Edição 1850 . 21 de abril de 2004

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GOVERNO

Lula parou de cair
Um grande instituto fechou na semana passada uma pesquisa nacional sobre a popularidade de Lula. Pela primeira vez desde janeiro, o presidente não caiu. Estabilizou no mesmo patamar do fim de março. Pelo menos isso Lula pode comemorar. Quanto a voltar a subir, já é outra história...  

Todo o cuidado é pouco
Constatação: dezesseis meses depois de tomar posse, Lula não dribla mais sua segurança pessoal para ir ao encontro do povo, como fazia no início do mandato. Não se sabe se o presidente foi sensível aos apelos de sua segurança ou aos índices das pesquisas de popularidade.

Reviravolta na Embrapa
Depois de muita polêmica, a Embrapa voltará a dar ênfase à pesquisa para o agribusiness. Vai deixar a agricultura familiar, até agora estrela principal da administração petista, como coadjuvante.

Enfim, as nomeações 1
Numa reunião no Palácio do Planalto, na quinta-feira, Lula determinou a José Eduardo Dutra, presidente da Petrobras, a troca imediata de Rogério Manso, diretor de abastecimento da estatal, por um indicado de consenso do PT e do PPB, Paulo Roberto Costa, presidente da TBG. Manso, o preferido de Dutra na diretoria da Petrobras, não está lá por indicação política e cai justamente por isso.  

Enfim, as nomeações 2
Também compareceram ao encontro, que durou três horas, os presidentes da CEF, Jorge Mattoso, do BB, Cássio Casseb, e da Eletrosul, Milton Oliveira. A todos Lula exigiu rapidez na nomeação dos indicados pelos partidos que compõem a base aliada. Casseb, por exemplo, irá abrigar um indicado do PMDB na diretoria do Banco do Brasil.

 

ELEIÇÕES 2004

Não, não e não
Pode ser só charme, mas José Serra deu sinais de irritação com os tucanos que na semana passada insistiram em sua candidatura para a prefeitura de São Paulo.

 

Ciro e Tasso separados pela
primeira vez no Ceará

 
Carlos Humberto/OBrito News
Ciro e Tasso: palanques diferentes no Ceará

Fato inédito desde que se uniram no mesmo grupo político nos anos 80, Ciro Gomes e Tasso Jereissati se dividirão numa eleição no Ceará. Tasso vai apoiar o candidato do PSDB para a prefeitura de Fortaleza. E Ciro vai de Inácio Arruda, do PC do B. Os dois mantêm o discurso de que a amizade entre eles continua sólida. "Não tem rompimento", diz Tasso. "Mas o Ciro está no governo Lula, e eu na oposição. Então, momentaneamente, estamos em palanques diferentes." Há certo desconforto também entre os dois por causa de ataques que um irmão mais novo de Ciro tem feito a Tasso. De qualquer forma, o prazo de desincompatibilização para os ministros expira apenas em 2 de junho. E Ciro, aos mais próximos, tem deixado aberta a porta de uma eventual candidatura dele próprio à prefeitura. Neste caso, se ele e Tasso não subirem no mesmo palanque, será ainda mais surpreendente.

 

GENTE

Jospin vem
Além de Bill Clinton, mais um ex-chefe de governo confirmou presença na inauguração do Instituto FHC, no mês que vem – o ex-primeiro-ministro da França Lionel Jospin.

 

BRASIL

Operação Ouro Negro
Quem achou que a Operação Anaconda foi uma bomba, que aguarde o que vai acontecer em breve no Rio de Janeiro. Advogados conhecidos, policiais, desembargadores e juízes foram pilhados pela Polícia Federal por ligações com o crime organizado. O próximo escândalo, mais poderoso que a versão paulista, recebeu o nome de Operação Ouro Negro.

 

TELECOMUNICAÇÕES

De camarote
O governo decidiu que não vai se meter na novela da venda da Embratel, que divide os mexicanos da Telmex e as três principais empresas de telefonia fixa instaladas no país – apesar da preferência escancarada do presidente do BNDES, Carlos Lessa, pelo consórcio que une as fixas.

Projeto sigiloso
Está sendo gestado em sigilo dentro dos ministérios das Comunicações e da Defesa um projeto para lançar dois satélites que já tem até nome – SGB. A idéia é que um seja usado pelo Exército e o outro possa operar comercialmente, vendendo serviços. O custo? 600 milhões de dólares. Se o projeto for mesmo para a frente, o Exército não utilizaria mais os satélites da StarOne, empresa da Embratel.

 

ECONOMIA

O café do Armínio
Armínio Fraga, que não é de perder dinheiro, entrou para o ramo do café. Associou-se a uma torrefação no sul de Minas Gerais. Será sócio também de uma rede de cafeterias. A primeira abre ainda neste mês no Rio de Janeiro.

Marcha lenta
Depois do desempenho excepcional da indústria automobilística em março, abril é um mês de marcha a ré para o setor. A primeira quinzena está registrando uma queda de cerca de 30% nas vendas de veículos, em comparação com o mesmo período do ano passado.  

O gigante estatal vem aí
A Petrobras decidiu mesmo que quer voltar a ter poder de fogo, de voto e de comando na petroquímica. Anunciará em meados de maio a reestruturação de suas participações acionárias espalhadas em diversas empresas do setor. Vai concentrar tudo em uma ou duas empresas petroquímicas.

 

TELEVISÃO

A novela da venda
Guilherme Stoliar, sobrinho de Silvio Santos, está mantendo contatos com interessados na compra do SBT – tudo, claro, com a anuência do tio. Pelo menos um desses encontros deu-se na semana passada.

 

Sobrou para Gushiken

 

Tasso Marcelo/AE
Gushiken: admoestação de Lula

Lula andou reclamando com o ministro Luiz Gushiken sobre o que considera falhas na comunicação do governo. O presidente acha que as realizações de sua administração não estão aparecendo, que as notícias positivas não estão saindo na mídia. Gushiken não gostou da queixa e rebateu. Não foi, registre-se, um curto-circuito na relação dos dois. Apenas uma faísca. Mas demonstra quanto Lula está angustiado com essa questão.

Lauro Jardim (ljardim@abril.com.br)
Colaboraram Felipe Patury e Policarpo Junior

 

 

Fotos Ricardo Stuckert/Roberto Jayme/Mario Rodrigues

 

 
 
 
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