Peter
Pan: no tempo em que a Disney tinha humor traquinas
Peter
Pan (Estados Unidos, 1953. Disney) A história do garoto
que não quer crescer já era um clássico quando Walt Disney
adaptou a peça do inglês James M. Barrie. Ainda assim, o desenho
multiplicou de forma exponencial a popularidade do personagem. Razões:
a animação dos estúdios vivia um de seus auges em meados
da década de 50 e o filme tem um senso de humor traquinas e irresistível,
sem nenhum parentesco com a melosidade que, dali a não muito tempo, viria
a marcar as produções da Disney. Não à toa, ele era
um dos preferidos de seu próprio criador. Como em todas as edições
que a Disney coloca à venda por tempo limitado, esta é um capricho
só, da remasterização aos extras, que incluem uma curiosa
entrevista com Walt.
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Monumento
soviético: o projeto da limpeza racial
Homo
Sapiens 1900 (Suécia, 1998. Versátil) Menos de uma
década depois de se debruçar sobre a relação entre
o horror nazista e as veleidades artísticas de Adolf Hitler, no excelente
Arquitetura da Destruição, o documentarista sueco Peter Cohen
abordou, aqui, outro tema complexo: o das origens e propagação da
eugenia ou a ideologia, travestida em "ciência", da limpeza racial.
Cohen mostra quanto a eugenia foi popular nos Estados Unidos e na Suécia
do início do século XX, traduzindo-se em programas estatais de esterilização
de "indesejáveis" e de eliminação de crianças defeituosas.
A febre, claro, atingiria seu auge na Alemanha nazista. Mas Cohen demonstra que
ela era também a inspiração para os ideais de "pureza" e
"saúde" da União Soviética.
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Idiocracy:
o futuro pertence aos mais burros
Idiocracy
(Estados Unidos, 2006. Fox) A premissa é o supra-sumo da incorreção
política: quanto mais baixo o Q.I. do indivíduo, mais alegremente
ele se reproduz, sem pensar nas conseqüências. Logicamente, portanto,
no futuro a humanidade não será mais inteligente, e sim de uma burrice
crassa. É o que Joe (Luke Wilson) descobre ao ser descongelado, em 2505.
Antes um zé-mané, ele é agora o sujeito mais brilhante do
planeta, onde todos têm nome de produtos, as plantações são
regadas com Gatorade e ninguém consegue concatenar sujeito e predicado.
Dirigido por Matt Judge, o criador de Beavis e Butt-head, o filme passou
voando pelos cinemas americanos e nem estreou nos brasileiros. Prova de que o
futuro vislumbrado por Judge não está assim tão distante.
LIVROS
No
País dos Homens, de Hisham Matar (tradução de Rubens
Figueiredo; Companhia das Letras; 258 páginas; 41 reais) Nascido
em Nova York e radicado em Londres, o escritor de ascendência líbia
Hisham Matar é filho de um prisioneiro político da ditadura de Muamar
Kadafi ou, pelo menos, Matar supõe que o pai ainda esteja preso,
já que não tem notícias dele desde 1995. Finalista do prêmio
Man Booker, No País dos Homens, romance de estréia do autor,
tem evidentes traços autobiográficos. Suleiman, o narrador da história,
é um menino que vive em Trípoli e cujo pai se envolve perigosamente
na oposição à ditadura líbia. A opressão do
governo Kadafi, com seus enforcamentos públicos de dissidentes, ganha um
retrato poderoso na visão infantil do protagonista. Leia
trecho.
Roteiro
da Poesia Brasileira Arcadismo, Parnasianismo, Simbolismo (Global;
160 páginas; 26 reais cada volume) Não será exagero
dizer que as antologias cumprem um papel civilizador, selecionando o essencial
de cada época ou escola literária para o leitor comum. Com direção
editorial da escritora Edla van Steen, a coleção Roteiro da Poesia
Brasileira pretende compor um painel amplo do verso brasileiro. Serão
quinze volumes, cada um organizado por um especialista, que abarcarão dos
poetas do Brasil colônia aos que estão em atividade no Brasil de
hoje. Dos anos 1930 em diante, o recorte se torna mais específico, com
um livro por década. Os três primeiros volumes estão chegando
às livrarias. São dedicados ao arcadismo, ao parnasianismo e ao
simbolismo. Leia
trecho.
Liane
Neves
Moacyr
Scliar: memórias literárias
O
Texto, ou: a Vida, de Moacyr Scliar (Bertrand Brasil; 272 páginas;
39 reais) Um dos mais prolíficos e criativos autores brasileiros,
o escritor gaúcho Moacyr Scliar completa 70 anos nesta sexta-feira. Cativante
mistura de autobiografia, ensaio e antologia, O Texto, ou: a Vida é
o livro perfeito para marcar esse aniversário. Scliar discorre sobre sua
infância no bairro judaico do Bom Fim, em Porto Alegre, sua formação
como médico, sua relação com a cultura judaica. Esses e outros
temas são ilustrados por contos, crônicas e excertos de romances
como O Centauro no Jardim. Também há curiosidades, como uma
redação escrita quando Scliar tinha 12 anos. Com este livro, o aniversariante
oferece ao leitor uma visão mais íntima de seu ofício de
escritor.
DISCO
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Joss
Stone: um salto de trinta anos
Introducing
Joss Stone, Joss Stone (EMI) Soul Sessions e Mind, Body
& Soul, os discos anteriores da cantora, eram calcados na música
negra da década de 70. No novo CD, ela dá um salto de trinta anos
no tempo e vai ao encontro dos padrões do soul contemporâneo. Um
dos responsáveis pela mudança foi Raphael Saadiq, produtor do disco,
que já trabalhou com artistas como D'Angelo e Earth Wind & Fire. Ele
incorporou batidas eletrônicas às canções e recrutou
rappers do primeiro escalão para apimentá-las. Saadiq, porém,
não descaracterizou o estilo vocal de Joss que aparece em toda a
sua plenitude na faixa Tell Me About It. Outra presença forte é
a da cantora Lauryn Hill. Ela "duela" com Joss em Music, a melhor música
do CD.