Guia
A hora certa

Anna Paula Buchalla
abuchalla@abril.com.br
É o sonho de todo pai e mãe de primeira viagem:
um manual de instruções para lidar com seu bebê, ou um alarme
que avise o instante correto de avançar para a próxima etapa do
desenvolvimento infantil. Psicólogos e pediatras ouvidos por VEJA são
unânimes: certas mudanças devem, sim, acontecer em faixas etárias
específicas.
É claro que se pode apressá-las
ou atrasá-las um pouquinho, em respeito ao ritmo próprio de cada
criança mas sem exageros nem para mais nem para menos. "Não
é recomendável, por exemplo, tentar ensinar o filho a segurar o
xixi antes dos 2 anos", explica a pediatra Isabel Rey Madeira, da Sociedade
Brasileira de Pediatria. "Ele ainda não tem maturidade neurológica
para fazer esse controle", diz. Com a ajuda de especialistas, VEJA estabeleceu
o momento ideal de deixar certos hábitos para trás ou de criar outros
desafios na vida das crianças e na dos próprios pais.
Fotos
Istockphoto
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Comer
sozinha
Quando: entre 6 meses e 1 ano
Por
quê: a partir dos 6 meses, quando consegue levar a mão à
boca, a criança já pode comer sozinha pedaços de frutas moles,
como banana ou mamão evidentemente, sempre com a supervisão
de um adulto capaz de acudi-la caso ela se engasgue. Com 1 ano, é hora
de aprender a usar a colherzinha. Estimulá-la a se alimentar sem a ajuda
de um adulto favorece o desenvolvimento da coordenação motora. Conselho
dos pediatras: os pais devem evitar as broncas por causa da bagunça que
o filho faz ao comer sozinho. "As brigas podem trazer transtornos alimentares
no futuro, pois a criança associa a hora da refeição a momentos
estressantes", diz o pediatra Pedro Paulo Corrêa, do Hospital São
Luiz, em São Paulo.
Trocar a mamadeira
pelo copinho
Quando: 1 ano
Por quê: "Com 1 ano, a criança já tem capacidade psicomotora para beber
líquidos no copo com a ajuda de um adulto", diz a pediatra Isabel
Rey Madeira. Leite, chás, sucos e água podem ser oferecidos no copo
de plástico sem bico já no fim do primeiro ano de
vida. A utilização do copo, além de exercitar a autonomia,
evita um dos efeitos mais perversos da mamadeira: seu uso prolongado pode contribuir
para a obesidade. A praticidade da mamadeira, somada à sua associação
a sensações de proteção e conforto, faz com que a
criança se alimente mesmo quando não tem fome.
Largar
a chupeta
Quando: até 2 anos
Por
quê: antes dessa idade, o bebê está na chamada fase oral, e
a chupeta de fato o acalma. Mas, quando os dentinhos começam a surgir,
seu uso pode deformar a arcada dentária. "Esses danos, ao contrário
do que se diz, não são irreversíveis, e em geral são
corrigidos naturalmente quando a criança deixa de usar a chupeta
desde que isso não ocorra tarde demais", diz Marcelo Bönecker,
professor de odontopediatria da Universidade de São Paulo. A chupeta pode
ainda retardar o processo de fala, ao comprometer os movimentos da língua
e dos lábios mas isso não é regra. O ideal é
começar a restringir seu uso no fim do primeiro ano, permitindo-o somente
em locais e horários estabelecidos, como em casa, na hora de dormir.
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Deixar
de usar fraldas
Quando: entre 2 e 4 anos
Por
quê: quando está pronta para dispensar o uso da fralda, a criança
costuma reclamar que está suja ou avisa que algo vai acontecer. Se ela
passa a acordar mais seca e não molha algumas fraldas durante o dia, esse
é um sinal de que aprendeu a segurar a vontade.
Aos 3 anos, 98% das
crianças conseguem controlar o músculo que regula a saída
da urina. Para que uma criança aprenda a usar o banheiro, ela precisa estar
amadurecida física e psicologicamente, sob pena de enfrentar uma ansiedade
para a qual não está preparada. Até os 5 anos, é normal
que ela deixe escapar o xixi de vez em quando. |
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Comer
o primeiro fast-food
Quando: a partir de 3 anos
Por
quê: não há como evitar uma hora seu filho vai pedir
o tal hambúrguer com batata frita que vem com um brinquedinho. Não
é preciso negar a novidade. O que se recomenda é bom senso: um lanche
desses pode ser saboreado uma vez ao mês sem nenhum problema. Mas, em excesso,
os fast-foods são perniciosos: aumentam o risco de obesidade e hipertensão
na fase adulta. Doces e frituras oferecidos em festinhas podem ser consumidos
a partir de 1 ano, sem exageros. |
Escovar
os dentes sozinho
Quando: a partir de 4 anos, com supervisão
Por
quê: a higiene bucal começa assim que nascem os primeiros dentinhos.
Ela deve ser feita com escova a gaze não remove a placa bacteriana
e creme dental com flúor, importante na prevenção
da cárie. Nos primeiros anos, a escovação deve ser acompanhada
por um adulto, pois, até os 6 anos, as crianças têm maior
tendência a ingerir o creme dental. O excesso de flúor no organismo
provoca a fluorose, que produz manchas brancas ou castanhas nos dentes. "Só
a partir dos 6 anos a criança tem coordenação motora
suficiente para remover a placa bacteriana e controlar a deglutição",
explica Marcelo Bönecker.
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Tomar banho sozinha
Quando: a partir de 6 anos
Por quê: antes disso, a criança
pode se banhar sozinha desde que um adulto a ajude a passar o sabonete
ou a espalhar o xampu nos cabelos. A partir de 6 anos, a criança adquire
a habilidade motora para se lavar corretamente sem a ajuda de um adulto. Vale
lembrar que a higiene íntima das meninas requer atenção redobrada
da mãe nessa fase de aprendizado. |
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Dormir
na casa de um amiguinho
Quando: a partir de 6 anos
Por
quê: nessa fase a criança já conquistou certa autonomia para
tomar banho e escovar os dentes sozinha. Evidentemente, a decisão depende
de sua maturidade e grau de independência. "Os pais devem tomar cuidado
para não pular etapas", diz a psicóloga Vera Zimmermann, da
Universidade Federal de São Paulo. É essencial conhecer bem os adultos
que cuidarão do seu filho e o ambiente onde ele vai passar a noite. |
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Navegar na internet
Quando: a partir de
6 anos
Por quê: no início da alfabetização,
a internet entra como um complemento das tarefas escolares. Mas ela não
pode ocupar muitas horas do dia: os pais devem controlar o tempo que os filhos
passam navegando na rede, batendo papo ou em joguinhos. É importante que
acompanhem os sites e jogos preferidos do filho, inclusive dos adolescentes. "É
como saber qual é a banda preferida dele ou que filme ele foi ver com os
amigos", diz Vera Zimmermann.
Ganhar
um celular
Quando: a partir de 10 anos
Por
quê: "Antes disso, ele é desnecessário. A criança
vai passar mais tempo brincando com os joguinhos do que usando o celular para
se comunicar", diz a psicóloga Leila Salomão Tardivo, do Instituto
de Psicologia da Universidade de São Paulo. O ideal é dar a ela
um celular pré-pago e ensiná-la a administrar o uso do aparelho.
Cabe aos pais pagar os créditos para as ligações, mas a criança
pode usar parte da mesada para complementá-los, desde que a decisão
seja comunicada à família. Isso evita que ela deixe de lanchar
na escola, por exemplo, para falar mais ao celular.

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Receber
mesada
Quando: a partir de 6 anos (semanal) e 14 anos (mensal)
Por
quê: aos 6 anos, a criança vivencia as primeiras situações
de consumo longe dos pais, como a compra de um lanche na cantina da escola. Mais
importante do que o valor é a forma como ele será gasto. "Mesada
não é prêmio, é um instrumento de educação",
diz o consultor financeiro Gustavo Cerbasi, autor de Filhos Inteligentes Enriquecem Sozinhos. "A criança deve prestar contas dos gastos e entender
que ela é responsável por uma parte do orçamento da família",
acrescenta. Ela também pode ser estimulada a poupar, o que constitui um
aprendizado útil sobre planejamento e autocontrole.
Ir sozinha para a escola
Quando: entre
13 e 14 anos
Por quê: quando a criança completa 11 anos, os pais devem acompanhá-la nos trajetos que ela fará
sozinha em breve, seja de táxi, de ônibus ou a pé. Nessa fase,
já podem ensinar algumas atitudes para ajudá-la a evitar situações
de risco como recusar carona de desconhecidos e andar, sempre que possível,
na companhia de amigos.
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