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21 de março de 2007
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Negócios
Um retrato dos que
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Pesquisa da Exame mostra os hábitos dos executivos brasileiros e revela sua preocupação com o aperfeiçoamento


Julia Duailibi

Vidal Cavalcante/AE
Sala da escola de negócios Ibmec, em São Paulo: só 6% dos executivos brasileiros fizeram MBA

Nos últimos anos, as empresas brasileiras têm tentado aumentar sua produtividade como forma de fazer frente à inexorável concorrência trazida pela globalização e pelo fenômeno chinês. No comando de muitas dessas companhias estão executivos que tentam compensar a formação acadêmica deficiente com o esforço constante para se aperfeiçoar. Um terço dos executivos brasileiros não possui diploma superior e só 6% fizeram MBA – a pós-graduação em administração de negócios.

Os americanos Steve Jobs e Bill Gates nunca concluíram a universidade e se tornaram líderes da revolução digital. Mas está na cara que eles e outros chefes de empresa só contratam pessoas com sólida formação acadêmica. De acordo com a consultoria Spencer Stuart, dos 500 maiores executivos americanos, 39% têm MBA e 62% fizeram algum curso de pós-graduação. Uma pesquisa da revista Exame e da Ipsos Marplan com 500 executivos brasileiros (presidentes, diretores e gerentes de empresas) mostra que no Brasil as exigências começam a se igualar às americanas: 64% dos executivos disseram aos entrevistadores que pretendem fazer cursos de especialização nos próximos dois anos. A pesquisa produziu o mais completo retrato já feito do comando corporativo brasileiro.

O levantamento desvendou os valores éticos, as preocupações sociais e os hábitos de lazer dos executivos brasileiros. O típico executivo brasileiro é homem, casado, tem filhos e, em média, 41 anos de idade (veja quadro). Entre os que têm formação superior, a maior parte cursou administração de empresas. Até recentemente, estudo e negócios não combinavam no Brasil. "Antes, os que procuravam uma pós-graduação ficavam com fama de acadêmicos, pouco práticos. Chegava a pegar mal. Nos últimos quinze anos, isso passou a ser o básico. Cada vez mais executivos procuram melhorar a formação", confirma Sérgio Amad, professor de recursos humanos da Fundação Getulio Vargas. De acordo com a pesquisa, 19% dos executivos fazem pós-graduação, especialização ou MBA. É o caso, por exemplo, do publicitário Fábio Ivankovich, de 35 anos. Desde o ano passado ele concilia as aulas do MBA com a gerência nacional de vendas da farmacêutica suíça Roche. Investiu no curso 40.000 reais – 80% do valor bancado pela empresa. O investimento já deu resultado: "Fui promovido antes de terminar os estudos", comemora Ivankovich.

Para os líderes empresariais brasileiros, a maior desvantagem de seus cargos é o estresse advindo do excesso de responsabilidade. Os executivos do Rio de Janeiro tiram em média dezenove dias de férias por ano, contra doze dos paulistas. Tratando-se de finanças pessoais, todos são conservadores: apenas um em cada vinte entrevistados investe em ações. A maioria (78%) prefere fundos de previdência complementar lastreados em títulos de renda fixa, mais seguros. A pesquisa também mostra uma faceta empreendedora dos executivos: 44% gostariam de abrir um negócio próprio. A preocupação social, no entanto, é uma surpresa negativa: apenas 16% deles fazem trabalho voluntário e 7% declaram doar algum dinheiro. Diz Dirk Schwenkow, professor do Ibmec São Paulo: "Esse índice é baixo se comparado ao dos executivos da Europa, onde a pressão das ONGs é maior".

De cada dez executivos apenas dois são mulheres. Ao se examinar essa proporção por faixa etária, percebe-se uma distribuição lógica, em conformidade com a chegada tardia das mulheres ao mercado de trabalho executivo. Elas são, ainda, mais numerosas nos cargos intermediários e raleiam no topo. Quando ouvidas, as mulheres executivas demonstram muito mais preocupação com a ética e a honestidade do que os marmanjos. Os homens se preocupam mais com a agilidade dos seus funcionários do que as mulheres. Mas a testosterona vai ainda mais fundo. Mesmo aqueles que ocupam altos cargos dizem que tomam as decisões mais importantes no que diz respeito à casa e à família. Na verdade, o que se nota é que os homens não se sentem mais assim tão à vontade em declarar que seu foco é só o trabalho. Pelo menos da boca para fora, eles valorizam o equilíbrio, a harmonia entre carreira e família. "A mulher tem mais jogo de cintura que o homem. Consegue lidar melhor com o tempo", diz Simone Valois, 32, que cursa seu segundo MBA e é diretora de marketing da B2Br, empresa de tecnologia da informação. É verdade. A pesquisa mostra que as executivas lêem mais, vão mais ao cinema, ao teatro e a exposições do que os engravatados. Ao redor de todos, porém, se estende o braço longo e tentacular do trabalho disfarçado de diversão. Sete em cada dez executivos declaram que sua principal atividade "de lazer" quando estão em casa é a internet. E ainda vem aí o BlackBerry...




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