de Janeiro "Até o Cristo Redentor
chorou de vergonha ante o descaso, a incompetência e a irresponsabilidade!
Não culpem a natureza pelos erros e omissões dos governantes.
Vejam bem quais foram eles, para que nas urnas sejam deletados do cenário
político." Impactante e pungente a capa de VEJA desta semana! As lágrimas
de concreto do Cristo Redentor dilaceram o coração das pessoas
que amam o povo do Rio de Janeiro. Choramos lágrimas de tristeza e vergonha
ao ver brasileiros soterrados pelo lixo, pela lama, pelo abandono à própria
sorte. Expresso aqui meu mais profundo desprezo àqueles que passam por
cima da dignidade humana em nome da ganância e das benesses do poder ("Rio...
do descaso, da demagogia, do populismo e das vítimas de suas águas",
14 de abril). Li a reportagem com um misto de emoções: indignação,
revolta, tristeza, sofrimento, comoção. Com lágrimas nos
olhos, constatei que, se os governantes não se conscientizarem da urgente
necessidade de enfrentar o problema da ocupação desenfreada das
favelas de modo sério, sem o viés eleitoreiro e demagogo, este
será apenas mais um capítulo trágico na história
do Rio de Janeiro. Esta fluminense desolada, radicada no Ceará, com as filhas
morando em Niterói, pergunta: como é que os responsáveis
pela cidade que vêm proclamando a qualidade de vida de Niterói
(dizem ser a quarta melhor do país) podem deitar a cabeça no travesseiro
e dormir com as mortes pesando em sua consciência? Como explicarão
essa calamidade a sua família? Então, toda essa história
de qualidade de vida excluía o Morro do Bumba? Tudo foi uma maquiagem
para que acreditássemos ser Niterói a "Miami" brasileira,
com seus velhinhos passeando pelas calçadas? É uma vergonha! Em vez de organizar passeatas demagógicas em defesa dos
royalties do petróleo, o governador do Rio de Janeiro deveria preocupar-se
em dar uma boa destinação a eles aplicando-os na remoção
das favelas e na promoção de assentamentos seguros, por exemplo.
Só mesmo uma tragédia dessa proporção escancara
ao resto do país como esses recursos milionários estão
sendo mal empregados. Administradores do passado e de hoje "recompensaram"
a mão de obra que construiu essa cidade marginalizando-a em morros, na
periferia, sem a mínima infraestrutura. Esqueceram-se de que se tratava
de seres humanos. Basta de reclamação! Devemos ajudar os sobreviventes
a reconstruir sua vida. Aos que se foram: homenagens e preces.
Carta ao Leitor Jamais li algo que tocasse tanto na ferida do Rio de Janeiro como
as linhas do editorial "A construção de uma tragédia"
(Carta ao Leitor, 14 de abril). Foi posta com muita propriedade a relação
desses políticos com a população. Espero que eles tomem
vergonha daqui para a frente.
Lya Luft Tocante o artigo "Os filhos do lixo" (14 de abril),
de Lya Luft. É simplesmente inadmissível que a nossa sociedade
permita que crianças se alimentem do lixo. Assim como temos campanhas
bem-sucedidas como "Crack: nem pensar", do Grupo RBS, devíamos
considerar esta: "Do lixo, não!" Eu me emocionei com esse texto. Foi de uma eloquência chocante,
nua, crua. Também assisti à reportagem sobre os filhos dos lixões
e, confesso, não parei de pensar naquelas pessoas, ainda mais depois
do terrível desastre ocorrido no Morro do Bumba, em Niterói. Difícil
não associar uma imagem a outra. Lya, apesar da dureza da situação,
você conseguiu passar ternura e indignação. Creia, ela também
é de todo o povo brasileiro. No seu sensível texto só faltou salientar que muito
dessa situação, comum a quase todo o país, se deve à
falta de uma paternidade responsável por parte de cada cidadão
e de uma política de planejamento familiar menos hipócrita e mais
acessível a todos. Sem isso, muitos brasileiros continuarão a
viver em buracos, comendo lixo e procriando como ratos.
Gustavo Ioschpe Preciso, objetivo e corajoso o artigo "Brasil: a primeira
potência de semiletrados?" (14 de abril), de Gustavo Ioschpe. Destaco
a sua coragem em dizer que as mazelas da nossa educação jamais
serão resolvidas apenas com mais verbas para a educação
e com aumentos salariais para os professores. Faltam competência gerencial
na educação pública e um programa sério de formação,
capacitação e qualificação de professores. Sem atacar
esses problemas e insistindo em medidas paliativas e demagógicas, condenaremos
nossa juventude ao analfabetismo funcional e à falta de empregabilidade. Há tempos percebo um enorme buraco no nível médio
de educação dos brasileiros, incluindo os que frequentam as melhores
escolas e faculdades. Hoje é raro encontrar uma pessoa com quem se pode
conversar por mais de cinco minutos, exceto sobre bobagens. O artigo de Gustavo Ioschpe desnudou a realidade do ensino no
Brasil. Aqui ainda impera a ideia de que, quanto mais ignorante a população,
mais fácil fica para os governos ineptos se perpetuar no poder.
Jovens cubanos contra a tirania A reportagem "Juventude rebelde" (14 de abril), do jornalista
Duda Teixeira, demonstrou que a insatisfação cubana não
começou agora e que os motivos são mais do que históricos,
até porque a família Castro está no poder há 51
anos. É um alento saber que em Cuba há uma juventude lutando
contra a opressão comunista e a falta de liberdade de expressão,
impostas pelo ditador sanguinário e seu irmão comparsa. Que isso
sirva de alerta para os nossos jovens alienados politicamente, para a UNE castrada
e para outras militâncias cooptadas pelo dinheiro sujo desviado dos nossos
impostos. Que eles acordem em tempo e ajudem a tirar do poder os "barbudos
do atraso" daqui, para não precisarem passar pelo processo que os
jovens cubanos estão amargamente experimentando.
Superproteção ao filho Parabéns pela reportagem "Excesso de proteção
faz mal ao seu filho" (14 de abril). Sou mãe de dois meninos, de
4 e 2 anos, e pude identificar-me com vários dos exemplos citados, bem
como enxergar casos de pessoas próximas com filhos adolescentes. VEJA
dá um show ao nos ajudar a refletir sobre a educação que
estamos fornecendo às mentes futuras. É com as questões abordadas nessa reportagem que
deparamos no dia a dia da escola. Muitos pais, na ânsia de proteger seus
filhos e mostrar que estão presentes na vida deles, não os deixam
assumir responsabilidades. Interferem em tudo, acobertam maus comportamentos
e justificam todos os seus atos. Sou mãe de três filhos adolescentes. VEJA relatou
com perfeição o que a sociedade brasileira vem enfrentando. Uma
dica a todos os pais zelosos e neuróticos como eu: mandem seus filhos
para um bom acampamento. A experiência permite que eles exercitem sua
autonomia e autossuficiência. Meus filhos mudaram de uma forma muito positiva
depois que começaram a ir para um acampamento!
Sucessão presidencial A
reportagem "A candidata petista falou dilmais" (14 de abril)
mostra a desastrosa apresentação de Dilma Rousseff sem a presença
de seu inventor. Quem sabe agora, desgarrada de seu mentor, a candidata petista
chegue à conclusão de que a Presidência da República
requer mais do que experiências burocráticas e cumprimento de atividades
predeterminadas. Quem sabe ela perceba que, para tornar-se estadista, é
preciso liderança e vivência na arte de bem governar. Fica
evidente que a candidata do governo tem cacife para superar o presidente Lula
em três pontos: na gastança, na arrogância e na produção
de asneiras vernaculares.
Epilepsia Mais
grave do que a doença em si é o preconceito que sofre o portador.
A reportagem "Tempestade cerebral sob controle" (14 de abril) deixa
bem claro o porquê de tudo ocorrer em fração de segundo e
involuntariamente. Minha filha sofre com essa doença há 23 anos,
e as perdas emocionais não se recuperam jamais. A dor causada é
indescritível. Com essa abordagem brilhante de VEJA, talvez possam ser
revisados e valorizados alguns conceitos, tornando a vida dos portadores de epilepsia
mais aceita pela sociedade.
Mulher magra e bela Muitos
acham que basta ser magra para ser feliz. Tenho 1,70 metro e 52 quilos e fui extremamente
brutalizada na adolescência, com ofensas cruéis que me renderam uma
síndrome do pânico no início da vida adulta. Como não
fui modelo, nem esse benefício tive para compensar o meu físico.
Gostaria que as pessoas compreendessem que a magreza extrema pode trazer tanto
sofrimento quanto o excesso de peso. Aos 39 anos, com dois filhos e o mesmo corpo
de adolescente, finalmente me aceitei ("As mulheres mais odiadas do planeta",
14 de abril). Correções: o crédito correto da foto sobre o deslizamento no Alto Leblon, publicada na página 76 da edição 2 160 ("Rio...", 14 de abril) é: Fabio Gonçalves/Agência O Dia. n O crédito correto da foto da cantora Xuxa publicada na página 49 da edição 2159 (Radar, 7 de abril) é: Nana Moraes/Boa Forma. Para se corresponder com a redação de VEJA: as cartas para VEJA devem trazer a assinatura, o endereço, o número da cédula de identidade e o telefone do autor. -Enviar para: Diretor de Redação, VEJA Caixa Postal 11079 CEP 05422-970 São Paulo SP; fax: (11) 3037-5638; e-mail: veja@abril.com.br. Por motivos de espaço ou clareza, as cartas poderão ser publicadas resumidamente. Só poderão ser publicadas na edição imediatamente seguinte as cartas que chegarem à redação até a quarta-feira de cada semana. |