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Automóveis
Beleza
interior
O
design é lindo, mas as maiores atrações
dos modelos expostos no Salão de Nova York
estão do lado de dentro

Marcos
Buarque de Gusmão
Fotos divulgação
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MERCEDES
SL65 AMG:
dispositivos de massagem nos bancos, monitor de 8 polegadas
para navegação via satélite e o fim dos
odores fortes dos plásticos. O modelo começa a
ser vendido no segundo semestre e tem preço estimado
em 330 000 dólares |
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Quem
vê apenas design e potência nos carros de luxo e esportivos
de última geração está perdendo a melhor
parte da inovação automobilística. A mais recente
fronteira da evolução dessa indústria está
no interior dos veículos. É essa parte de dentro do
carro, que inclui o painel, os estofamentos e uma parafernália
de recursos tecnológicos para aumentar o conforto do motorista
e dos passageiros, que virou peça fundamental no desafio
de diferenciar os modelos de uma mesma categoria. O que faz sentido,
já que, em termos de qualidade da mecânica, os automóveis
atuais são muito parecidos uns com os outros. Daí
os fabricantes estarem utilizando novos materiais, como tecidos
e plásticos antialérgicos, e incrementando os modelos
com bancos controlados por circuitos eletrônicos e recursos
inesperados de iluminação. "O interior dos carros
virou um fator que faz a diferença. O aperfeiçoamento
do espaço é o luxo final do produto", diz George Bucher,
designer da Ford, nos Estados Unidos.
Uma
só espiada no novo Mercedes-Benz SL65 AMG, visto pela primeira
vez no Salão do Automóvel de Nova York, encerrado
neste fim de semana, resume o que as fábricas andam fazendo.
Tudo dentro do carro foi pensado para agradar aos sentidos. Nenhum
componente tem odor forte. O recurso é bem-vindo, ainda que
signifique um adeus ao famoso cheiro de carro novo. O console está
livre de pontas. Os controles de ventilação, as travas
das portas e os botões de acionamento dos vidros das janelas
foram confeccionados de tal maneira que exijam o mínimo de
esforço de quem os manuseia. A grande sensação
do modelo, que custará em torno de 330.000
dólares, são os bancos que oferecem massagens na região
lombar e nas laterais do corpo do motorista e dos passageiros. Para
conseguir o efeito massageador, a Mercedes instalou dez ventiladores
dentro dos bancos, movidos por sete motores controlados eletronicamente.
São eles que inflam e desinflam pequenas bolsas de ar sob
o estofamento, que são os massageadores propriamente ditos.
Divulgação
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AP
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BUICK
VÉLITE:
filtros para purificar o ar e microlâmpadas de
alta performance no painel. Será lançado em 2006
e tem preço estimado em 30 000 dólares |
Os
bancos desse novo Mercedes são tão peculiares que
corrigem a inclinação do corpo em curvas acentuadas,
aumentando assim o conforto de passageiros e motorista. É
uma característica importante para um carro que pode atingir
300 quilômetros por hora graças ao motor duplo turbo.
Os alemães da Mercedes também criaram a tecnologia
de ventilação que dá maior autonomia aos conversíveis.
Uma central eletrônica regula a temperatura automaticamente,
mantendo o interior sempre aquecido, mesmo com a capota abaixada.
A 350, segunda geração do esportivo SLK, apresentado
no mês passado em Genebra, já vem com o novo equipamento.
O carro custará cerca de 45.000
dólares quando começar a ser vendido, no segundo semestre
deste ano.
Na
Ford, o cuidado especial com a parte interna do automóvel
levou projetistas da marca a criar um modelo antialérgico.
Todos os componentes do protótipo Focus C-Max passaram por
testes dermatológicos na Alemanha. Os exames permitiram aperfeiçoar
os itens que têm contato prolongado com a pele, como o tecido
do estofamento, os cintos de segurança e toda a tapeçaria
do carro. Um sistema de filtragem retém o pólen suspenso
no ar, providência importante para quem sofre de ataques de
alergia na primavera. Esse protótipo não tem data
de lançamento para produção em série.
Alguns modelos com características semelhantes, como os lançamentos
da família GM, por outro lado, devem chegar ao mercado até
2006. O Buick Vélite, o Hummer H3T, o Saturn Curve e o Chevy
Nomad foram concebidos dentro da lógica de valorizar a beleza
e a funcionalidade do interior.
A
GM desenvolveu um tecido com capacidade térmica controlável
em outras palavras, pode aquecer ou refrescar, dependendo
da temperatura ambiente. Dá para praticamente dispensar o
uso do ar-condicionado. O material é semelhante ao utilizado
por fabricantes de roupa e tênis esportivos como a Nike. O
sistema de iluminação foi melhorado substituindo as
lâmpadas comuns por tipos menores de alto rendimento, capazes
de mudar de cor. "O efeito luminoso foi incluído para dar
mais sofisticação ao carro", afirma Shuichi Yamashita,
chefe de design da Saturn. Outro modelo da família GM capaz
de se diferenciar dos concorrentes é o Cadillac STS 2005.
Ele chega para substituir o Seville, tornando-se assim o primeiro
sedã de luxo da marca em mais de 25 anos. A versão
com motor V6 custará cerca de 43 000 dólares, enquanto
o V8 sairá em torno de 55 000. Assim como outros recém-chegados,
o STS 2005 tem bancos com ventilação e aquecimento,
monitor de navegação via satélite de alta definição
e sistema de som com quinze alto-falantes. Um capricho extra para
os motoristas mais exigentes.
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Os
fascinantes carros-conceito
Divulgação
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| Y-Job,
de 1938 (acima), o primeiro carro-conceito,
e o Audi RSQ (abaixo), exibido na semana
passada |
AFP
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Os
carros mais espetaculares são os chamados "conceitos".
São modelos experimentais que os fabricantes
exibem para impressionar os consumidores ou testar idéias
inovadoras. São, pode-se dizer, uma tentativa
de prognosticar o futuro da indústria automobilística.
O primeiro carro-conceito foi o GM Y-Job, de 1938. Projetado
por Harley Earl, o papa do design de automóveis,
o carro introduziu os faróis retráteis,
que influenciaram toda a produção da indústria
automobilística dos anos 40. No Salão
do Automóvel de Nova York, encerrado neste fim
de semana, o esportivo RSQ da Audi fez bater o coração
dos apaixonados por carros que fogem ao convencional.
Com rodas substituídas por esferas e portas que
abrem para cima, o RSQ parece uma espaçonave
de filme de ficção científica.
Dificilmente o novo Audi será visto pelas ruas.
Motivo: é delirante demais para ser vendido.
Contraria a regra atual da indústria, que é
a de exibir carros-conceito bem parecidos com as versões
que serão colocadas nas concessionárias.
A estratégia se deve à competição
acirrada e à queda nas vendas mundiais. "O carro-conceito
passou a ser o primeiro teste de aceitação
do público", diz Wagner Dias, gerente do estúdio
de design da GM do Brasil. "Como os compradores estão
mais exigentes, não dá mais para apresentar
uma idéia sem apelo comercial." Ou seja, se agradou
vai logo para a linha de montagem.
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