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Diogo
Mainardi
Bom
é ser improdutivo
"Por
que implicamos tanto com terras
improdutivas? A improdutividade é um
elemento fundamental da economia
moderna. Em muitos casos, não plantar
pode ser mais rentável do que plantar.
A União Européia só se construiu graças
a uma agressiva política de desestímulo
à produtividade"
Chega
de falar em reforma agrária. Vamos abolir o Incra. Vamos
fechar o Ministério do Desenvolvimento Agrário. Lula
é criticado por ter assentado menos lavradores que Fernando
Henrique Cardoso. Pois foi seu único mérito até
agora. Quanto menos assentamentos, melhor. Eles custam caro e não
servem para nada. Ponto para Lula.
Como
se viu recentemente, o MST já não aceita a distinção
entre terras produtivas e improdutivas. Está certo, claro.
Essa distinção, sancionada pela Constituição,
é um dos maiores enganos da nossa política agrária.
Por que implicamos tanto com as terras improdutivas? Se a improdutividade
fosse um critério válido para a desapropriação,
a esta altura Lula já teria sido despejado do Palácio
do Planalto. Deveria ser um direito do agricultor não plantar
nada em suas terras. Afinal, quem perde é ele. O procurador-geral
da República, Cláudio Fontelles, defendeu a invasão
de terras improdutivas com o argumento de que o direito à
propriedade não é absoluto. Na China, possivelmente.
No Brasil, deveria ser, sim. A improdutividade é um elemento
fundamental da economia moderna. Em muitos casos, não plantar
pode até ser mais rentável do que plantar. A União
Européia só se construiu graças a uma agressiva
política de desestímulo à produtividade agrícola.
Cada país europeu tem uma cota de produção.
Os agricultores, na prática, são pagos para não
ultrapassar essas cotas. Um mercado integrado como o da Alca pode
gerar acordos semelhantes para o Brasil. Os contribuintes americanos
podem ser obrigados a bancar a diminuição da produtividade
dos nossos cultivadores de laranja e soja, num sistema de compensações.
Quer coisa melhor do que ser pago para não trabalhar?
Fernando
Henrique Cardoso gastou cerca de 20 bilhões de reais em desapropriações.
O dinheiro teria sido mais bem empregado no pagamento de juros abusivos
aos credores internacionais. Aliás, entregar o dinheiro aos
credores internacionais é melhor do que qualquer outro investimento
público. Anos e anos de campanhas eleitorais demagógicas
nos persuadiram de que não há investimento mais útil
do que aquele em educação. Quando se sabe, porém,
que de cada 4 reais do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação
(Fundef) 3 são desviados por administradores corruptos, só
nos resta abolir o Fundef e reverter sua verba aos credores estrangeiros.
Assim como devemos parar de investir em desapropriações
e assentamentos, devemos eliminar todos os subsídios agrícolas.
Chega de financiar a reforma agrária e chega de financiar
os latifundiários incompetentes. O Estado não deve
dar dinheiro nem aos pobres, nem aos ricos. Deve dar apenas aos
credores internacionais. Se usássemos todo o dinheiro de
investimentos para pagar os juros, sobrariam recursos para diminuir
os tributos e impostos das empresas, o que derrubaria os custos
de produção, a única maneira de gerar desenvolvimento
e emprego no país. Com mais dinheiro no bolso, os latifundiários
poderiam inclusive substituir o Estado na construção
de estradas, portos e ferrovias. É por isso que a pequena
propriedade não serve: ela depende do investimento do poder
público. E o poder público é corrupto demais
para investir.
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