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Segurança
Exército
em casa
Pesquisa
mostra que há três vigilantes
clandestinos para cada profissional regular

Chrystiane
Silva
Egberto Nogueira
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| Treinamento:
empresas investem só 3% da receita em cursos de reciclagem |
Ninguém
precisa de estatísticas para saber que a segurança
pública é insuficiente para combater a violência
nas grandes cidades. Essa deficiência fez nascer um promissor
segmento de segurança privada no Brasil. O setor cresce 10%
a cada ano e movimenta 7,5 bilhões de reais, o equivalente
ao faturamento da Esso no Brasil, uma das maiores distribuidoras
de petróleo do país. O que as estatísticas
mostram agora é qual o perfil dos profissionais e das empresas
desse setor. Em um estudo exclusivo, a Federação Nacional
das Empresas de Segurança e Transportes de Valor (Fenavist)
analisou minuciosamente a vigilância privada. Os números:
existem 2.100 empresas de segurança no país, quase
o dobro do que há na Itália. A metade delas não
tem mais que 100 funcionários. O que mais chama atenção
é a clandestinidade. Para cada um dos 334.000 vigilantes
habilitados pela Polícia Federal, há outros três
que estão na ilegalidade. Os homens predominam e chegam a
97% dos profissionais na área. A maioria tem entre 30 e 39
anos e concluiu apenas o ensino fundamental. Os salários
ficam entre 480 e 960 reais por mês. É pouco. Os 85.000
vigilantes privados da Espanha recebem o equivalente a 3 500 reais
mensais. A busca por um salário melhor aumenta a rotatividade
dos profissionais nas empresas. Na média, eles ficam apenas
dois anos e meio em cada companhia.
A
segurança privada inclui os serviços de vigilância
patrimonial, pessoal, transporte de valores e escolta. Para exercer
a profissão, o candidato precisa ter cursado apenas até
a 4ª série do ensino fundamental e feito um curso preparatório.
A baixa escolaridade explica o despreparo de muitos profissionais.
As companhias também investem pouco em treinamento. Por ano,
apenas 3% do faturamento é destinado a atualização
e reciclagem. "Os novos cursos de formação acrescentam
noções de informática e relacionamento interpessoal",
diz Jerfferson Simões, presidente da Fenavist. Essas medidas
são importantes, 55% dos serviços de segurança
são requisitados por grandes e médias empresas, condomínios
e segurança particular. O sistema financeiro demanda 15%
e o setor público, 30%. Escolher um bom serviço de
segurança é tarefa árdua. A ilegalidade faz
com que as empresas tenham preços até 40% mais baixos
que os das companhias regulares. "O risco de contratar um profissional
desqualificado é grande. É preciso consultar sempre
os sindicatos. O setor terá de passar por uma profissionalização
nos próximos cinco anos, com a redução do número
de empresas e a qualificação dos vigilantes", diz
Marcelo Ferlini, consultor em segurança. De todas as armas
de fogo legais, 4% pertencem à vigilância privada.
Além
das fragilidades inerentes ao segmento, a segurança privada
ainda enfrenta a concorrência da tecnologia. A segurança
eletrônica movimenta 2,3 bilhões de reais por ano e
tem roubado o lugar dos vigias nos condomínios. Em 1996,
os condomínios paulistanos contratavam 25% de todos os vigilantes
do Estado. Hoje, são apenas 10%, o restante foi substituído
pela vigilância eletrônica. "Levantar essas informações
foi o primeiro passo para modernizar e adequar o setor", diz o presidente
da Fenavist. O Brasil ainda terá muito por fazer até
atingir os padrões da Inglaterra, considerada um país-modelo
na vigilância privada. Os 315.000 vigilantes particulares
ingleses trabalham em parceria e colaboram com os guardas públicos.
Muito diferente do que acontece por aqui.
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