Diogo Mainardi
O bispo Lula
e a polícia
"Em
16 de maio, o bispo Lula emulará o presidente Romualdo
e dará
o passo mais ruinoso de sua carreira. Ele procurará
Mahmoud Ahmadinejad
em sua cadeia iraniana e negociará
com ele olho no olho, prometendo
ajudá-lo a escapar
da polícia dos Estados Unidos e da Europa"
O presidente Lula conduz o Itamaraty da mesma
maneira que o bispo Romualdo conduz a Igreja Universal. Os dois recomendaram procurar
os bandidos nas cadeias e negociar diretamente com eles, dizendo: "Pô,
a gente está fazendo um trabalho tão bacana. Pô, todo mundo
armado. Pô, a gente é companheiro ou não é?".
O
bispo Romualdo, de acordo com a Folha de S.Paulo, resumiu candidamente
o espírito desse seu empenho diplomático bilateral: "Nosso
problema não é o bandido, nosso problema é a polícia".
É o que Lula tem repetido insistentemente nos últimos anos, em todos
os encontros internacionais. Ele recomenda procurar os bandidos em suas cadeias
e negociar diretamente com eles. Porque o problema, segundo Lula, não é
o bandido de Cuba, o bandido de Gaza, o bandido da Coreia do Norte, o bandido
da Guiné Equatorial, o bandido da Venezuela o problema é
a polícia.
Em 16 de maio, o bispo Lula emulará
o presidente Romualdo e dará o passo mais ruinoso de sua carreira. Ele
procurará Mahmoud Ahmadinejad em sua cadeia iraniana e negociará
com ele "olho no olho", prometendo ajudá-lo a escapar da polícia
dos Estados Unidos e da Europa. Lula retribui assim a visita de Mahmoud Ahmadinejad
ao Brasil, no fim do ano passado. Um de seus acompanhantes naquela visita foi
Esmail Ghaani, que entrou anonimamente no país. Ele era comandante interino
das Forças Quds, a unidade de elite da Guarda Revolucionária iraniana.
A caminho do Brasil, Mahmoud Ahmadinejad e Esmail Ghaani fizeram uma escala no
Senegal. O jornal Al Qanat, publicado no Líbano, em árabe,
relatou que Esmail Ghaani usou sua passagem por Dacar para adquirir uma série
de docas no porto local, em nome da companhia de fachada IRISL. Nessas docas,
a Guarda Revolucionária iraniana pretende armazenar os produtos triangulados
da América Latina, a fim de furar o bloqueio comercial imposto pela ONU.
O
contrabando é apenas uma das bandidagens praticadas pelas Forças
Quds. O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos denunciou-as por treinar, financiar
e armar terroristas. O chefe de Esmail Ghaani, Qassem Suleimani, foi punido pela
ONU, que congelou seus bens. A Europa acusou a Guarda Revolucionária de
comandar o programa nuclear iraniano e passou a perseguir seu conglomerado de
empresas por "proliferação de armas de destruição
em massa".
O que Esmail Ghaani fez no Brasil? Com quem
ele se encontrou? Empresas nacionais negociaram com as empresas de fachada das
Forças Quds? Para Lula, nenhuma dessas perguntas importa. Afinal, a gente
é companheiro ou não é? Olho no olho com Mahmoud Ahmadinejad,
em maio, Lula poderá dizer mais uma vez: "Nosso problema não
é o bandido, nosso problema é a polícia". Pô.
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